Vinícius de Moraes (Biografia)

Vinícius de Moraes

Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 – Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um cantor, compositor, poeta, ensaísta, jornalista e diplomata brasileiro. Escritor purista, elevou as letras brasileiras em um sitial de honra, ora como inspirado poeta, ora como ensaísta, ora como articulista de diversos temas entre os quais se destacam com preeminência os relacionados com a música e o folclore brasileiro.

Sua obra foi total, experimentou e impulsionou a renovação da canção nacional, concedendo-lhe hierarquia e prestância internacional. Suas composições decorrentes de seu talento transbordante e de sua extraordinária sensibilidade, constituem um legado imperecível à cultura universal.

Sumário
1 síntese biográfica
1.1 estudos
1.2 Universidade
1.3 colaborações jornalísticas
2 Formação política
3 continuação do seu trabalho
3.1 cinema e música
4 morte
5 casamentos
5.1 discografia completa
6 Fontes

Nome completo Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes
Nascimento 19 de de 1913
bairro da Gávea,
cidade do Rio de Janeiro
Brasil Bandeira do Brasil
Óbito 9 de julho de 1980 (66 anos)
cidade do Rio de Janeiro
Brasil Bandeira do Brasil
Ocupação poeta, compositor, jornalista e diplomata
Nacionalidade brasileira
Período 1924-1977
Língua de produção literária portuguesa
Língua materna português
Gênero poesia, letras de músicas
Movimentos Henrique de Melo Moraes,
Alberto De Castro Simões da Silva
Esposa Beatriz Azevedo de Mello
Descendência Maria, Georgiana, Luciana, Susana, Tuca e Pedro Moraes.
Influências Otávio Faria Haroldo Tapajós Gomes

Síntese biográfica
Estudos
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes, poeta, compositor, jornalista e Diplomata brasileiro, nasceu no bairro da Gávea da cidade do Rio de Janeiro (que na época era a capital do Brasil), em 19 de outubro de 1913. Em 1916 radicou-se, junto a seus pais Clodoaldo Pereira da Silva Moraes e Lydia Cruz de Moraes, no bairro e Praia De Botafogo, considerado como reduto da aristocracia brasileira, onde viveu na residência de seus avós.

Seus estudos elementares os realizou na escola Afrânio Peixoto. Por este tempo, ele começou na poesia, escrevendo e declamando suas primeiras criações poéticas. Em 1922, seus pais se avizinham na Ilha do governador, onde culminariam seus estudos de primária, onde, além disso, compartilharia com seu tio Henrique de Melo Moraes e o compositor Alberto De Castro Simões da Silva “Bororo”, seu hobby pela música crioula.

Em 1924 ingressou no Colégio San Ignacio, em Botafogo, onde escreveu suas primeiras composições em colaboração com os irmãos Paulo e Haroldo Tapajós. Desta época data o tema Loura ou Morena . Também produziram: “Canção para alguém”, “Diga moreninha”, “Doze ilusãoaes”, “Namorado da lua”, “o beijo que você não quis dar” entre as de maior difusão e sucesso.

Manteve grande interação com o cantor e compositor Haroldo Tapajós Gomes a qual foi definitiva em sua etapa formativa, como um dos melhores e mais produtivos autores da canção brasileira no século XX.

Universidade
Em 1929 matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, onde se relacionou com o escritor, crítico, ensaísta, romancista e tradutor brasileiro Otávio Faria, que o encorajou a enrumbar sua atividade pelo caminho da literatura. Esta amizade, produziu seu primeiro livro publicado pela Editora Schmidt em 1933″ o Caminho para a distância “franqueou-lhe as portas do sucesso, que se estenderia com seus novos textos intitulados” Forma e Exegese “que seria premiado com o Prêmio Felipe D’Oliveira,” Ariana, a Mulher”, “Cinco Elegias,” Poemas, Sonetos e Baladas”,” Livro de Sonetos”,” Procura-se uma Rosa”, ” para Viver um grande Amor. O lirismo” e “Pátria Minha”, “Orfeu da Conceição”, “o Mergulhador”, “História natural de Pablo Neruda”, “o falso mendigo, poemas de Vinicius de Moraes”, “Vinicius de Moraes – Poemas de muito amor”, a arca de Noé “, “Roteiro lírico e sentimental da Cidade Do Rio de Janeiro e outros lugares por onde passou e se encantou o poeta”, “as Coisas do Alto – Poemas de formação”, “Nossa Senhora de Paris” .

Entre 1932 e 1933, criou as letras de dez canções consideradas no presente, como criações clássicas da composição brasileira. Em 1938, ele se tornou credor de uma bolsa concedida pelo British Council, organização internacional para a promoção de oportunidades educacionais e relações culturais do Reino Unido, para estudar em inglês e literatura na Universidade de Oxford. Sua estada em Londres, permite-lhe trabalhar como assistente do programa brasileiro da BBC

Colaborações jornalísticas
Em 1941, trabalha como crítico de cinema no jornal “A Manhã”. Também colabora com o” Literary Supplement “e com a revista” Clima”, dirigida pelo escritor e crítico literário Antonio Candido de Mello e Souza. Neste mesmo tempo inicia controvérsias sobre “o cinema mudo” e o “cinema sonoro”, que começa com o jornalista, diplomata e poeta Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto, e, depois, esta polêmica se estenderia a uma boa parte da intelectualidade brasileira.

Convidado pelo prefeito de Belo Horizonte visite esta cidade onde faz amizade com os escritores Otto Lara Rezende, Fernando Sabino,Hélio Pelegrini e Paulo Mendes e junto com Rubem Braga e Moacyr Werneck de Castro, forma uma rodada literária no “café Vermelhinho”, no Rio de Janeiro, onde incorpora o arquiteto Oscar Niemeyer e os artistas Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira, José Reis, Alfredo Ceschiatti, Santa Rosa, Pancetai, Augusto Rodrigues, Djanira e Bruno Giorgi, entre os mais notáveis. Por este tempo, frequenta a residência do escritor Aníbal Machado e conhece em sua viagem ao nordeste do Brasil, os escritores Waldo Frank e Gabriela Mistral. Em Recife conhece e faz amizade com o poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto.

Em 1944 é diretor do suplemento literário de “O Jornal”, onde incorporará as assinaturas de Oscar Niemeyer, Carlos León, Pedro Nava, Francisco Pires de Sá, Marcelo García e Lúcio Rangel, entre os intelectuais mais destacados de sua geração. Também publica as criações dos artistas Athos Bulcão, Maria Helena Vieira da Silva, Alfredo Ceschiatti, Carlos Scliar, e Arpad Czenes Gonçalves

Escreve crônicas semanais na revista ” Fatos e Fotos “e, no” Diário Carioca”, publica artigos relacionados à música popular brasileira. Ele também escreve para compositores e cantores Dorival Caymmi, e Francis Victor Walter Hime.

Formação política
Em 1945, o Ministério das Relações Exteriores atribui-lhe a responsabilidade de representar o Brasil no Vice-Consulado de Los Angeles, Califórnia. Neste cargo permanece por quase cinco anos, tempo que aproveita para editar e publicar seu livro “Poemas, Sonetos e Baladas” com ilustrações do arquiteto e aquarelista Carlos Leão, e a técnica do cinema com os consagrados Orson Welles, diretor, ator, escritor e produtor cinematográfico; Gregg Toland, de acordo com a crítica especializada um dos melhores fotógrafos do cinema em todos os tempos, difusor de um único e avançado estilo de iluminação e publica com o crítico Alex Viany, a revista.

Em 1953 viaja a Paris para ocupar o cargo de Segundo Secretário da Embaixada do Brasil, na França, que apesar de seus cargos não deixa de escrever e publica em parceria com Antônio Maria Araújo De Morais “Quando Tu passes por Mim” que pudesse ser classificada como a primeira composição em rítmo de samba escrita por Vinicius.

Suas apresentações e atividade autoral as compartilha com sua atuação como diplomata ao serviço da chancelaria. Em 1964, ao produzir-se o golpe de estado que derrubou o presidente João Belchior Marques Goulart retorna ao Brasil, alternando sua atividade de criador com o jornalismo.

Em 1968, depois de completar 26 anos de serviço diplomático, o Ministério das Relações Exteriores em aplicação do Ato Institucional n. o 5 de data 13 de dezembro, mandou-o a retiro forçado. Este ato produzido pela arbitrariedade instaurada emBrasil em 1964, causou-lhe grande pena moral. Esta medida excepcional levou-o a mudar-se para Portugal. Nesta oportunidade, estudantes seguidores da Política de repressão imposta pelo Primeiro-Ministro Antonio De Oliveira Salazar, protestaram a presença do poeta às portas de um teatro onde este se apresentava. O poeta saiu ao seu encontro e simplesmente recitou: “de manhã escureço/de dia atrasado/de tarde anoiteço/de noite ardo.”.

Continuação do seu trabalho
Cinema e música
Durante o período 1953-1968 sua obra não cessou, em 1959, o diretor de cinema francês, Marcel Camus, leva à grande tela “Black Orpheus”, filme de fama internacional, vencedor do Grande Prêmio da Academia de Cannes como o melhor filme de língua estrangeira, em 1959; o Oscar, correspondente ao mesmo ano, e o Prêmio da Academia Britânica.

Este ano escreve textos para o compositor e cantor Carlos Eduardo Lyra Barbosa registrando dois grandes sucessos “Você e eu”, “Coisa mais linda”, “Primeira namorada” e “nada como te amar”, e com o flautista, saxofonista, compositor, cantor, e maestro Alfredo da Rocha Viana Filho, “Pixinguinha”. Em 1961, a Nuova Academia Editrice de Milano, Itália, publica “Orfeu Negro” com uma impecável tradução para o italiano deP. a. Jannini.

Nesta época intensifica a colaboração autoral com as figuras da nova canção brasileira como Baden Powell, Carlos Lyra, Antônio Carlos Jobim e João Gilberto. Desta formidável associação surgirão os temas “Garota de Ipanema”, ” Samba da benção. Pobre menina rica. Além disso, trabalhou com o lendário Ary Barroso, no tema “Rancho das Namoradas”. No marco de sua copiosa atividade pôs em circulação seu livro ” para viver um grande amor.”E participou do show Skindô com a atriz, cantora e escritoraOdete Lara, esta performance seria impressa em um disco L. P., de notável sucesso.

Em 1965, o serviço de documentação do Ministério da Educação e Cultura publica seu poemário “Cordélia e o peregrino” e, obtém com a colaboração de Edu Lobo e Baden Powell de Aquino, assim como das interpretes Elis Regina, e Elizeth Cardoso, o primeiro e segundo prêmio do I Festival de Música Popular de São Paulo, com os temas “Arrastão” e ” Valsa do amor que não vem”

Em 1966 publica seu livro “Para uma menina com uma flor” e, com seu associado, Baden Powel de Aquino, publica “Samba da benção”.

Em 1967, estreia o filme “”Garota de Ipanema”, retirando-se parcialmente das atividades musicais. Nesse mesmo ano recebe o encargo do governo do Estado de Minas Gerais para preparar os estudos de viabilidade a fim de realizar o festival de arte a realizar-se na cidade de Ouro Preto.

Em 1969, integrou junto ao guitarrista e cantor-autor Antonio Pecci “Toquinho uma interessante e produtiva sociedade autoral e artística que deixou como fruto uma extensa e enriquecida discografia que abrangeu uma vintena de discos de vinyl com títulos de comprovado sucesso: esta associação se prolongaria por uma década e produziu sucessos como “se Lá”, “Cotidiano no. 2”, “Tarde em Itapuã”, “Essa Menina”, “Meu Pai Oxal”, “Carta ao Tom”, “as Cores de Abril”, “se Ela Quisesse”, “Samba para Endrigo”, “Choro choro pra Paulinho Nogueira”,” A Carta que Não Foi Mandada”, “Maria-Vai-com-as-Outras”, “Aquarela” e outras mais .

Em 1977 apareceu sua antologia poética, em série de luxo contentiva de 2 L. P., com a participação de seus associados Tom Jobim, Edu Lobo, Toquinho, Luis Roberto, Jorginho, Roberto Menescal e Francis Hime. A existência vivencial de Vinicius foi viver a “poesia é seu estado natural”, SEM intermediários. Seu existir transcorreu abrasadoramente como assinalam seus repetidos divórcios e casamentos.

Morte
Sua absurda morte ocorrida em 9 de julho de 1980 aos sessenta e sete anos de idade, silêncio o canto de um rouxinol e apagou a luminosa chama de um gênio; mas, sua obra total continuará vigente enquanto no Universo estiver presente o marjal do amor e da esperança.

Em 8 de setembro de 2006, o Executivo nacional da República Federativa do Brasil, em ato de Justiça que honra o Estado inaugurou no Palácio de Itamaray, sede oficial do Ministério das Relações Exteriores a “Sala Vinicius de Moraes”, Como reconhecimento e ato de justiça ao eficiente funcionário que fosse privado de suas responsabilidades por causa da aplicação ditatorial do Ato Institucional n. o 5.

Casamentos
Vinicius de Moraes foi casado com Beatriz Azevedo de Mello, Lila Maria Esquerdo, Maria Lúcia Proença, Nelita Abreu Rocha, Cristina Gurjão, Gesse Gessy e Gilda de Queirós Matoso.

Discografia completa
vinicius & odete lara ( 1963)
vinicius / caymmi no zum zum ( 1964)
vinicius,poesia e canca (1965)
os afro-sambas de baden powell e vinicius ( 1966)
la vita amico e La arte dello encontrou (1969)
vinicius, maria creuza e toquinho em la fusa (1970) ao vivo mar del plata argentina
como dizia ou poeta ( 1970)
vinicius + bethania + toquinho na fusa (1971) ao vivo Mar del plata
toquinho e vinicius ( 1971)
vinicius canta nossa filha gabriela ( 1972 )
são outros os perigros desta vida ( 1972 )
toquinho e vinicius 2 ( 1974)
toquinho, vinicius & amigos ( 1974)
o poeta e o violao ( 1975)
vinicius e toquinho 3 ( 1975 )
la voglia, la pazzia, l inconscienza, l alegria / vinicius / ornella vanoni (1976 )
o bem-amado,trilha sonora de vinicius e toquinho (1976)
tom, vinicius, toquinho, miucha ao vivo no canecao ( 1977)
vinicius de moraes-antologia poetica ( 1977)
vinicius de moraes / amalia rodriguez ( 1978)
10 anos de toquinho e vinicius ( 1979)
um pouco de ilusao / toquinho e vinicius (1980 ), sendo essa sua última placa.

Vinícius de Moraes (Biografia)
Rolar para o topo