Envolvimento Militar do Brasil na Guerra do Vietnã

Um dos acontecimentos mais expressivos das décadas de 60 e 70 do século XX foi a Guerra do Vietnã na sua chamada “fase americana” (1964-1973). Os Estados Unidos enviaram tropas para a região na sua luta contra o comunismo, porém sua máquina de guerra “atolou” contra o grupo de guerrilheiros comunistas locais denominado “Vietcong”. A repercussão da guerra foi mundial – tanto que quase envolveu o Brasil, um país muito longe do Sudeste Asiático.

O Brasil e o Começo da Guerra do Vietnã

Entre 2 e 4 de agosto de 1964, foram registrados ataques a destróieres norte-americanos em “águas internacionais” por barcos-patrulha vietnamitas no golfo de Tonquin, litoral do Vietnã do Norte. Apesar das dúvidas e da falta de informações, esses “ataques” eram tudo o que o presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson, mais desejava: no dia 5 de agosto, ele conseguiu poderes para conduzir a intervenção no Vietnã, dentro da premissa de que os Estados Unidos estariam ajudando um país ameaçado pelo comunismo. Começavam os bombardeios ao Vietnã do Norte – a “fase americana” da Guerra do Vietnã.

Lyndon Johnson

As reações ao incidente de Tonquin no Brasil foram totalmente favoráveis às ações dos Estados Unidos, em particular, na imprensa. A Folha de São Paulo começou com um destaque cauteloso, no dia 4 de agosto de 1964, uma vez que as notícias ainda não eram conclusivas. No dia 5, não restavam mais dúvidas: barcos norte-americanos foram atacados por lanchas de guerra norte-vietnamitas, o que fizera com que os norte-americanos bombardeassem o Vietnã do Norte e anunciassem que medidas de contenção ao comunismo seriam tomadas no Vietnã do Sul, conforme afirmara o jornal.

A China era a “grande culpada de tudo”, pois havia levado os norte-vietnamitas a lutarem por uma expansão em que eles não teriam vez, versava o editorial da Folha de São Paulo do dia 7 de agosto de 1964, junto com manchetes que informavam que tropas chinesas estavam de prontidão, caso os norte-americanos invadissem o Vietnã do Norte – fato este que, efetivamente, não ocorreu. Destacando que a reação norte-americana foi inevitável, o editorial considerava duas alternativas:

1º – a “neutralização” da região, deixando abandonada para a “dominação chinesa”;

2º – uma grande ofensiva que neutralizasse as ações comunistas, podendo-se usar, inclusive, bombas atômicas.

Os chineses (e até mesmo os soviéticos) não estimularam seus vizinhos vietnamitas à guerra efetivamente, mas este tipo de notícia acusatória ao mundo comunista era bem típico do momento. Os expurgos feitos pelos militares nos meses seguintes ao golpe de 1964, em março, monopolizaram o espaço na imprensa brasileira, que estava a favor dos militares na queda de João Goulart, embora temerosa com os caminhos seguidos pelo governo militar, que parecia não querer abandonar tão cedo o poder. Porém, nos momentos iniciais do golpe, a pregação anticomunista e o fim da “bagunça” administrativa do governo Goulart eram retratados com grande euforia. Com o anticomunismo ainda em evidência, a cobertura do Incidente de Tonquin não poderia escapar dessa lógica.

João Goulart

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