Urbanismo na Grécia e Roma

História do Urbanismo na Grécia e Roma

Você consegue imaginar como eram as cidades antigas na Grécia e Roma? Nestas sociedades, elas poderiam ser associações de cunho religioso, político e familiar, ou lugar de reunião, de domicílio e do santuário.

Cidade-estado: forma de organização política que se desenvolveu no período clássico da civilização grega. Consistia na disposição soberana e autônoma de um pequeno território (polis); de população concentrada, entre muros ou fortificações defensivas, e clara distinção entre os seus cidadãos membros (poliitai) e os nãocidadãos ou estrangeiros. As cidades-estado possuíam os atributos e funções de um Estado Nacional, diferindo deste quanto à extensão territorial e por coexistirem com outras cidadesestado em área contígua; tinham em comum o uso da língua, as origens étnicas e a formação cultural, mantendo rígida separação de governo, território e cidadania.

Cidades na Grécia: Os gregos denominavam as cidades de polis, elas eram cidades-estado, possuíam autonomia política, religiosa e econômica. Atenas foi a mais importante cidade grega, seguida por Esparta, que exerceu sua hegemonia político-militar na Grécia entre 404 – 371 a.C., devido ao seu forte exército.
Localizada no sul da Grécia, na Ática, Atenas diferenciou-se por ter desenvolvido uma vida urbana mais dinâmica. Durante o século V a.C., chegou a ser a maior cidade grega. Possuía uma economia voltada para o comércio marítimo com outras cidades e colônias na Península Itálica, mediterrâneo ocidental, Ásia Menor e na Costa do Mar Negro. Foi conhecida por ter desenvolvido a democracia, sistema político que possibilitava maior participação dos cidadãos (teve início com Clístenes [570-507 a.C.], a partir do ano 508 a.C.). Neste período, Atenas tornou-se o maior centro intelectual e cultural do ocidente (conhecida como a escola de Hélade), contava com um grupo admirável de escritores, artistas, cientistas e filósofos, muitos destes, mesmo que não oriundos desta cidade, sentiam-se atraídos
por ela. A maioria das grandes personalidades de relevo cultural da Grécia estava ligada a Atenas entre os anos de 500 e 300 a.C., (época do apogeu de Atenas). Essas personalidades tinham liberdade para pensar, expressar-se e ensinar nesta cidade-estado. No início da Guerra do Peloponeso (entre Esparta e Atenas, em 431-404 a.C.), cerca de um terço dos cidadãos de Atenas viviam na área urbana. Somava-se, ainda, a esta população os não-cidadãos livres (artesãos, estrangeiros) e os escravos. De terreno com solo pouco fértil, pedregoso e montanhoso, Atenas não comportava um crescimento populacional tão grande como ocorreu com as cidades do Oriente Médio. Foram necessárias reformas urbanas, exemplo disso ocorreu no governo de Péricles (495-429 a.C.), no qual foram construídos os propileus (escadas da Acrópole) e o Paternon (o templo da deusa Atena, documento 1).

A maioria dos cidadãos urbanos eram ricos proprietários que desenvolviam suas atividades econômicas ligadas à agricultura, de onde obtinham seus rendimentos e também investiam em escravos.
A base econômica dos não-cidadãos era o comércio, a fabricação de armas, de cerâmicas, etc., ou o empréstimo de dinheiro.
No século V a.C., a riqueza de Atenas provinha principalmente dos tributos cobrados sobre as cidades da Liga de Delos (coligação marítima-militar de cidades, lideradas por Atenas a partir de 478 a.C.), das trocas comerciais e da prata extraída das minas do Láurio (cidade grega, situada na Ática). Estas fontes de recursos possibilitaram o desenvolvimento econômico para a sustentação da democracia em Atenas, bem como a manutenção dos cidadãos e de outros habitantes, além da construção de grandes obras.

A cidade tornara-se a capital da Hélade e os cidadãos estavam cônscios disso. No sexto século a.C., a cidade, embora grande, crescera irregularmente; seu centro religioso situava-se na Acrópole, que outrora fora ocupada pelo palácio fortificado dos reis e agora era consagrada a Atena, a deusa protetora de Atenas, e o local do seu modesto templo construído com pedra local. Pisístrato muito fez por Atenas. Construiu um grande e conveniente mercado central, melhorou o abastecimento d’água, abriu uma estrada majestosa para a Acrópole, onde ergueu um novo templo central para a deusa Atená. Tudo isso foi destruído pela invasão persa. A partir de 479 a.C., o trabalho de restauração da destruição prosseguiu ativamente. Cimon foi notável nessa tarefa. Reconstruiu a cidade, particularmente
o mercado que também servia como bolsa e clube social e era o local onde se efetuavam alguns negócios políticos.
Todavia a Acrópole ainda estava em ruínas. Péricles, o dirigente e organizador do Império Ateniense, empreendeu a tarefa da sua restauração. Atenas gastou milhões para transformar a Acrópole numa das mais perfeitas produções arquiteturais, adornadas com todo um museu de obras-primas em pedra de cor. Em suas faldas não havia residências particulares ou lojas; somente alguns santuários, inclusive o de Asclépio, davam vida às encostas íngremes da colina. À direita está o majestoso Partenon, o lar de Atená Partenos, um grande templo dórico.
Assim era o centro de Atenas, o resto da cidade era feio e insignificante, com ruas estreitas e tortuosas, casas modestas, lojas e oficinas, barulho, poeira e lama. Além disso, os homens de Atenas não passavam muito tempo em casa. O mercado, o Pnix, onde a assembléia popular se reunia, os tribunais e a câmara do conselho eram os lugares onde as classes altas passavam o seu tempo. As classe baixas trabalhavam nas docas e nos armazéns do Pireu, ou em suas lojas e oficinas.
b) A cidade de Roma: localizada na Península Itálica, representava para os romanos um ambiente de vida em sociedade, o centro da vida civil. Entretanto, a cidade de Roma cresceu sem planejamento. A maior parte da cidade possuía casas altas e pouco desenvolvidas, as ruas eram tortas e estreitas e dificultavam as construções centrais de finalidade. Muito embora os romanos tivessem sido construtores de cidades, enfrentaram dificuldades para melhorar a estrutura de Roma, a exemplo das colônias latinas da Península Itálica: Alba Fucens (303 a.C.) e Cosa (273 a.C.), cujo estilo arquitetônico predominava com as formas de retângulos e ruas planas.
Mesmo assim, podem ser evidenciados alguns aspectos urbanos na arquitetura da cidade de Roma. O cimento passou a ser utilizado nas construções romanas a partir do século II a.C., o que propiciou construções bastante sólidas. Neste mesmo período, a primeira basílica foi construída por Catão, o Velho (243-143 a.C.), a Basílica Porcia. Na basílica faziam-se reuniões, passeios e negócios. No apogeu de Roma (século I d.C.), no Forum, realizavam-se as festas religiosas e manifestações cívicas. Entre os monumentos comemorativos, constavam os “Arcos de Triunfo”, criados no final do século I d.C., em diante, era uma espécie de porta monumental, exemplos: o Arco de Tito (Titus Flavius Vespasianus [39-81]), de Sétimo Severo (Lucius Septimius Severus [146-211]) e o de Constantino, o Grande (Flavius Valerius Constantinus, [272-337]).
A audácia de Nero [37-68 d.C.], depois do incêndio no ano de 64 d.C., tinha consistido em aproximar essa fronteira da cidade, invadindo os bairros construídos até então. A sua Casa de Ouro (esse foi o nome dessa verdadeira vila urbana) continuava diretamente o palácio imperial do Palatino, começado por Calígula [12-41 d.C.], e punha-o em comunicação com os célebres jardins de Mecenas [70 a.C.- 8 d.C.], no Esquilino. No centro, ele mandou escavar um grande lago e rodeá-lo de um campo em miniatura: aldeias, florestas, pastagens, nada aí faltava. Um pórtico monumental ia do Forum até a entrada do palácio. Depois de sua morte, o parque da Casa de Ouro foi desmembrado. Assim que o lago foi seco, no seu local, se construiu o anfiteatro de Flávio conhecido desde a Antiguidade sob o nome de Colosseum, o Coliseu. Sobre as vertentes do Célio, a norte do anfiteatro, Tito edificou um grande estabelecimento de banhos, as termas que têm o seu nome. Os banhos deixam de ser um anexo da palestra ou ginásio, ou um simples estabelecimento de higiene, e transformam-se num local de prazer, simultaneamente “café”, círculo de reuniões e de jogo.

Era uma cidade de altos edifícios e ruelas, nas quais os pobres alugavam apartamentos abarrotados de gente e onde os senhorios engordavam. O barulho, à noite, era terrível; os colapsos, freqüentes, e os incêndios uma constante ameaça em razão das construções de madeira e da iluminação a óleo. A começar com Augusto [63 a.C. – 14 d.C.], os Imperadores tomaram sérias providências para limitar o seu desenfreado crescimento e melhorá-la. Novos aquedutos foram construídos e se multiplicaram as fontes públicas; havia então um policiamento rigoroso e bombeiros, armados de bombas manuais e abafadores úmidos tudo agora a expensas do Estado. Os imperadores assumiram a responsabilidade pelo abastecimento de milho da cidade; o proletariado urbano cresceu cada vez mais parasitariamente, alimentado pela fartura estatal de milho, depois de pão e vinho, até que, por volta do século III, um prefeito pretorano exclamasse amargamente: ‘Só lhe falta servir galinha’. Mas donativos e espetáculos nada mais eram que paliativos para o que Juvenal chamou graficamente de vida de competição da miséria.

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