História da Mudança no Processo Feudal

O longo período de guerras, invasões e migrações que marcaram a Europa desde o século III encerrou-se no século IX. A partir daí assiste-se a uma relativa estabilidade, o que nos permite vislumbrar a consolidação do Modo de Produção Feudal que estivera em formação desde a crise do Império Romano, passara pelas invasões bárbaras, pela expansão árabe e se concluíra com as invasões normandas sobre o que restara do Império Carolíngeo. Atingindo seu pleno funcionamento, pode-se ao mesmo tempo observar a dinâmica do Feudalismo, o seu lento processo de transformações.

A relativa “paz”, aliada à forma de trabalho servil, levou a algumas inovações técnicas, como a arado de ferro, o cavalo como animal de tração e especialmente o rodízio dos campos. Tais inovações, juntas com a ausência de grandes guerras, permitiram um aumento da produção e da produtividade, ocorrendo ao mesmo tempo um crescimento da população.

Dada a rigidez da estrutura feudal, o aumento de população leva a que se formem excedentes de população e, portanto, a uma redivisão do trabalho e da produção. Assim, se inicialmente não há uma especialização do trabalho, ou seja, o servo faz todo tipo de trabalho, agrícola ou artesanal além de efetuar ele mesmo as trocas, o conjunto de mudanças descritas acima levará aos poucos a uma especialização do trabalho – uns só plantam, outros são artesãos e outros comercializam.

Vale dizer que todos se vêem obrigados a trocar. Além disso, os feudos vão deixando de ser auto-suficientes, vão também especializando sua produção, o que de um lado aumenta o excedente e de outro traz todas as carências. Há que se trocar, pois, entre os feudos ou as regiões. O que está descrito nos dois parágrafos anteriores – especialização do trabalho e especialização da produção – implica necessariamente na generalização das trocas, ou seja, do comércio.

E esse processo é conhecido como Renascimento Comercial. À medida que o comércio se torna imprescindível, passa também por um processo evolutivo. Em geral, começa com as FEIRAS que se fazem em locais de acesso mais fácil, apenas em algumas épocas do ano. A necessidade de trocar permanentemente e de fixar o comércio, leva a que alguns nobres façam acordos com os comerciantes para que se estabeleçam do lado de fora dos castelos, FORIS BURGO, mediante o pagamento de certas taxas para os nobres.

Com o passar do tempo, ou por guerras ou por acordos, os comerciantes obtiveram cartas de franquia, e o BURGO transforma-se na cidade. A este processo se dá o nome de Renascimento Urbano. Inicialmente, todo habitante do burgo é um burguês. Com a dinâmica das atividades urbanas, observa-se lentamente a divisão de classes sociais dentro das cidades. Comércio e artesanato são as atividades básicas do burgo.

Nota-se que alguns comerciantes tornam-se muito ricos e outros não, assim como os Mestres de Ofício começam a passar esse “status” em herança, bloqueando a ascensão de aprendizes e oficiais ou companheiros, que existia originalmente nas Corporações de Ofício. Sendo assim, passamos a ter um Patriciado Urbano (ou grande burguesia) e um proletariado urbano. A expansão do comércio para além do âmbito da cidade obriga a que se pense à ampliação do mercado, da rede de trocas, bem como sua delimitação territorial, o que leva ao nascimento do conceito de Nação, bem como o estabelecimento de facilidades, ou de liberdade para trocar.

Para tanto, é imprescindível que desapareça o particularismo político, o poder político fragmentado, que dá aos nobres o poder de ter um exército próprio, de fazer suas próprias leis, de cobrar seus próprios impostos e fazer suas próprias moedas. Esse poder da nobreza é um estorvo para os comerciantes, para a burguesia, que passa a se opor à nobreza, buscando a aliança com os reis.

Essa luta da burguesia contra a nobreza far-se-á militarmente se necessário, mas será feita também em termos de idéias, de valores, de conhecimentos, de visão de mundo, de estética. É para atender a essa necessidade que nascem as Universidades.

Nas situações em que a aliança Rei-burguesia saiu vitoriosa sobre a nobreza, formaram-se as Monarquias Nacionais, unificando o mercado, com um só exército, uma só lei, uma só moeda, e reunindo recursos financeiros e técnicos para as Grandes Navegações, que por sua vez levaram aos Grandes Descobrimentos e, portanto, criaram o mercado mundial.

História da Mudança no Processo Feudal

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