PARTIDO NAZISTA NO BRASIL

Novos documentos contam a história do Partido Nazista no Brasil de Vargas Em agosto de 1942, logo após o Brasil declarar apoio aos países aliados na guerra contra Hitler, o alemão Otto Braun foi levado para uma das celas do Departamento Especializado de Ordem Política e Social (Deops), em São Paulo. Permaneceu ali até fevereiro do ano seguinte, em regime de “rigorosa incomunicabilidade”, nos termos do regime imposto pela feroz ditadura Vargas. Durante todo esse período, Braun não pôde falar com a família nem com amigos, mas o que disse aos agentes do Deops acaba de entrar para a história, mais de meio século após o fim da II Guerra Mundial. Ele entregou, nome a nome, todos os integrantes do Partido Nazista no Brasil, inclusive os que ocupavam cargos de direção. O depoimento de Otto Braun, que foi tesoureiro e membro da direção nacional do partido, só veio à luz agora. O documento é uma das preciosidades garimpadas pela historiadora paulista Ana Maria Dietrich, da Universidade de São Paulo (USP), entre os papéis do extinto Deops, atualmente sob a guarda do Arquivo do Estado de São Paulo (…). (…) Morando no Brasil desde 1924, Otto Braun esteve no Deops por duas vezes, em 1942 e em 1944. Seus depoimentos não serviram apenas para desmantelar toda a estrutura do partido no país. A polícia também descobriu uma sofisticada operação de remessa ilegal de recursos do Brasil para o esforço de guerra do III Reich. (…) O dinheiro de alemães residentes no Brasil era enviado para cofres na Suíça e de lá chegava à Alemanha. Nesse período, o partido também estimulava a volta de alemães ao país natal. Nos dossiês do Deops, os policiais relatam que, durante as reuniões nazistas, os alemães se referiam ao Brasil como a gastland, ou terra de hospedagem.


Mas os relatórios dos agentes não são, nem de longe, os documentos mais importantes. O material fotográfico e de propaganda nazista, recolhido em apreensões nas residências dos alemães suspeitos, pode ser considerado relíquia. É praticamente o que resta da presença, no Brasil, do Partido Nazista. Apesar de nunca ter sido registrada oficialmente, a agremiação não só tinha estatuto e quadro de direção — nos níveis nacional, estadual e municipal — como era reconhecida pelo governo Vargas. Em 1938, quando o presidente vedou aos estrangeiros a participação política, entrou na clandestinidade. A Alemanha, por intermédio da embaixada, obrigou os dirigentes do partido a enviar ao país todo tipo de documento que pudesse revelar os planos de Hitler em relação ao Brasil. A determinação era clara: qualquer alemão que fosse preso no Brasil com material nazista não teria nenhum apoio do governo de seu país. A medida não impediu que a polícia política paulista apreendesse desde cartilhas da juventude hitlerista até órgãos oficiais do Partido Nazista no Brasil, como o jornal Deutscher Morgen, ou Aurora Alemã (…). Em Presidente
Bernardes, no interior de São Paulo, os policiais encontraram fotos do alemão Frederich Dierken em que crianças ensaiam a saudação nazista. (…)

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