Simón Bolívar, defensor da independência das colônias hispano-americanas e da unidade da América, via o Brasil com desconfiada agressividade. Quais seriam as causas dessa desconfiança? É o que nos mostra o texto a seguir.

Expressão máxima do ideal de unidade da América, Simón Bolívar excluiu por muito tempo o Brasil de suas cogitações. Quando, em 1815, escreveu o histórico documento conhecido como Carta da Jamaica, referiu-se apenas às colônias espanholas da América; sobre o Brasil, nem uma linha.

Por que a omissão de um país de proporções continentais, já então maduro para a independência? Não se tratava mais de uma colônia qualquer. A presença do príncipe regente D. João no Rio de Janeiro, com a corte, acirrando intrigas e os apetites das potências européias, dera-lhe realce internacional; logo seria parte do pomposamente denominado Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve.

Bom conhecedor da política internacional, Bolívar sabia que o interesse dos ingleses pelas colônias americanas incluis, com destaque, o Brasil; e um país tido como importante pela Grã-Bretanha não podia deixar de ser levado em conta.

Àquela altura, entretanto, o general venezuelano de 32 anos não tinha praticamente nenhuma informação sobre esse país, limítrofe do seu, mas dele separado pela floresta Amazônica. Seria, pois, arriscado envolvê-lo no que chamou de as suas “conjeturas” (várias delas verdadeiramente proféticas) sobre o futuro do Novo Mundo. O Brasil ficou de fora.

Formado sob a influência dos ideais da Revolução Francesa, Bolívar era um defensor ardoroso dos princípios republicanos. Via com desagrado a monarquia brasileira implantada em solo americano, a estimular com sua presença o colaboracionismo dos godos (partidários criollos da monarquia espanhola) e as tendências monárquicas que repontavam aqui e ali entre os próprios militares e chefes da luta pela independência (caso do general San Martin).

Outro motivo de repulsa ao império brasileiro era o regime de escravidão que servia de base à sua economia e à sua estrutura social e política. Desde o exílio no Haiti, Bolívar tomou-se um apóstolo, em teoria e na prática, da causa abolicionista.

Monumento a Simón Bolívar na cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

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