OS ENGENHOS NO BRASIL

OS ENGENHOS NO BRASIL

Atualmente no Brasil, o açúcar é produto de consumo rotineiro na maioria dos lares das famílias brasileiras, mas não foi sempre assim, no século XV, o açúcar se destacava entre as especiarias sendo utilizada inclusive com função medicamentosa. A partir do século XVI aos poucos ia ganhando terreno ma mesa da aristocracia européia, com o passar do tempo acabou por se tornar produto de consumo de massa.

A cana-de-açúcar não é original do Brasil, é uma planta indiana, foi disseminada pelos árabes por várias áreas da Europa, inclusive na Península Ibérica, nas ilhas do Atlântico os empreendimentos açucareiros apresentaram lata produtividade.

No Brasil, em meados do século XVI a produção de açúcar se estabeleceu no Brasil. O próprio Martin Afonso de Souza trouxe consigo especialistas e mudas da planta, chegando a formar engenhos nas capitanias, realizou ações como concessão de isenção de impostos, construção de engenho da Coroa na Bahia.

Em São Vicente uma sociedade em que fazia parte Matin Afonso de Souza, formou um engenho de grandes proporções para a época, por fim tornou-se propriedade exclusiva do alemão Erasmo Schetz, hoje com apenas resquícios históricos.

O Rio de Janeiro também desenvolveu atividade produtiva associada à cana-de-açúcar, mas destinada à produção de aguardente de cana, destinada principalmente a ser moeda de troca por africanos escravizados em Angola.

Não era simples, tão pouco barato a instalação de um engenho no Brasil, deveria haver plantações de cana-de-açúcar, ferramentas e engenhoca específica para a produção, edificações, gado, escravos, e outros mais.

A obtenção de crédito para a instalação de empreendimentos açucareiros no Brasil ocorreu principalmente por meio de financiamentos, era comum o pagamento das parcelas do financiamento com o próprio produto dos engenhos. Holanda, Inglaterra, Alemanha, Itália, eram os principais mercados do açúcar no mundo, Portugal monopolizava o comércio do açúcar brasileiro.

O trabalho nos engenhos era geralmente pesado, as tarefas nas fornalhas e caldeiras eram as mais temidas em virtude do calor insuportável e dos riscos de ferimentos em virtude de acidentes na realização das tarefas.

Ser senhor de engenho no Brasil colonial significava ter poder na colônia, era ser integrante de uma aristocracia influente. De início os senhores de engenho no Brasil eram nobres, imigrantes com posses, comerciantes, mesmo cristãos novos chegaram a constituir engenhos no Brasil na época da colônia. Nem toda a produção de açúcar era de grandes empreendimentos, havia também pequenos produtores, com reduzido número de escravos que entregavam sua produção ao senhor de engenho.

Os proprietários de engenhos estavam constantemente em negociações com o mundo urbano, pois era necessário acompanhar as oscilações de preço do produto. A maioria da população livre da época não era a de proprietários, tão pouco de seus familiares, mas de pessoas que realizavam atividades urbanas ou ligadas ao engenho de alguma maneira.