O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) é um dos movimentos sociais que congregam, no Brasil contemporâneo, a ação organizada na luta pela terra. Nesse movimento, os acampamentos têm se constituído em uma nova forma de luta pela terra no país, embora eles já estivessem presentes desde a década de 1960. Esse movimento foi fundado em 1984 em Cascavel, Paraná, durante o Primeiro Encontro Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. Atualmente, possui comissões em quase todos os estados e atua na maioria dos acampamentos/ocupações de terras existentes no país.

Sua história está assentada na luta travada pelos trabalhadores rurais sem-terra, sobretudo do sul do Brasil, onde desde a década de 60 surgiram movimentos como o MASTER – Movimento dos Agricultores Sem-Terra, originário do Rio Grande do Sul.

É um movimento com forte apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e outros setores progressistas da Igreja, sem, entretanto, manter qualquer vínculo formal ou real com estas instituições. Também estão ligados fortemente à Central Única dos Trabalhadores (CUT), onde mantêm uma secretaria nacional.

A ampliação da luta pela terra levada a cabo pelo MST tem provocado reações tanto dos latifundiários como da justiça e do governo. É por isso que alguns episódios de violência provocados pelos latifundiários e pelos governos têm marcado a história das ocupações de terra realizadas pelo Movimento, como foram os casos da fazenda Anoni, no Rio Grande do Sul, da fazenda Jangada, em Getulina e Pontal do Paranapanema, no oeste paulista.

Os latifundiários, de modo geral, já estavam organizados politicamente por meio do movimento reacionário União Democrática Ruralista (UDR). Com o avanço do Movimento dos Sem-Terra, alguns governos estaduais e federal utilizaram a justiça e a força policial, apoiados pelos latifundiários, para submeter judicialmente os coordenadores mais ativos do MST, decretando suas prisões, a exemplo de José Rainha Júnior (1960- ), Deolinda Alves de Souza, Mário Barreto e João Pedro Stédile (1953- ), entre outros. Estas prisões ou pedidos das mesmas ocorreram porque os latifundiários entendiam que as ocupações empreendidas pelos integrantes do MST feriam seus direitos de proprietários.

Os sem-terra, com suas bandeiras vermelhas, cartazes de Ernesto Rafael Guevara de la Serna, o Che Guevara (1928-1967), e cantos de origem socialista, conseguiram muitas vitórias, pois atualmente são muitas as famílias que foram assentadas e cooperativas de produtores espalhados pelo Brasil, mostrando a capacidade de organização e de luta dos camponeses contra as grandes empresas estrangeiras e latifundiários.

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