História dos Povos Americanos

Povos Americanos, veja toda a trajetoria do homem no continete da america, como a humanidade chegou nesse pedaço de terra, tão distante do inicio da raça humana.

Quando Colombo chegou à América em 12 de outubro de 1492 dava início a um processo de conquista de territórios e povos. Esses povos se estendiam desde a América do Norte até a do Sul, passando pelo que se denomina de Mesoamérica, que inclui o México e a América Central. Havia entre eles nômades e sedentários, destacando-se os esquimós e os charruas, os pueblos, caribes/aruaques e tupis-guaranis. Mas o que mais impressionará os espanhóis serão os Maias, os Incas e os Astecas, criadores de importantes civilizações.

Origem: Até hoje discute-se quais seriam as origens do homem americano. Há a hipótese – praticamente descartada – de que seriam autóctones, ou seja, originários da própria América. A hipótese mais aceita é de aloctonismo, ou seja, vieram de outros lugares. Nesse caso há os que acreditam que teriam vindo pelo Estreito de Behring e outros que teriam vindo pelas ilhas, seriam de qualquer modo de origem asiática. Os cálculos para a sua chegada à América também variam entre 40 000 a.C. e 10 000 a.C., sendo mais provável 15 000 a.C.

As Origens das Grandes Civilizações: Na Mesoamérica assistimos à formação de duas civilizações: os Maias e os Astecas. Na região Andina, os Incas. No entanto, é preciso observar que houve um longo processo de formação e de decadência de várias outras civilizações que precederam essas três. Elas foram as encontradas pelos espanhóis, sendo, assim, as últimas e não as primeiras civilizações da América pré-colombiana.

Há sinais de civilizações desde 2300 a.C., como os Olmecas, do México à Costa Rica, cujo auge esteve entre o século XIII a.C. e o ano 100 a.C, num período que é chamado de Formativo. O período Clássico vai do século I ao século IX, tendo como principal marco a cidade de Teotihuacán entre 300 e 600 d.C.

Os Maias ocupavam a Península do Iucatã, a Guatemala e Honduras sofrendo uma forte queda de população em torno do ano 900 quando se fundem com os Toltecas, iniciando o período Pós-Clássico que se estenderá do século IX ao XVI (momento da conquista espanhola). Um Novo “Império” Maia, com destaque para Chichén Itzá terá importância até 1200. Os Astecas ou Mexica conquistam militarmente a região do México (atual), fundando Tenochtitlán, numa ilha do lago Texcoco, no início do século XIV.

Nos Andes, observa-se a ocupação do litoral peruano por volta de 3000 a.C. Na costa do Equador tem início a Cultura Chorrera por volta de 1500 a C. e o 1º Milênio a.C. assiste ao surgimento da 1ª civilização andina, a Cultura Chavín, que existirá até aproximadamente 500 a.C.. Já entre 600 e 1300, florescerá o “Império” Tiahuanaco, no Lago Titicaca. Na bacia do Rio Ayacucho, desenvolve-se a Civilização Huari entre 800 e 1200, e nos vales férteis da costa Norte do Peru, o “Império” Chimu sobreviveu até 1466.

Dos Incas se têm os primeiros sinais no Vale de Cuzco, por volta de 1200, e em 1438 se tem documentação sobre o início do Reinado de Pachacútec e da formação do Tahuantinsuyo, ou Terra das 4 Partes, tendo Cuzco (umbigo) como capital.

Maias, Astecas e Incas

A compreensão das grandes civilizações précolombianas passa pela caracterização de seu modo de produção. A mais aceita é que o chamado Modo de Produção “Asiático” seria a base dessas civilizações.

Por Modo de Produção “Asiático” entende-se um sistema caracterizado pela “existência combinada de comunidades aldeãs, onde predominam formas de propriedade comum do solo, organizadas sobre a base das relações de parentesco, e de uma ‘unidade superior’ – o Estado – que controlava os recursos econômicos e se apropriava diretamente de uma parte do excedente do trabalho e da produção dessas comunidades. ‘A propriedade privada do solo não existe, e o indivíduo, enquanto membro de uma comunidade tem direitos de uso e de ocupação’”.

A Civilização Maia apresenta uma cultura bastante complexa e sofisticada, sendo comparada à dos gregos. Em especial, sua estrutura política era marcada pela existência de diversas cidades independentes, que eram o núcleo de diversas aldeias. A economia era de base agrária, destacando-se a produção do milho, sendo a terra cultivada coletivamente, complementando-se com atividades de caça e pesca. Não praticavam a pecuária.

A sociedade Maia era dominada por uma elite de militares e sacerdotes, para os quais trabalhavam os camponeses em regime de servidão coletiva. Nas cidades, além das funções de administração e de culto, havia atividades comerciais. Os Maias tinham um sistema de escrita, conhecimentos de Matemática (inclusive com um símbolo para o zero) e de Astronomia (incluindo eclipses solares e o movimento dos planetas). Usavam também um complexo calendário cíclico, que estabelecia ciclos de 52 anos.

Os Mexica vindos da legendária Aztlán, daí o nome Asteca, chegaram ao Vale do México como um povo bárbaro e primitivo, conquistando militarmente a região e estabelecendo em menos de 3 séculos um grande Império. Sua capital passou a ser Tenochtitlán, numa ilha do lago Texcoco, fundada no início do séc. XIV, chegou a ter 200 mil habitantes por ocasião da conquista espanhola.

O Império Asteca se estendia do México à Guatemala e do Atlântico ao Pacífico, reunindo inúmeras tribos vizinhas subjugadas pela violência e obrigadas a pagar tributos, além de sofrerem constantes violências com as chamadas “guerras floridas” usadas pelos astecas para encontrar gente para sacrifícios humanos dedicados a aplacar a ira dos seus deuses.

A agricultura era a base da economia, sendo que em Tenochtitlán era praticada em espaços criados artificialmente, as chinampas ou “jardins flutuantes”. A base da sociedade era formada por comunidades de aldeia – calpulli – que eram auto- suficientes. Todavia essa produção comunitária já se complementava com formas de trabalho que esboçavam a formação de uma exploração de classes. Prevalece contudo, a servidão coletiva, em trabalhos gratuitos em favor do Estado.

A produção artesanal dividia-se entre a que era executada nas aldeias para consumo familiar e aquela especializada, desenvolvida nas cidades. A troca era geralmente feita por permuta simples, não existe o dinheiro, usando-se a semente de cacau para corrigir eventuais desigualdades de troca, fazendo assim o papel de moeda.

A sociedade tem uma hierarquia rigorosa: há o governante semi-divino; militares, sacerdotes e altos funcionários constituem uma aristocracia. Há ainda os artesãos, os comerciantes e os camponeses e por fim escravos levados a essa condição por razões diversas.

O sistema político era uma monarquia, em que o governante máximo era o Chefe dos Guerreiros (Tlacatecuhtli), com poder militar e de política externa. Os povos dominados pelos astecas mantinham certa independência tendo, no entanto, que pagar pesados tributos, estando sempre prontos a revoltar-se. Isso ajuda a entender a relativa facilidade que teve Cortez para conquistar o México.

Os astecas foram grandes arquitetos e escultores, possuíam um sistema de escrita e um sistema numérico vigesimal, contando ainda com um calendário solar de 18 meses de 20 dias complementados com mais 5 dias. Um período de 52 anos completava um ciclo.

Os Incas, filhos do Sol, tiveram Manco Capac como seu ancestral mitológico, todavia é a partir de 1438 que se tem registros históricos, com o início do reinado de Pachacútec. É sob seu governo que se constituiu efetivamente o Império Inca, aumentado ainda no governo de seu filho Tupac Yupanqui.

O território do Tahuantinsuyu estendia-se do atual Equador ao Norte da Argentina, dividido em quatro partes (suyus), e a base de sua organização sócio-econômica eram os ayllus – comunidades autosuficientes, com terra e trabalhos coletivos, chefiados por um curaca. Essa terra era dividida entre o Imperador, os sacerdotes e a comunidade. Os camponeses cultivavam de graça as terras do Imperador e dos sacerdotes. As obras públicas eram executadas pelos camponeses, também de forma obrigatória e gratuita, num sistema chamado “mita”.

A sociedade era encabeçada pelo Inca (soberano), seguido de seus parentes que formavam uma alta aristocracia, os quais foram denominados de “orelhões” pelos espanhóis. Havia uma burocracia administrativa e os sacerdotes. Abaixo deles havia os artesãos, os militares, os contabilistas, os camponeses e os escravos (yanaconas).

A Administração do Império era bastante organizada, desempenhando importante papel os quipucamayoc (contabilistas), com grande controle sobre os registros de população, de impostos e de recursos. Todo o Império era ligado por um sistema de correios, os chasqui.

Não tinham um sistema de escrita, mas os quipu eram um eficiente meio de registro numérico. Grandes arquitetos e construtores ergueram cidades, templos, palácios, construíram estradas.

O Sol (Inti) era seu principal deus, ancestral da dinastia real. A Lua, o Trovão, a Terra, o Mar, as Estrelas, eram outras divindades cultuadas pelo povo. Os aristocratas cultuavam sobretudo a Viracocha, criador do Universo.
ESPANHA E A RECONQUISTA

A compreensão da História da América, particularmente de sua parte latina, passa pelo conhecimento da formação das duas monarquias ibéricas: Portugal e Espanha. Esta nos interessa especialmente.

Desde o início do século VIII, a Península Ibérica foi ocupada pelos árabes, de religião muçulmana. O que restou do antigo Reino Visigótico, cristão, acantonou-se no Norte da Península, dividido em quatro pequenos reinos.

Quando, no final do século XI, o Papa deu início às Cruzadas, destinadas teoricamente a libertar Jerusalém das mãos dos turcos seljúcidas, muçulmanos, quase ao mesmo tempo inicia-se na Península Ibérica uma guerra de teor semelhante, cruzadístico, de guerra santa, de cristãos contra muçulmanos, a luta para expulsar os árabes, a Reconquista.

Essa guerra só terminará em 1 de janeiro de 1492, fins do século XV, portanto. Mas os seus efeitos jamais desaparecerão da formação principalmente da Espanha, como também da mentalidade e das instituições que os espanhóis transplantaram para a América.

A tarefa de completar a Reconquista só foi possível quando uniram-se as coroas de Castela e de Aragão. Essa união se fez contra a vontade dos nobres castelhanos que viam Aragão como um reino de mouros, mas contou com a fundamental intervenção do Papa, que promoveu o casamento da Rainha Isabel, de Castela, com Fernando, de Aragão – os Reis Católicos.

Centralização Monárquica e Navegações: Em toda a Europa se assistia, no final da Idade Média, ao processo de formação das Monarquias Nacionais. Via de regra esse processo se fazia pela aliança entre o Rei e a burguesia, para lutar contra o particularismo político que beneficiava a nobreza feudal.

O primeiro país onde esse processo foi bem sucedido foi em Portugal, onde a Revolução de Avis (1383-85) se fez claramente pela aliança da burguesia mercantil, apoiada na “arraia miúda”, lutando contra os nobres portugueses e castelhanos e sustentando o Rei D. João I, o Mestre de Avis.

O fim da Guerra dos Cem Anos, entre ingleses e franceses em 1453, levou ao fortalecimento da Monarquia francesa. Os ingleses passarão ainda pela Guerra das 2 Rosas entre 1455 e 1485, ao fim da qual, Henrique Tudor se fortalece.

Ocorre que a Monarquia Nacional é condição “sine qua non”, indispensável, para as grandes navegações. Explica-se assim o pioneirismo português nas navegações e descobrimentos.

A Guerra de Reconquista é um fator que ao mesmo tempo atrasa e propicia a unificação espanhola. Atrasa porque o seu caráter cruzadístico é de cunho medieval, feudal, carregado de fanatismo religioso, buscando excluir os muçulmanos e judeus, justamente os que primavam pelo exercício do comércio e mesmo de uma agricultura mais desenvolvida – caso dos mouros em Aragão.

Por outro lado, a guerra subordina todos a uma autoridade militar, que pode ser o rei, o que aliás faz parte da dinâmica feudal em que o Rei não é chefe político, soberano, mas é chefe militar, suserano.

Por sua vez, o Rei compensa a fidelidade dos nobres e demais guerreiros com títulos e outros favores. O líder de uma expedição de conquista recebe o título de “Adelantado”, passa a ter direito a uma “Encomienda”, o saque das populações comquistadas também é admitido como normal “direito de conquista”. A Igreja Católica terá papel central nessa guerra e será recompensada em terras, riquezas e influência política.

A única coisa que ninguém quer fazer, é trabalhar! Nesse contexto, cria-se uma situação contraditória: vitoriosos os Reis Católicos, expulsos os árabes, e também os judeus, não há um grupo mercantil, burguês, articulado à monarquia para lançar-se às navegações. Isabel encampará então o projeto, rejeitado anteriormente, do navegador genovês Cristóvão Colombo. Este pretendia chegar às Índias, no Oriente, navegando em direção ao Ocidente. Parte do porto de Palos, na madrugada de 3 de agosto de 1492, com uma tripulação de 80 homens, repartidos entre as caravelas Santa Maria, Pinta e Niña. Às 2 h da madrugada de 12 de Outubro, avista terra no que acreditava serem as Índias. Estava descoberta a América.

A Conquista: Colombo fez outras 3 viagens à América, mas morreu convencido de que havia chegado às Índias. Já na sua segunda viagem, em 1493, teve início a primeira fase da história da dominação espanhola da América: a conquista. Ela será seguida pela colonização. A Conquista cobre um período relativamente curto, se consideradas a dimensão do território, a variedade dos seus habitantes e os imensos obstáculos naturais. Vai de 1493 a 1550. Várias explicações são dadas para essa rapidez: a busca de caminho para o Oriente, busca de riquezas, além da superioridade técnica dos espanhóis sobre as populações indígenas: as armas de fogo, o armamento ofensivo e defensivo de aço, o cavalo, e um curioso fator “psicológico”, os mitos indígenas que viram nos espanhóis os deuses cuja volta estavam esperando.

Os Conquistadores: A maior parte daqueles que conquistaram a América pertenciam à baixa nobreza. A Coroa espanhola estava mais preocupada com a política européia. Deixava então aos particulares a tarefa da Conquista. Os reis assinavam com os particulares contratos chamados “Capitulaciones”, em que ficava estabelecido que os gastos e todos os riscos eram dos conquistadores. Em troca a Coroa lhes concedia alguns direitos como o de repartir terras e índios, construir fortalezas e usar o título de “Adelantado”.

Como o Rei tem o monopólio do sub-solo, terá direito ao “quinto” dos metais a serem explorados. Entre os que se destacaram como “Adelantados” nessas conquistas, estiveram Hernan Cortez, Pedro Alvarado, Balboa, Francisco Pizarro, Diego de Almagro e Pedro de Valdívia. Cortez partiu de Cuba em 1519, desembarcou em Veracruz e queimou os 11 navios com que chegara. Estava acompanhado por 100 marinheiros e 508 soldados, trazendo 16 cavalos, 32 bestas, 10 canhões de bronze e alguns arcabuzes, mosquetões e pistolas. Conseguiu o apoio do chefe dos Tlaxcaltecas.

Dominou Tenochtitlán, já que Montezuma, o líder azteca, acreditava que Cortez fosse Quetzalcóatl, o deus que havia ido pelo Leste e voltava pelo Leste. Após uma primeira derrota – “la noche triste” – Cortez conquista definitivamente a capital azteca em 1521. Tenochtitlán, a capital azteca, tinha entre 250 e 300 mil habitantes, sendo 5 vezes maior que Madri e 2 vezes maior que Sevilha que era então a maior cidade espanhola. Pedro Alvarado, que acompanhara Cortez, conquistou a América Central em 1523, dominando os maias. Diego de Almagro e Francisco Pizarro lançaram-se à conquista do Peru. Aproveitaram-se das disputas entre os irmãos Atahualpa e Huascar, em torno do trono inca.

Pizarro entrou em Cuzco em 1533. Posteriormente, serão os dois conquistadores e seus respectivos aliados que lutarão entre si, numa prolongada guerra civil. Pedro de Valdívia que fizera parte do grupo que conquistara o Peru, afasta-se do conflito entre os demais e dedica-se à conquista do Chile, fundando Santiago em 1540. Vasco Nuñez Balboa atravessou o estreito de Darien alcançando o Oceano Pacífico. Aos conquistadores, paradoxalmente, resultou mais fácil conquistar as grandes civilizações que as tribos em estágio cultural inferior. Estas mantiveram uma resistência que em alguns casos chegou ao século XIX.

Várias delas assimilaram muito rapidamente as formas de guerra dos espanhóis, especialmente o uso do cavalo, e, graças à sua grande mobilidade, evitaram a dominação. Destaque-se o caso dos araucanos, no Chile, com os quais os espanhóis tiveram que firmar o Tratado de Quilin em 1641. Os “peles vermelhas” da América do Norte e os charruas no Uruguai foram outros grupos que mantiveram forte resistência. Já os guaicurus, no Paraguai, tornaram-se uma espécie de aliados para enfrentar rivais.

No Caribe, os índios foram praticamente extintos durante o período da Conquista, não sobrevivendo, portanto, até o período da colonização. Isso teve como conseqüências, de um lado, o surgimento de uma consciência dos humanistas em defesa dos índios, destacando-se o Frei Bartolomé de Las Casas. De outro lado, a importação de escravos africanos deverá suprir a deficiência de mão-de-obra nativa. Por fim, a Coroa passará a intervir para tentar controlar as terras conquistadas e seus conquistadores para os quais: “Dios está en el cielo, el Rey está lejos, yo mando aquí”.
COLONIZAÇÃO:

Mal concluída a fase da Conquista, começa a fase de exploração econômica e estruturação político administrativa: a Colonização. Entre 1540 e 1570, estará totalmente estruturada, vindo a passar por uma grande reforma durante a dinastia Bourbon, no século XVIII. A América hispânica será uma colônia de exploração, cuja principal atividade econômica será a mineração. No México e no Peru (Potosi/atual Bolívia), a prata superará em muito a extração do ouro.

‘’Entre 1551 e 1560, calcula-se que foram extraídos 122.028 kg de ouro e 16.179.638 kg de prata. Para a Europa, a conseqüência disso foi a chamada Revolução dos Preços.’’

México e Peru são, pois, os dois grandes pólos da colonização, restando às outras regiões o papel de satélites. A decadência da mineração no século XVII provocou a proliferação das “plantations”, com mão-de-obra dos negros, nas Antilhas e no Litoral da América Central e do Sul. A incapacidade espanhola de abastecer a América levava à tolerância com as “obrajes”, oficinas de artesanato em que os índios eram forçados a trabalhar 8 horas por dia durante 6 meses, recebendo um salário. Na prática, tanto o tempo de trabalho quanto os salários acabavam sendo desrespeitados.

Lima, México, Cuzco, Michoacán e Puebla eram os principais centros das “obrajes”. A exploração da mão-de-obra indígena se fazia com base em duas instituições básicas: a “Encomienda” e a “Mita”.

A primeira é uma instituição espanhola, criada durante a Reconquista, transplantada e adaptada às circunstâncias demográficas e culturais da América. A segunda, a “Mita”, era uma instituição Inca, que tinha grandes semelhanças com o “Cuatequil” dos Astecas. O Rei concedia a um “Adelantado” ou a outro a quem quisesse beneficiar uma “Encomienda”, ou seja, o direito dessas pessoas extraírem tributos de um certo número de índios. Tais tributos são devidos ao Rei, mas o “encomendero” é que vai extraí-los em forma de trabalho. Como contrapartida, tem a obrigação de ensinar aos índios a religião católica. Já a “Mita” ou “Cuatequil” era a forma mesma em que os chefes indígenas extraíam trabalho dos índios para as obras de interesse do Estado.

Cada comunidade ou aldeia – calpulli ou ayllu – respectivamente entre astecas e incas, tinha que designar um determinado número de homens que em algumas épocas do ano executavam esse trabalho. É, portanto, uma modalidade de servidão coletiva. Os espanhóis compreenderam muito cedo o sentido dessa instituição e a mantiveram, evidentemente que para os seus interesses e com um grau muito maior de exploração.

Havia prazos maiores de prestação desses serviços, distâncias descomunais entre as comunidades e os locais de prestação do serviço, tempo diário muito maior de trabalho, piores condições de exploração, enfim. O álcool e a coca compensavam a falta de alimentos e da estrutura social a que estavam habituados. A “Mita de Potosí” foi, de todas, a mais bárbara e consumiu a vida de milhares de homens, sem contar a desorganização da produção das próprias aldeias indígenas com suas seqüelas de fome e mortalidade. Mas, a “Mita” não é escravidão.

COMÉRCIO ESPANHA-AMÉRICA

A relação comercial entre metrópole e colônias era estabelecida pela “Casa de Contratação”. Foi criada em 1503, com sede em Sevilha, transferida para Cádis, somente em 1717. Havia um sistema de portos únicos, que eram Sevilha e depois Cádis, na Espanha, e Havana, Vera Cruz, Cartagena e Porto Belo, esses na América. Somente 2 frotas anuais faziam a ligação entre os portos espanhóis e os americanos.

Naturalmente, isso abria um amplo leque de possibilidades para o contrabando, cujos principais centros eram as Antilhas e o Rio da Prata. Em 1713, foi firmado o Tratado de Utrecht que pôs fim ao conflito entre França e Inglaterra pela sucessão ao trono espanhol. A Inglaterra concordou que um Bourbon (francês) governasse a Espanha em troca de poder ter um “navio de permiso” que tocasse portos hispanoamericanos.

Além disso, os ingleses ganharam o “asiento”, espécie de contrato em que o Rei da Espanha autoriza o tráfico negreiro para as suas colônias. No século XVIII, os Bourbon introduziram uma série de reformas tanto na Espanha quanto na América quanto na relação entre ambos, logicamente com o objetivo de aprimorar a exploração colonial. Foram criados correios marítimos, acabou o sistema de portos únicos (1765); em 1778, abriu-se o porto de Buenos Aires, mesmo ano em que aboliu-se o sistema de frotas. Já em 1768, foi autorizado um comércio inter-regional, de resto já existente.

ADMINISTRAÇÃO:
Na Metrópole, funcionavam a Casa de Contratação, o Conselho de Índias (1524), os Juízes de Residência e os Visitadores. A Colônia era dividida em 4 Vice-Reinos: Nova Espanha (México), Nova Castela (Peru), Nova Granada (Colômbia) e Rio da Prata. Havia as Audiências e os Ouvidores, além das Capitanias Gerais, situadas em locais estratégicos como Cuba, Guatemala, Venezuela, Chile e Flórida. Finalmente, em nível local, municipal, havia os Cabildos ou Ayuntamientos.
SOCIEDADE COLONIAL:

Havia uma pronunciada hierarquia social, encabeçada pelos espanhóis de nascimento, os Chapetones, ou guachupines. Ocupavam todos os cargos políticos, administrativos, militares e eclesiásticos de relevância. Os Criollos eram os brancos nascidos na América. Ocupam posição secundária, sendo em geral os donos das minas, do comércio, das fazendas, mas sem ocupar cargos públicos de relevância. Os mestiços eram uma imensidão de gente qualificada numa variedade de categorias conforme a porcentagem de sangue branco que pudessem ter. Abaixo de tudo estavam os escravos negros e os indígenas.

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