História da Sociedade Medieval

A Estruturação do Feudalismo e a Igreja Medieval

A SOCIEDADE FEUDAL

A sociedade feudal era estamental, isto é, não havia mobilidade social. Os grupos sociais mantinham- se rigidamente estanques. O acesso ou não à posse ou propriedade de terra dividia a sociedade feudal em dois estamentos: os senhores e os dependentes.

Os senhores feudais eram os possuidores ou proprietários de feudos. Formavam uma aristocracia dominante, sendo originários da nobreza e do clero. A nobreza se subdividia em duques, condes, barões e marqueses. Os senhores feudais eclesiásticos, vinculados à Igreja Romana, pertenciam à alta hierarquia do clero. Eram, geralmente, bispos, arcebispos e abades.

O estamento dos dependentes, incorporando a maioria da população medieval, compunha-se de servos e vilões. Os servos não tinham a propriedade ou posse da terra e estavam presos a ela. Eram trabalhadores semi-livres. Não podiam ser vendidos fora de suas terras, como se fazia com os escravos, mas não tinham liberdade para abandonar as terras onde nasceram.

Eram em número reduzido, havia um outro tipo de trabalhador medieval, o vilão. Este não estava preso à terra. Descendia de antigos pequenos proprietários romanos. Não podendo defender suas propriedades, entregava suas terras em troca da proteção de um grande senhor feudal. Recebia tratamento mais brando que os servos.

A ECONOMIA FEUDAL E A RELAÇÃO DE SERVIDÃO

Voltada principalmente paras as necessidades internas do feudo, a produção baseava-se num sistema no qual o servo possuía a obrigação de pagar os seus tributos na forma de trabalho e produtos. Havia o tributo em trabalho, chamado de corvéia, que consistia em tarefas a serem executadas no Manso Senhorial conforme a indicação do senhor. Este trabalho era executado de três a cinco dias na semana.

Os tributos pagos em produtos eram variados, sendo os dois principais a talha e as banalidades, que eram relacionados ao que era produzido no Manso Servil. Sendo obrigado, ainda, a pagar à Igreja o dízimo e o “Tostão de Pedro”, o servo ficava com menos de 10% da produção.

Resumo das principais obrigações servis:

• Corvéia:
Trabalho gratuito nas terras do senhor (manso senhorial) em alguns dias da semana.

• Talha: Porcentagem da produção do manso servil.

• Banalidade: Tributo devido pelo uso de instrumentos ou bens do senhor, como o moinho, o forno, o celeiro, as pontes.

• Captação: Imposto pago por cada membro da família servil.

• Tostão de Pedro: Imposto pago à igreja, utilizado para a manutenção da capela local.

• Mão-morta: Tributo devido na transferência das obrigações de um servo falecido a seus herdeiros.

• Formariage: Taxa cobrada quando o camponês se casava.

• Albergagem: Obrigação de alojamento e fornecimento de produtos ao senhor e sua comitiva quando viajavam.

A economia feudal era:

1.
Voltada para a auto-suficiência;
2. Baseada nos tributos pagos pelos servos;
3. De um comércio local e pouco dinâmico.

A POLÍTICA E A RELAÇÃO DE SUSERANIA E VASSALAGEM

Os vínculos e a hierarquia entre a nobreza feudal eram estabelecidos pelos laços de suserania e vassalagem. Um senhor feudal, possuidor de grandes porções de terra, doava uma parcela de suas propriedades a outro nobre. O doador passava a ser considerado suserano e o recebedor, vassalo.

Estabelecia-se entre ambos, relações de direitos e deveres. O vassalo passava a ter, entre outras obrigações, a de colocar seu exército à disposição do suserano, dar-lhe hospedagem quando necessário, contribuir para o dote e armação dos seus filhos.

O suserano, por seu lado, devia ao vassalo proteção militar, garantia da posse do feudo doado, tutela sobre os herdeiros e sobre a viúva do vassalo morto.

Os laços de suserania e vassalagem vinculavam toda a nobreza feudal. Por exemplo, um barão doava um feudo a um marquês. Este, ao receber o feudo, prestava-lhe homenagem. O barão tornava-se suserano do marquês e este, vassalo do barão.

O barão, entretanto, havia recebido feudos de um conde, prestando-lhe o juramento de vassalagem. Assim, o barão, suserano do marquês, era, ao mesmo tempo, vassalo do conde.

As guerras constantes que marcaram o processo de formação do feudalismo foram responsáveis pelo surgimento da cavalaria medieval, cujo ideal de honra, lealdade e heroísmo criou o mito do herói protetor, simbolizado pela figura do cavaleiro.

Nos seus primórdios, o cavaleiro era servidor de alguém em troca de fatores. Por volta do século XII, ser cavaleiro indicava status e uma condição social superior, pois, para ser cavaleiro era preciso ter posses para adquirir cavalo, armadura, espada e lança.

A IGREJA

Nos fins do século IV, o imperador Teodósio tornou o cristianismo religião oficial do Império. A oficialização do cristianismo realizou-se ao mesmo tempo em que crescia o poder do clero dentro da Igreja. O clero, constituído por elementos que se dedicavam totalmente à religião, era cada vez mais importante porque dominava as formas de culto e a doutrina, que pouco a pouco se tornavam mais complexas dentro da comunidade cristã.

Com a derrocada do Império do Ocidente, o prestígio do clero aumentou ainda mais, pois era o único grupo organizado e possuidor de cultura em face da situação caótica que sucedeu às invasões, ocupando, por isso, funções políticas e administrativas.

O poder da Igreja era embasado também na imensa quantidade de terras que possuía, esta era chamada de a suserana dos suseranos, o Papa tinha sob o seu comando a maioria dos nobres do Ocidente. O universalismo era a prática política da Igreja, na qual, valendo-se de seu poder ideológico e econômico, o Papa interferia na vida dos reinos.

A CULTURA MEDIEVAL EUROPÉIA

A cultura medieval foi marcada pela teologia e subordinada à igreja cristã. Estas características centrais, contudo, não significam um retrocesso, uma “idade das trevas”, como afirmam muitos historiadores. Apenas que, na Idade Média, o teocentrismo adequou- se perfeitamente ao feudalismo, pois implicava uma visão estática e hierárquica do mundo, o que estava de acordo com a sociedade estamental.

Durante a alta Idade Média, as únicas instituições educacionais existentes estavam sob o controle da Igreja, a saber: Escolas Episcopais, mantidas pelos bispos para formação do clero e os mosteiros, onde os monges dedicavam-se a copiar manuscritos antigos.

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