Conseqüências da União Ibérica
No século XVI, a Holanda e outros territórios do norte da Europa eram domínios do rei espanhol. Em 1581, porém, depois de muitas lutas, conquistaram a independência, com a proclamação da República das Províncias Unidas. A capital dessa república era Amsterdã, na época um dos mais importantes centros comerciais da Europa. As relações comerciais entre Portugal e Holanda foram afetadas pelo conflito aberto entre o governo da Espanha e suas antigas possessões. Como represália à independência das Províncias Unidas, Felipe II proibiu os produtores e comerciantes das colônias pertencentes ao império espanhol de negociar com os holandeses, pretendendo, assim, impor-lhes um bloqueio econômico.

Tal proibição ficou conhecida como embargo espanhol e representou prejuízos aos holandeses que participavam do negócio do açúcar e do comércio de outros produtos coloniais brasileiros, como pau-brasil, algodão e couros. Na época, como vimos, eram os holandeses que controlavam a lucrativa operação de transporte, refino e distribuição comercial do açúcar brasileiro, por isso não pretendiam perder a fonte fornecedora desse produto:
os engenhos do nordeste da colônia. Assim, pilharam a costa africana dominada pelos portugueses (1595) e a cidade de Salvador (1604), no Brasil.
Em 1621, os holandeses fundaram a Companhia das índias Ocidentais. A ocupação do nordeste brasileiro foi planejada pelos dirigentes dessa Companhia, movidos pela perspectiva de lucros que o açúcar oferecia e pela necessidade de romper o embargo espanhol, reativando as rotas comerciais entre algumas possessões da costa atlântica da África e da América com a Europa. Apoderar-se do nordeste brasileiro significava, principalmente, a possibilidade de manter o controle sobre os lucrativos negócios do açúcar e dos escravos africanos.

O INTERESSE PELOS PRODUTOS
BRASILEIROS

No relatório do holandês Jean de Walbeeck aos Estados Gerais Holandeses, datado de 1633, ficam evidentes os interesses dos holandeses no Brasil.
O Brasil oferece grandes lucros aos portugueses.
Em relação ao nosso país, verificar- se-á que esses lucros e vantagens são maiores para nós. Os açúcares do Brasil, enviados diretamente a nosso país, custarão bem menos do que custam agora, pois que serão libertados dos impostos que sobre eles se cobram em Portugal, e desta forma destruiremos seu comércio de açúcar. Os artigos europeus, tais como tecidos, pano etc., poderão, pela mesma razão, ser fornecidos por nós ao Brasil muito mais barato; o mesmo se dá com a madeira e o fumo.

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