Revolução Gloriosa: a derrota do absolutismo

Temendo a volta do absolutismo, a maioria do parlamento decidiu tirar do poder o rei Jaime II. Para isso, estabeleceu um acordo com o príncipe holandês Guilherme de Orange (casado com Maria Stuart, filha de Jaime II), que assumiría o trono inglês com a condição de que respeitasse os poderes do parlamento.
A luta entre as forças de Guilherme de Orange e as tropas de Jaime II ficou conhecida como Revolução Gloriosa (1688-1689), que culminou com a derrota do monarca inglês.
Com o título de Guilherme III, Orange assumiu o trono britânico. Teve, entretanto, de assinar a Declaração de Direitos (Bill ofRights), na qual o parlamento limitava seus poderes em vários aspectos. O rei não poderia, por exemplo, suspender lei alguma nem aumentar impostos sem a aprovação do parlamento. Estabelecia-se, assim, a superioridade da lei sobre a vontade do rei: era o fim do absolutismo.
Após a Revolução Gloriosa, instalou-se a monarquia parlamentar na Inglaterra. Para sintetizar a situação da monarquia no país, tornou-se costume, na época, dizer que “o rei reina mas não governa”.

Consequências da revolução

Em conseqüência das transformações políticas promovidas pelo parlamentarismo, os ingleses passaram a desfrutar de mais liberdade religiosa que outros europeus. Embora o angli- canismo predominasse, havia maior tolerância em relação a outras religiões: aos católicos e protestantes era permitido celebrar seus cultos. Já na maioria dos reinos e principados europeus, o governo só permitia a prática de uma religião, de acordo com o princípio expresso por Bossuet: “um rei, uma fé, uma lei”.
A tolerância religiosa inglesa foi acompanhada por uma maior liberdade de expressão política e filosófica, também proporcionada pela monarquia parlamentar. Essa liberdade de expressão fez com que o regime inglês fosse admirado, no século XVIII, por intelectuais liberais de várias regiões da Europa, a exemplo do filósofo francês Voltaire.
Entre as principais conseqüências da Revolução Inglesa, destacam-se:
• Fim do absolutismo na Inglaterra – o
poder do rei passou a ser limitado pelo parlamento. A monarquia adquiriu um caráter constitucional, tendo em vista a garantia das liberdades individuais. Desenvolveu-se, assim, o Estado liberal, no qual havia três poderes distintos: Legislativo, Executivo e Judiciário.
• Avanço capitalista – a Inglaterra rompeu definitivamente com o sistema feudal, abrindo espaço para o avanço do capitalismo. Promoveu medidas como a transformação da estrutura agrária, a modificação das relações trabalhistas no campo, o aperfeiçoamento das técnicas de produção. Estabeleceu-se um acordo político e econômico entre a burguesia das cidades e a nobreza rural: unidas, essas duas classes promoveram o desenvolvimento econômico inglês, e o país tornou-se a maior potência comercial da época. Lançavam-se, assim, as bases para o desenvolvimento do capitalismo industrial.

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