Nélida Piñón (Biografia)

Nélida Piñón

Nélida Piñón (Rio de Janeiro, 3 de maio de 1937) é uma escritora e jornalista brasileira, figura destacada das letras latino-americanas contemporâneas. Sua obra, caracterizada pelo rigor, representa um diálogo inteligente entre as diversas tradições que convivem no corpo cultural latino-americano.

Sumário
1 síntese biográfica
1.1 carreira
1.2 trabalho acadêmico e docente
2 prêmios e reconhecimentos
3 Fonte

Nome completo Nélida Piñón
Nascimento 3 de de 1937
cidade do Rio de Janeiro,
Brasil Bandeira do Brasil
Ocupação Escritora e jornalista
Nacionalidade brasileira
Prêmios Prêmio Príncipe das Astúrias das Letras

Síntese biográfica
Nasceu em 3 de maio de 1937, no Rio de Janeiro, filha de pais de origem espanhola. Desde pequena, ela foi atraída pelo mundo das letras.

“Comecei a escrever sendo ainda uma menina, lendo os livros que me davam, inventando os que não tinha à mão [ocho] com oito anos me proclamei escritora. Não sei, porém, em que instante, e de que Casaco, saiu mais tarde esta outra escritora que sou hoje, que aspira a abarcar os seres e os enigmas.”
Quando tinha dez anos de idade, viajou para a região espanhola da Galiza, terra natal de seus pais, onde permaneceu por espaço de dois anos. Essa vivência seria fundamental para a futura escritora, em cujas obras se revela o amor por suas duas pátrias: Galiza e Brasil. Formou-se em Jornalismo na Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro e ampliou seus estudos na Universidade de Columbia (Nova York).

Carreira profissional
Estreou no circuito literário, em 1961, com Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, um romance sobre o pecado, o perdão e a relação dos mortais com Deus através do diálogo entre o protagonista e seu anjo da guarda. A esta primeira obra, que lhe deu fama, seguiram-se Madeira feta cruz, dois anos mais tarde e, no final da década, Fundador (1969), na qual mais uma vez apostava na renovação formal da linguagem que já deixasse entrever nos títulos anteriores e que colocava em cena personagens históricos e de ficção.

Na década de 1970, Piñon deu à imprensa três novos títulos, a casa da paixão (1972), sobre o desejo e a iniciação sexual, Tebas do meu coração (1974) e a força do destino (1977), mas foi em 1984 que viu a luz que é considerada sua obra ápice: a república dos sonhos. Inspirada na sua visão da emigração galega para o Brasil, a obra, que obteve o prêmio da Associação de Críticos de Arte do Brasil em 1985, é, nas palavras da própria autora:

“um romance deliberada [.] eu sabia que para chegar a ela eu tinha que me preparar, e eu fiz isso ao longo de muitos anos da minha vida. Era um grande projeto que abrangeria dois continentes, 300 anos, ou mais, porque há aspectos nesse romance que chegam até o século XII”.
Após o sucesso de vendas e de crítica desta obra, Piñon publicou o romance de denúncia Política doce canção de Cayetana (1987), uma incursão ao universo de uma cidade interior, Trindade, na época da mentira do “milagre brasileiro”. Posteriormente viu a luz o pão de cada dia (1994), na qual deixava de lado a moderna ficção com a qual se tinha consagrado e empreendia uma reflexão profunda sobre as inquietações do homem, e a novela juvenil a roda do vento (1996). Em 2004, após vários anos de inatividade, apresentou Vozes do deserto.

Piñon também publicou livros de contos (Tempo das frutas, 1966; sala de armas, 1973; o calor das coisas, 1989) e é autora do ensaio ou ritual da arte, sobre a criação literária. Suas obras foram publicadas em cerca de vinte países e foram traduzidas para uma dezena de idiomas.

Trabalho acadêmico e docente
Em 27 de julho de 1989 foi eleita, em substituição de Aurélio Buarque da Holanda, para ocupar a poltrona número 30 da Academia Brasileira das Letras (ABL), instituição da qual foi Secretária Geral e que presidiu em 1996-1997, tornando-se a primeira mulher a ocupar esse cargo e a primeira do mundo a presidir uma academia literária nacional. Também é membro da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia de Filosofia do Brasil.

Desenvolveu um intenso e dilatado trabalho docente. Em 1970, inaugurou a primeira cátedra de criação literária na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e entre 1990 e 2003, foi titular da cátedra Dr. Henry King Stanford de Humanidades da Universidade de Miami. Exerceu como professora visitante nas universidades de Harvard, Georgetown, Johns Hopkins e Columbia, e lecionou cursos na Espanha, França e Peru. Doutora honoris causa pelas universidades de Poitiers (França), Montreal (Canadá) e Santiago De Compostela (1995), participou em congressos, seminários e encontros internacionais, além de ministrar conferências por todo o mundo.

Prêmios e reconhecimentos
Entre os prêmios recebidos contam-se o prêmio de Literatura latino-americana e do Caribe Juan Rulfo (1995), o mais importante da América Latina (foi a primeira mulher a recebê-lo e o primeiro autor em língua portuguesa); o prêmio Menéndez Pelayo (2003), em reconhecimento ao seu trabalho como docente e pesquisadora no campo das humanidades e à sua obra de criação literária, e o Príncipe das Astúrias das letras (2005), “por sua incitante obra narrativa, artisticamente sustentada na realidade e na memória, e também na fantasia e nos sonhos”.

Além dos prêmios citados, Nélida Piñon foi premiada com o Walmap do Brasil (1969, por Fundador), o Mário de Andrade (1973, por a casa da paixão), o do PEN Club (1985, pela república dos sonhos), o Ibero-Americano de Narrativa Jorge Isaacs (2001) e o Rosalía de Castro (2002).

Entre as distinções honoríficas que recebeu, destacam-se a Medalha da ordem do Rio Branco e a ordem ao Mérito da Mulher concedida pelo Governo do Rio de Janeiro, bem como uma, em abril de 2005, que lhe fez especial ilusão: O município pontevedrés de Cotobade, povo natal de seu pai, decidiu nomeá-la “filha adotiva”.

Amiga de Cortázar, Borges e Vargas Llosa (que lhe dedicou a guerra do fim do mundo), A New York Review of Books a considerava a melhor escritora brasileira, e a prestigiosa revista World Literature Today dedicou-lhe a edição de maio de 2005.

Firme defensora dos Direitos humanos, colaborou em meios de comunicação brasileiros como as revistas Cadernos Brasileiros (1966-1967), Tempo Brasileiro (1976-1993), Impressões (1997), Cadernos Pedagógicos e Culturais (1993), e o jornal O Dia do Rio de Janeiro (desde 1995).

Ele argumenta que, apesar de participar de todos os encontros políticos que a convidam, “nunca” deixa de ser escritora.

“Eu proponho idéias sem cobrar-diz ele-porque eu quero um mundo melhor”.

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