Governo José Sarney (1985-1990)

Ter José Sarney como presidente no processo de transição do regime militar para o governo civil foi uma decepção para grande parte das oposições políticas. Em sua carreira, Sarney oferecera apoio, direto ou indireto, à ditadura militar. Fora presidente nacional do PDS (partido governista) e, na liderança desse partido, ajudou a derrubar a emenda constitucional que restabelecería as eleições diretas para presidente.
Tentando superar essa imagem negativa, Sarney, logo no início de seu governo, garantiu honrar os compromissos políticos assumidos por Tancredo Neves.
Nessa época, milhões de brasileiros sofriam o drama da fome, da desnutrição, da falta de moradia e de péssimas condições de saúde. Era urgente melhorar as condições sociais. Porém, os economistas do governo acreditavam que nenhuma política social daria resultado se a inflação não fosse combatida.

0 Plano Cruzado

Em 28 de fevereiro de 1986, a equipe econômica do governo, liderada pelo ministro da Fazenda, Dilson Funaro, tomou iniciativas de grande impacto para combater a inflação. Era o Plano Cruzado, cujas medidas de maior destaque foram:
• congelamento dos preços das mercadorias;
• extinção do cruzeiro e criação de uma nova moeda, o cruzado;
• fim da correção monetária;
• congelamento dos salários, que seriam reajustados automaticamente sempre que a inflação atingisse 20% (o chamado “gatilho salarial”).
O Plano Cruzado foi muito contestado por vários setores da sociedade e da política, entre eles parlamentares do PT e do PDT, setores do empresariado e organizações sindicais. Diziam, por exemplo, que os trabalhadores tinham sido prejudicados, pois os preços das mercadorias foram congelados no pico, enquanto os salários foram congelados pela média dos últimos seis meses. Muitos empresários alegavam que o congelamento era contra as leis de mercado e que a principal causa da inflação brasileira eram os gastos excessivos do governo.
Apesar das críticas, grande parte da população apoiou o plano e foi às compras com as tabelas oficiais de preços para fiscalizar e protestar contra as remarcações.
Mas a euforia durou pouco. O congelamento de preços foi, aos poucos, derrubado por produtores e comerciantes. Diversos produtos sumiam do mercado e só reapareciam mediante o pagamento de ágio.
Longas filas formavam-se para a compra das mercadorias essenciais, e o Plano Cruzado fracassou.

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