História da Música Renascentista

O trabalho
apresenta uma visão geral sobre o contexto histórico do Renascimento abordando aspectos característicos do desenvolvimento da música neste período, como a polifonia e alguns estilos de composição.

O Renascimento Cultural Europeu

O período entre os séculos XIV e XVI foi de grandes transformações políticas e socioeconômicas, tais como, o declínio do feudalismo; a consolidação dos ideais de progresso e de desenvolvimento, reforçando o pensamento racionalista e individualista; o renascimento do comércio e da urbanização e, conseqüentemente, o surgimento da burguesia; a formação do Estado nacional, centralizando o poder nas mãos do rei e seus ministros; e a expansão marítima e o mercantilismo, que contribuíam para a Revolução Comercial que ocorria na Europa Ocidental.

Essas transformações afetaram todos os setores da sociedade e ocasionaram mudanças culturais nesse período, constituindo um movimento chamado Renascimento cultural. Este foi o primeiro grande movimento cultural burguês dos tempos modernos e enfatizava uma cultura laica, racional, científica e não feudal.

Por isso buscava subsídios na cultura greco-romana, isto é, na Antiguidade Clássica, e é nela que se encontra o elemento central do Renascimento, o humanismo, isto é, o antropocentrismo, a valorização da vida terrena e da natureza, o humano ocupando lugar cultural até então dominado pelo divino e extraterreno.

As primeiras manifestações renascentistas surgiram na Itália. As cidades italianas de Florença, Veneza, Roma e Milão transformaram-se em grandes centros de desenvolvimento capitalista devido à reabertura do mar mediterrâneo, com as Cruzadas, reunindo condições necessárias para que o Renascimento se desenvolvesse. Nessas cidades surgiram os mecenas, patrocinadores das artes e das ciências.

Os italianos também contavam com a presença da cultura clássica em seus monumentos e ruínas e foi a esse país que se dirigiram os sábios bizantinos, pensadores formados pela cultura clássica grega, fugindo da decadência do Império Romano do Oriente. Além do mais, as influências que sofriam dos árabes, povo que apresentava muitos valores referentes à Antiguidade Clássica, devido ao comércio, foram fatores que propiciaram a eclosão do Renascimento nesse país, que logo atingiria o restante da Europa ocidental.

O Renascimento e a Música

Num breve destaque às principais características e transformações da música na Renascença, primeiramente se pode dizer que foi uma era em que se desenvolveu e se valorizou extremamente a polifonia vocal, já que a grande maioria da música deste período foi composta pensando em vozes independentes organizadas verticalmente por regras de consonância e dissonância, regras de contraponto, e a própria polifonia erudita – escrita e teórica – se desenvolveu a partir do canto (organum). Além disso, o pensamento dessa época foi extremamente influenciado pela filosofia clássica que valorizava muito a união entre música e palavra – o canto.

A polifonia existia desde a Idade média. No entanto, no século XIV surge um novo estilo de composição na França, a Ars Nova, caracterizado por seus ritmos e inflexões melódicas complexos e pela preferência ao uso dos intervalos de terças e sextas (consonâncias imperfeitas) em tempos fortes e movimentos paralelos. Percebese na música francesa e italiana um sentido harmônico, principalmente na prática da música ficta, em que algumas notas eram alteradas para modificar o caráter de certos intervalos em cadências e tratamento do trítono, por exemplo.

No século XV, uma técnica de composição inglesa afeta toda a composição, é chamada de fauxbourdon. Esta era uma composição a duas vozes que evoluíam em sextas intercaladas com oitavas, às quais eram acrescentadas uma terceira voz que movia-se uma quarta abaixo da voz soprano. Deste modo, propunha uma sonoridade homofônica dando ênfase à voz aguda.

O século XVI é marcado por influências do pensamento clássico na música, que concebe a música como força que educa e incita as paixões do homem, além de dar extremo valor às palavras que a compõem, uma vez que música e poesia era uma coisa só. Sendo assim, os compositores passam a se preocupar com a adaptação da música ao texto e utilizam para isto, modos que correspondem e expressão diversos estados de espírito.

No início desse mesmo século, a música impressa surge como atividade comercial e, em todo o período, a música instrumental adquire maior importância. Os instrumentos de corda dedilhada foram muito apreciados na Renascença e participavam ativamente no repertório musical da época. Dentre os vários instrumentos da época, dois foram muito populares: o alaúde e a vihuela.

História da Música Renascentista

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