História Regiões Coloniais do Brasil

Atualmente, o Brasil é um dos maiores países do mundo. Você tem ideia de como se formou esse território? A resposta para isso está no estudo do nosso passado colonial. Nesta história vamos voltar a esse passado para descobrir como tudo aconteceu. Você verá como, ao longo dos séculos, os portugueses foram ocupando o território brasileiro e formando o que se chama de regiões coloniais. Mas será que, naquele tempo, nesse vasto território em formação, alguém se sentia brasileiro?

Deixando de arranhar o litoral como Caranguejos

No tempo da descoberta do Brasil, brasileiros eram os comerciantes de pau-brasil, madeira que servia para fazer tinturas e que hoje está em extinção. E, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, o território que cabia a Portugal ficava restrito a uma pequena parte do leste do atual Brasil.

Você já viu que os portugueses começaram a ocupar o território brasileiro a partir do litoral, na época em que deram início ao plantio de cana-de-açúcar e à construção de engenhos, usando trabalho escravo.

OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO

SÉCULO XVI 1501-1600:

COLONIZAÇÃO NO LITORAL
EXPLORAÇÃO DO PAU-BRASIL
CULTIVO DA CANA-DE-AÇÚCAR

SÉCULO XVII 1601-1700:

PECUÁRIA ESTENDE-SE PARA O INTERIOR E PARA O SUL
BANDEIRAS DE APRESAMENTO DE INDÍGENAS
BANDEIRAS DE MINERAÇÃO – DESCOBERTA DE OURO EM MINAS GERAIS E GOIÁS

SÉCULO XVIII 1701-1800:

OCUPAÇÃO DA REGIÃO DAS MINAS
DECADÊNCIA DA ATIVIDADE AÇUCAREIRA
CICLO DO OURO
AUMENTO DO TERRITÓRIO
FUNDAÇÃO DE CIDADES NO INTERIOR

Conforme o povoamento da Colônia aumentava, desenvolviam-se outras atividades, e o resultado disso foi a ocupação de novas regiões. Podemos destacar a criação de gado entre essas novas atividades. Os animais eram utilizados para movimentar as moendas e para transportar cargas, o que transformou a pecuária numa atividade complementar à da produção de açúcar.

Pecuária

Com o sucesso da lavoura do açúcar, que motivou a ocupação das terras do litoral, o gado foi sendo levado para o interior, para o sertão do atual Nordeste, partindo de Pernambuco, Bahia, Ceará e, seguindo o curso dos rios, até o Maranhão e o Piauí.

Várias fazendas de tamanho médio, dirigidas e administradas pelos vaqueiros, foram surgindo à beira dos rios, dando origem à região pastoril. Nesse momento inicial, a pecuária empregava o trabalho livre de índios e mestiços. No século XVIII, também a pecuária passou a dar preferência ao trabalho escravo. Famílias escravas cuidavam do gado que era recolhido aos currais, especialmente nas grandes fazendas de criação de propriedade das ordens religiosas.

Ainda no século XVIII, a pecuária também foi se desenvolvendo mais em direção ao sul do país, voltada principalmente para o setor de transporte. Os fazendeiros dessa região criavam tropas de mulas para o transporte do ouro que havia sido descoberto em Minas Gerais.

Entrando pelo Interior

Longe do gado e das fazendas, nos sertões mais escondidos, estavam os povos indígenas. Lá também se instalaram as ordens religiosas pioneiras na cristianização dos nativos.

Já sabemos que essas ordens, especialmente a Companhia de Jesus, – cujos padres eram chamados de jesuítas -, tinham como objetivo expandir a fé cristã. Para isso, nas Américas, criaram as missões, espécie de aldeias organizadas por eles, onde os índios trabalhavam e aprendiam a religião e os costumes cristãos.

Na realidade, os jesuítas desenvolveram um tipo especial de colonização, e muitas vezes entraram em conflito com os governantes portugueses, franceses ou espanhóis. Não por acaso foram expulsos do Brasil no século XVIII, quando Portugal se esforçava para aumentar seu controle sobre as terras do Brasil.

Drogas do Sertão

Na região do vale do rio Amazonas, com mata densa e de difícil penetração, as missões formavam a linha de frente da ocupação portuguesa. Ali, os índios aldeados realizavam o trabalho de coleta de produtos florestais, e os jesuítas exportavam para a Europa as chamadas drogas do sertão: canela, cravo, cacau, castanha, entre outras. Essa era uma atividade muito lucrativa, que a Coroa portuguesa tentou continuar, depois da expulsão da Companhia de Jesus do Brasil. Nessas missões, os indígenas caçavam, pescavam e plantavam, além de fabricarem todos os objetos necessários para seu dia-a-dia.

São Vicente

Mas o vale amazônico não era a única região colonial onde, até o século XVIII, havia pouca presença portuguesa e o controle da Metrópole era reduzido. Este também era o caso de São Vicente (no atual estado de São Paulo), embora fosse a mais antiga povoação portuguesa em terras do Brasil.

Mais afastada da Europa do que Pernambuco e Bahia, a região de São Vicente não se desenvolveu como a da grande lavoura. Vivendo em situação de pobreza, os habitantes de São Vicente começaram a se deslocar para o interior, fugindo das invasões do litoral por estrangeiros, tão comuns no século XVI. No interior, os vicentinos dedicaram-se à captura de índios, os quais eram utilizados em suas fazendas e vendidos como escravos para a capitania do Rio de Janeiro, onde a lavoura de cana-de-açúcar, no século XVII, estava se iniciando. Nos sertões do sul do país eles enfrentaram os jesuítas, cujas missões atacavam com freqüência para capturar os nativos. Ali, os índios já estavam habituados ao trabalho regular e aos costumes dos europeus.

Muitas vezes, os vicentinos também eram contratados para recuperar escravos fugidos e destruir seus acampamentos. E foi com a busca do ouro, no interior, que São Vicente voltou a despertar a atenção da Metrópole.

Em Busca do Ouro

No século XVII, houve modificações importantes nas relações entre a Colônia e a Metrópole. A partir desse momento, mais do que nunca interessados na descoberta de metais preciosos, os reis portugueses vão utilizar-se dos serviços dos bandeirantes, como ficaram conhecidos os vicentinos.

A região dos vicentinos, apesar de ter iniciado com sucesso o processo de colonização, tornou-se, por volta do século XVI, uma região pobre e de popula- ção reduzida. No início do século XVII, os vicentinos vão se dedicar à caça ao índio e à busca de metais preciosos (ciclo do ouro de lavagem), penetrando o interior do território.

O estímulo à busca do ouro não ocorreu por acaso. Vários fatores concorreram para isso: a crise econômica portuguesa, a queda do preço do açúcar por causa da concorrência da produção das Antilhas holandesas, o esgotamento das minas da América espanhola, o que gerou profunda crise monetária na Europa.

O reconhecimento da região, feito em 1668 por Lourenço Castanho, por ordem do rei de Portugual, prosseguiu com o envio da bandeira de Fernão Dias Pais. Só no final do século XVII é que se descobriram importantes jazidas. O ouro foi encontrado simultaneamente em vários locais das áreas hoje ocupadas por Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

As bandeiras eram verdadeiras expedições armadas que penetravam o interior do território colonial. Quando financiadas pela Coroa portuguesa, recebiam o nome de entradas. No final do século XVII, os bandeirantes descobriram ouro no atual estado de Minas Gerais. Como resultado disso, várias vilas foram fundadas por gente que vinha de outros pontos da Colônia, e até da Metrópole, e se estabelecia na região central.

No século XVIII, as minas de ouro, prata e diamantes deram a Portugal um novo período de prosperidade. Em 1763, o centro administrativo da colônia – que era em Salvador – foi transferido para a cidade do Rio de Janeiro, porto mais próximo da região mineradora. E ficou claro o predomínio dessa região sobre o Nordeste açucareiro, que passava por grave crise em sua produção, sem contudo desativá-la.

A região mineradora foi responsável pelo grande crescimento populacional da Colônia, fazendo, inclusive, com que o número de pessoas livres superasse, pela primeira vez, o de escravos. Mesmo assim, a mão-de-obra escrava predominava na região. A vida urbana tornou-se mais intensa, mas aumentou o controle da Metró- pole. Nunca o Pacto Colonial foi tão utilizado pela Metrópole e tão detestado pela Colônia. Os impostos eram altos e as exigências metropolitanas cresceram.

A política colonial de Portugal sempre obedeceu aos objetivos mercantilistas que vigoravam na Época Moderna. Seu território colonial estava fragmentado em diversas regiões econômicas, de difícil comunicação entre si e, muitas vezes, de difícil comunicação com a Metrópole. O controle que Portugal exercia sobre cada região era maior ou menor, de acordo com o interesse dessa região para o sistema colonial. Por isso, as regiões mais controladas eram aquelas ligadas à exportação de gêneros que atendiam às necessidades do comércio europeu e proporcionavam maiores lucros à Metrópole. As demais, aquelas que se ligavam mais diretamente ao consumo do mercado interno, não eram tão controladas e, ao mesmo tempo, apresentavam população menor.

O Tempo não Pára

Se hoje vemos um Brasil tão cheio de diferenças, naquele tempo as palavras Brasil e brasileiro tinham outros significados. Sabemos, agora, que a própria área que hoje conhecemos como Brasil não corresponde ao primeiro território de que Portugal tomou posse.

O movimento de ocupação acabou desrespeitando a marca inicial do Tratado de Tordesilhas. Por causa disso, foram feitos vários outros tratados entre Portugal e Espanha, no final do século XVII e ao longo do século XVIII. A modificação das fronteiras foi constante e até batalhas foram travadas por causa delas. Porém, nenhuma das regiões da Colônia se sentia brasileira. A única noção de pátria que reunia as regiões coloniais era a de pátria portuguesa. Este território americano, também conhecido como Brasil, fazia parte do grande Império Colonial Português dessa época.

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