Silva Alvarenga (Biografia)

Silva Alvarenga
Silva Alvarenga .Poeta, escritor e professor universitário brasileiro. Precursor do Romantismo nas letras brasileiras do final do século XVIII e início da centúria seguinte, participou de forma ativa na política de seu tempo – na qual assumiu o papel de afrancesado-e deixou um valioso legado poético no qual soube unir, com singular maestria, os tópicos da retórica clássica com o colorido local e o sentimentalismo do povo brasileiro.

Sumário
1 síntese biográfica
1.1 trajectória
1.2 morte
2 Obras
3 Fonte

Nascimento 1749
Minas Gerais, Bandeira do Brasil Brasil
Morte 1814
Rio de Janeiro, Bandeira do Brasil Brasil
Nacionalidade brasileira
Outros nomes Manuel Inácio da Alvarenga
Cidadania brasileira
Ocupação poeta e escritor

Síntese biográfica
Nasceu, em Ouro Preto, Vila Rica, no Estado de Minas Gerais em 1749. Veio ao mundo no seio de uma família humilde, formada pelo músico Inácio da Silva Alvarenga e uma mulher de raça negra. Sua condição de mestiço lhe restou muitas oportunidades no mundo que lhe coube viver; no entanto, recebeu uma esplêndida educação por parte de seus progenitores, que o enviaram ao Rio de Janeiro em 1767, para que realizasse ali os estudos preparatórios necessários para se matricular em uma Universidade Européia.

Trajectória
Em 1771 cruzou o Atlântico e deu início à sua formação superior na prestigiosa Universidade de Coimbra (Portugal), onde cursou a carreira de leis. No decorrer deste período de formação, o jovem Manuel Inácio da Silva teve ocasião de fazer amizade com José Basílio da Gama, chamado a tornar-se uma das grandes figuras da poesia brasileira dezochesca. E também conheceu lá Inácio José de Alvarenga Peixoto, outro notável escritor de sua terra.

Plenamente integrado na vida social, política e cultural do Portugal de finais do século XVIII, deu-se a conhecer como poeta durante esta etapa estudantil, na qual apoiou com entusiasmo – como deixou bem patente no seu poema “o desertor” (“o desertor”, 1774) – as reformas empreendidas pelo Marquês de Pombal. Nesta longa composição de carácter heróico-burlesco, o jovem poeta de Vila Rica celebra as medidas ilustradas que tomara dito prócer, sobretudo as relativas ao âmbito da educação pública, do qual afastou os jesuítas e o seu caduco método escolástico, para implantar novas linhas pedagógicas e ideológicas procedentes da França. Pombal também combateu com força a nobreza que se tentava agarrar, anacronicamente, aos seus antigos privilégios feudais, o que aumentou ainda mais as simpatias de Alvarenga e do resto dos intelectuais afrancesados que havia então em Portugal.

Sua fama de poeta aumentou com sua entrada na Arcadia Ultramarina, uma associação de escritores que professavam alta estima à literatura pastoril. Manuel Inácio da Silva Alvarenga escolheu, neste círculo, o apelido literário de Alcino Palmireno, apelativo de amplas ressonâncias bucólicas com o qual assinou as composições escritas por aquele tempo. Tratava-se de poemas de inspiração arcádica, enquadrados nessa corrente anacreontica que percorreu as principais literaturas européias durante o século XVIII. Claramente influenciadas pela lírica de Horácio, são peças de escassa originalidade, embora revelem a grande capacidade de Alvarenga para assimilar os principais traços da tradição, como fica patente em sua “Heroida Theseo a Ariadna” – uma epístola em verso dedicada ao seu amigo Basílio da Gama-e em seu “o templo de Nepturno” – escrito em louvor da Rainha Dona Maria I.

Em 1777 voltou ao Brasil, como companheiro de viagem do irmão do poeta Basílio da Gama, e se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde começou a exercer sua profissão de advogado. E, simultaneamente, continuou cultivando a criação poética, atividade da qual ofereceu um novo fruto em 1779, com a publicação de “A gruta americana”. Progressivamente, foi adquirindo um notável predicamento de grande escritor e erudito humanista, pelo que o vice-rei don Luís de Vasconcelos e Sousa lhe ofereceu um cargo de Professor de poética e retórica em 1782. Quatro anos depois, sob os auspícios deste ilustre governante, Alvarenga fundou no Rio de Janeiro a Sociedade Literária, um agrupamento de escritores que logo se tornou o principal foco artístico e intelectual da cidade.

Em 1778, numa reunião dessa sociedade literária, O escritor de Vila Rica leu em público outra de suas famosas composições de corte neoclássico, o poema “As artes”, escrito para festejar o aniversário da Rainha. Mas, no seio deste Agrupamento de intelectuais conspícuos, acendia também o furor enciclopédico e ilustrado que muitos deles-como o próprio Alvarenga – tinham conhecido na Europa; e assim, enquanto a Sociedade Literária oferecia em público atos sociais e culturais tão inócuos como dito recital poético, uma parte seleta de seus membros, com Alvarenga à cabeça, realizava sessões clandestinas nas quais se lia e comentava a Rousseau, a Mably, a Raynal e a outros muitos ideólogos da Revolução Francesa, cujas obras estavam rigorosamente proibidas no Brasil.

Denunciado por essas atividades secretas, Manuel Inácio da Silva Alvarenga foi preso em 1794, sob a acusação de promover um ideário revolucionário que ameaçava quebrar a monarquia vigente e a ordem social estabelecida (como acabara de acontecer na França). A sociedade literária foi encerrada, e muitos de seus membros correram o mesmo destino que Alvarenga; finalmente, depois de sofrer graves humilhações e ter sido submetido a duros interrogatórios, o poeta foi lançado em 1797, por ordem expressa da Rainha Dona Maria I, que não encontrava naqueles intelectuais indícios sérios de conspiração alguma contra a coroa. Apesar disso, o poeta e seus correligionários passaram três anos em presídio.

O retorno à vida pública de um animado e movimentado Rio de Janeiro encorajou de novo O espírito criativo de Manuel Inácio da Silva Alvarenga, que, após dois anos de sua libertação, publicou a que deveria ser considerada unanimemente como sua obra-prima. Trata-se da coleção de versos intitulada Glaura: poema eróticos (1799), um belo poemário composto por rondóes e madrigais, formas estróficas que revelam a perfeita assimilação, por parte de Alvarenga, da expressão popular do sentimento amoroso, ao mesmo tempo que evidenciam sua rara habilidade para dotar este genuíno sabor local de uns tópicos genéricos e temáticos herdados da melhor tradição clássica.

Por outro lado, as formas métricas empregadas por Alvarenga também revelam sua vontade de sublinhar, dentro dessa inclinação para a efusão romântica do sentimentalismo popular, seu escrupuloso conhecimento da melhor tradição. Assim, o poeta de Vila Rica recorre ao madrigal como uma das estrofes prediletas da lírica amorosa europeia; e, por outro lado, procura no rondou esse gosto pelo classicismo que também haviam posto em voga os neoclássicos do Velho Continente. Em concreto, Alvarenga se inspira na obra do poeta italiano Metastasio na hora de escolher o cultivo do rondó, um pequeno poema composto por versos de arte menor (de seis a sete sílabas) que, agrupados em dois quartetos aos que separa um refrão, permitem transmitir com suma fluidez as emoções agudas e repentinas.

Traçando um paralelo com a música e as artes plásticas da época, este poemário de Alvarenga pode ser classificado como rococó, na medida em que intensifica ao extremo os traços formais do Neoclassicismo, antecipando assim um gosto pelo exagero que será uma das principais marcas de identidade do movimento romântico. Também cabe anotar, em sua faceta de escritor pré-romântico e, em geral, de intelectual precursor do Romantismo no Brasil, a ideologia política de que fez gala O escritor de Vila Rica (acérrimo defensor das liberdades e, avant la lettre, da emancipação de seu povo), bem como o apaixonado sentimento amoroso de seus madrigais e rondóes.

O sucesso de Glaura propiciou sua precoce reedição ao fim de dois anos (1801), quando Alvarenga voltava a ser novamente uma das figuras mais admiradas e respeitadas da intelectualidade carioca. Solteiro ao longo de toda a sua vida, ele se consagrou novamente às suas afãs literárias e culturais, publicando seus novos versos e artigos literários na imprensa local. E assim, em 1813, em colaboração com José Pereira da Fonseca-antigo correligionário seu na Sociedade Literária – fundou a revista O Patriota, que pode ser considerada a primeira publicação periódica de caráter cultural que houve no Brasil.

Morte
Falecido no Rio de Janeiro em 1 de novembro de 1814.

Obras
À Lua
Madrigais
Ou Beija-Flor

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