Paulo Freire (Biografia)

Paulo Freire

Paulo Freire. Foi o pedagogo dos oprimidos e em seu trabalho transmitiu a pedagogia da esperança. Influenciou as novas ideias libertadoras na América Latina e na teologia da libertação, nas renovações pedagógicas europeias e africanas, e sua figura é referência constante na política libertadora e na educação. Foi emigrante e exilado por razões políticas por causa das ditaduras. Por muito tempo, seu domicílio foi o Conselho Mundial das igrejas em Genebra, na Suíça. É considerado um dos maiores e mais significativos pedagogos do século XX.

Sumário
1 síntese biográfica
1.1 estudos
1.2 Experiência profissional
1.3 Contribuições para a educação
1.4 exílio
1.5 morte
2 Ligação relacionada
3 Ver também
4 Fonte

Nome Paulo Reglus Neves Freire
Nascimento 19 de de 1921
Morte 2 de maio de 1997
Nacionalidade Brasileira
Cidadania Brasileira
Ocupação Pedagogo
Título Doutor em Filosofia e História da Educação
Cônjuge Elsa Maria Costa Oliveira
Pais Joaquim Temístocles Freire e Edeltrudes Neves Freire

Síntese biográfica
Conhecido mundialmente como Paulo Freire, nasceu em 19 de setembro de 1921 em Recife, Brasil. Filho de Joaquim Temístocles Freire e Edeltrudes Neves Freire.

Para a família Freire, nasceu uma segunda-feira de tristeza e aflição, pois seu pai não tinha esperança de se restabelecer de uma grave doença, felizmente sobrevive-lhe treze anos mais.

Na opinião de sua mãe, Pauliño era um menino limpo, vaidoso, muito dedicado, carinhoso, sensível e amoroso. Ele era tão carinhoso que não consentia que seus irmãozinhos se aproximassem de sua mãe, dizia-lhes:

“saiam, saiam, a minha mãe é minha”
Aos 10 anos foi viver em Jaboatao onde aprende o sofrimento, o amor e a angústia de seu próprio crescimento. Aqui ele também sentiu, aprendeu e viveu a alegria de jogar futebol, nadar nu no rio e ver as mulheres trabalharem lavando nas pedras as roupas de sua própria família e as roupas dos ricos. Aprenda a cantar e saborear as coisas que você tanto gostou de fazer para aliviar o cansaço e as tensões da vida diária.

Aprenda a dialogar na ronda de amigos e por fim em Jaboatao aprenda a tomar com paixão os seus estudos da sintaxe popular e erudita língua portuguesa. Assim, Jaboatao significou para Paulo um caldeirão de aprendizagens de dificuldades e alegrias vividas intensamente que lhe ensinaram a harmonizar entre o querer e não querer, o ser e não ser, o poder e não poder, e o ter e não ter.

Estudos
Estudou filosofia na Universidade de Pernambuco e iniciou seu trabalho como professor na Universidade de Recife, como professor de história e filosofia da educação. Ele concebeu seu pensamento pedagógico, que é ao mesmo tempo um pensamento político. Promoveu uma educação humanista, que buscasse a integração do indivíduo em sua realidade nacional. Foi a sua uma pedagogia do oprimido, ligada a postulados de ruptura e de transformação total da sociedade, que encontrou a oposição de certos setores sociais. Ele definiu a educação como um processo destinado não à domesticação, mas à liberação do indivíduo, através do desenvolvimento de sua consciência crítica.

Experiência profissional
Casou-se em 1944 com Elsa Maria Costa Oliveira, Professora de primária com a qual teve 5 filhos. Nesse tempo, Freire trabalhou como professor de português no Colégio de ensino médio “Oswaldo Cruz”, onde ele mesmo havia estudado.

Embora ele aspirasse a ser educador, formou-se em Direito na Universidade Federal de Pernambuco por ser a única carreira relacionada às ciências humanas, não existiam cursos de formação de educadores.

Depois de exercer uma curta carreira como advogado, ele retorna ao seu trabalho de ensino ostentando sua figura alta e magra em roupas de luto como uma expressão de protesto e tristeza por causa da Segunda guerra mundial.

Em 1947 foi diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social da indústria, órgão recém-criado pela Confederação Nacional das indústrias. Lá teve contato com a educação de adultos/ trabalhadores e sentiu que a nação enfrentava o problema da educação, e mais particularmente da alfabetização.

Juntamente com outros educadores liderados por Raquel Castro, fundou nos anos 50 O Instituto Capibaribe, instituição privada reconhecida em Recife pelo seu alto nível de ensino e de formação científica, ética e moral encaminhada para a consciência democrática.

Em 1961, foi o primeiro diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade do Recife. Teve suas primeiras experiências como professor de ensino superior na Escola de Serviço Social na mesma universidade. Em 1959, obteve o título de Doutor em Filosofia e História da Educação, defendendo a tese “Educação e Atualidade Brasileira”. Como tal, é nomeado professor efetivo, nível 17 de Filosofia e História da Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Obteve a nomeação de Professor Livre de História e Filosofia da Educação da Escola de Belas Artes.

Foi um dos primeiros 15 conselheiros pioneiros do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco escolhido por ser uma das pessoas de “Notório saber e experiência em matéria de educação e cultura” em 1958 participa do “II Congresso Nacional de Educação de Adultos” no Rio de Janeiro onde é reconhecido como um educador progressista.

Contribuições para a educação
Com uma linguagem muito peculiar e com uma filosofia da educação absolutamente renovadora propôs que uma educação de adultos tinha que estar fundamentada na consciência da realidade cotidiana vivida pela população e jamais reduzi-la a simples conhecimento de letras, palavras e frases. Que o trabalho educativo se tornasse uma acção para a democracia, em suma, uma educação de adultos que estimulasse a colaboração, a decisão, a participação e a responsabilidade social e política. Freire entendeu a categoria do saber como o aprendido existencialmente pelo conhecimento vivido de seus problemas e os de sua comunidade.

A Teoria do Conhecimento de Paulo Freire deve ser compreendida no contexto em que surgiu. Nos anos 60, no Noroeste do Brasil, metade de seus 30 milhões de habitantes eram marginalizados e analfabetas e, como ele dizia, viviam dentro de uma cultura do silêncio, era preciso ” dar-lhes a palavra “para que” transitassem ” para a construção de um Brasil que fosse dono de seu próprio destino e que superasse o colonialismo.

Com esta filosofia desenvolveu o método com o qual se conheceria em todo o mundo fundado no princípio de que o processo educativo deve partir da realidade que rodeia o educando.

Não basta saber ler que “Eva viu uma uva”, ele diz que”… é necessário saber qual posição Eva ocupa no contexto social, quem trabalha na produção de uvas e quem lucra com este trabalho …”

As primeiras experiências do método conseguiram em 1963 que 300 trabalhadores rurais fossem alfabetizados em 45 dias. No ano seguinte, O Presidente do Brasil João Goulart o convidou para reorganizar a alfabetização de adultos no âmbito nacional. Estava prevista a instalação de 20.000 círculos de cultura para 2 milhões de analfabetas.

Recebeu dezenas de doutorados Honoris Causa de Universidades de todo o mundo e inúmeros prêmios incluindo o da paz da UNESCO em 1987.

Ao falar sobre Freire, fala-se de método. A universalidade da obra de Freire, discorre em torno da aliança entre teoria e prática. Pense em uma realidade e aja sobre ela … Esta é uma pesquisa participante.

Na origem do método, a influência de Elsa Maria, sua primeira esposa, não deve ser subestimada. Ela o inseria permanentemente em discussões pedagógicas. Ao método, vislumbrado por ela, Freire deu sentido, fundamento, orientação e compromisso. Esquematicamente, consiste em:

Observação participante dos educadores, “sintonizando-se” com o universo verbal do povo,
Busca das “palavras geradoras” buscando a riqueza silábica e seu sentido vivencial,
Codificação das palavras em imagens visuais que estimulem o trânsito da cultura do silêncio para a consciência cultural,
Problematização do cenário cultural concreto,
Problematização das palavras geradoras através de um diálogo do “círculo de cultura”,
Recodificação crítica e criativa para que os participantes se assumam como sujeitos de seu próprio destino.
A essência deste método aponta para fazer “um mundo menos feio, menos maligno, menos desumano”, “vivendo em direção ao amor e à esperança”. Herdou-nos a indignação pela injustiça que não deve envolver-se com palavras doces e sem sentido vivencial.

Não há dúvida de que a contribuição de Freire se enraizou devido à sua dupla mensagem política e profética. Não seria exagero afirmar que Freire, mais do que estritamente marxista ou revolucionário, foi um humanista cristão vinculado a movimentos genuinamente latino-americanos como o da teologia da libertação.

Exílio
Estando Freire em Brasília, ativamente envolvido com os trabalhos do Programa Nacional de alfabetização, foi destituído na sequência do golpe militar de 31 de março de 1964 protagonizado pelo General Humberto de Alencar Castelo Branco.

Paulo Freire foi exilado “porque a Campanha Nacional de alfabetização conscientizava imensas massas populares” o que incomodou as elites conservadoras brasileiras. Ele passou 75 dias na prisão por considerá-lo um perigoso pedagogo político e acusado de “subversivo e ignorante”. Refugiado na Embaixada da Bolívia, passa alguns dias neste país e daí viaja para o Chile onde trabalhou para várias organizações internacionais.

Participou de importantes reformas conduzidas pelo governo democrata-cristão de Eduardo Frei, recém-eleito com o apoio da Frente de Ação Popular de Esquerda. O governo do Chile precisava de novos profissionais e técnicos para apoiar o processo de mudança, principalmente no setor agrícola. Freire foi convidado para trabalhar na formação desses novos técnicos.

No Chile encontrou um espaço político, social e educativo muito dinâmico, rico e desafiador, que lhe permitiu re-estudar seu método, assimilando a prática e sistematizando-o teoricamente. Essa experiência foi fundamental para consolidar seu trabalho e para a formação de seu pensamento político-pedagógico Freire iniciou uma psicologia da opressão influenciada pelos trabalhos de Freud, Jung, Adler, Fanon e Fromm. As edições clandestinas de Freire passaram de mão em mão contribuindo para difundir as novas abordagens pedagógicas. Termos como educação bancária, alfabetização como conscientização, educação libertadora foram inseridos por sua influência na linguagem educacional.

Os educadores de esquerda se apropriaram da filosofia educativa de Paulo Freire, mas a oposição do Partido Democrata Cristão o acusou, em 1968, de escrever um livro “violentíssimo”. Era o livro “Pedagogia do Oprimido”. Esta foi uma das razões que o fizeram deixar o Chile.

Esta obra, publicada em 1970, teve grande influência sobre os olhares filosóficos, incluindo fenomenologia, existencialismo, cristianismo, personalismo, marxismo e hegelianismo.

Depois de passar um ano em Harvard, ele foi para Genebra, onde completou 16 longos anos de exílio. A partir daqui viajou como “conselheiro ambulante”, do Departamento de Educação do Conselho Mundial das igrejas por terras da África, Ásia, Oceania e América com exceção do Brasil, para sua tristeza.

Nessa época, ele aconselhou vários países da África, recém-libertados da colonização européia, ajudando-os a implementar seus sistemas educacionais baseados no princípio da autodeterminação. Sobre essas experiências, foi escrita uma das obras mais importantes de Freire: “Cartas à Guiné-Bissau”.

Freire assimilou uma cultura africana no contato direto com o povo e seus intelectuais como Amílcar Cabral e Julius Nyerere. Neste período mantém contato próximo com a obra de Gramsci, Kosik, Habermas, Henri Giroux, e outros filósofos marxistas.

Retorna aos Estados Unidos com uma bagagem Nova trazida da África e discute o Terceiro Mundo ao interior do primeiro Mundo com Milles Horton. Isto dá origem ao livro, escrito com muita paixão, esperança e sabedoria intitulado: “fazemos caminho ao caminhar: conversas sobre educação e mudança social”.

Em agosto de 1979, sob um clima de anistia política, ele felizmente retorna ao Brasil. É calorosamente recebido por parentes, amigos e admiradores. Teve de recomeçar mais de uma vez. Ele mesmo levantou “re-aprender o meu país”. Para isso, realizou incessantes viagens por todo o Brasil dando palestras, publicando e entablando diálogos com estudantes e professores.

Morte
Aos 70 anos Freire continuava desfrutando da vida, pregando a força do amor, defendendo a necessidade do compromisso pessoal com os deserdados e reformulando suas idéias sobre educação. Inclusive, no México problematizou sobre a educação universitária, seu legado a esse respeito encontra-se na obra “Paulo Freire e a Educação Superior” publicada em inglês em 1993 por Miguel Escobar, Alfredo Fernández e Gilberto Guevara.

Poucos dias antes de sua morte debatia seus projetos sobre as novas perspectivas da educação no mundo em seu próprio Instituto, em São Paulo, Brasil. Aos 75 anos, Paulo Freire morre na sexta-feira, 2 de maio de 1997. A sua morte deixa na memória, o seu semblante calmo, os seus olhos cor de mel, as suas mãos sempre expressivas revelando-nos os desejos e os espantos da sua alma eternamente apaixonada pela vida. Seus gestos e voz ao lado de sua barbada cara branca projeta a imagem de um profeta com seus maravilhosos livros socráticos.

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