História de Roma

Monarquia: Na monarquia romana, o rei exercia funções executiva, judicial e religiosa. O Senado, composto pelos patrícios, tinha o poder de vetar as leis apresentadas pelo rei. A assembléia dos cidadãos votava as leis. A estrutura social em Roma, neste período, estava dividida nas seguintes classes sociais.

Sociedade Romana

Patrícios
Clientes
Plebeus

A crise da monarquia em Roma esteve associada ao domínio etrusco sobre a cidade. O rei etrusco Tarquínio, o Soberbo, ao se aproximar da plebe para exercer seu poder em detrimento da nobreza patrícia, foi derrubado, em 509 a.C., instalando-se em Roma, uma República.

A REPÚBLICA (509 A 27 A.C.)

A implantação do regime republicano em Roma significou a afirmação do poder do Senado, representante exclusivo dos interesses dos patrícios. O Senado controlava a administração e as finanças, além de decidir pela guerra e pela paz. O Senado passou a ser o órgão político mais importante. Seus membros eram vitalícios e além de legislar, decidiam todas as questões importantes da política interna e externa. A Assembléia Centuriata era outro órgão de suma importância, elegendo os Cônsules e votando as leis, sempre resguardando o direito dos proprietários.

As atribuições religiosas cabiam ao colégio dos Pontífices, que interpretava os costumes e a tradição e aplicava a lei costumeira (não existiam leis escritas). Os cidadãos faziam-se representar na Assembléia Centurial, isto é, em grupos de centúrias, cuja função era propor leis e escolher os magistrados.

O predomínio, também aqui, era dos patrícios, que constituíam 98 centúrias contra 95 dos plebeus. Uma vez que o voto era por centúria, a aristocracia patrícia controlava as decisões. Por sua vez, o poder executivo em Roma ficou a cargo das chamadas magistraturas, ocupadas por patrícios e eleitas pela Assembléia Centuriata:

• Cônsules: em número de dois, propunham leis e presidiam o Senado, a Assembléia e comandavam o exército. Eram os representantes do Estado. Os cônsules eram os principais magistrados.

• Pretor: administrava a justiça.

• Censor: fazia a contagem da população (censo), e controlava a moral através da censura. Elaborava o “Álbum Senatorial”, isto é, a lista dos senadores.

• Edil: era encarregado da administração da cidade, da sua conservação e policiamento.

• Questor: cuidava da arrecadação dos impostos.

• Ditador: em épocas de crises e guerras era escolhido um ditador, que governava pelo prazo de seis meses, prorrogável, no máximo, por mais seis meses com plenos poderes. Esta estrutura política acabou por marginalizar a maior parte da população, constituída pelos plebeus. Afastados da propriedade e, além disso, sujeitos à escravidão por dívidas, os descontentamentos levaram ao aprofundamento da luta de classes.

AS REVOLTAS DA PLEBE

O início da República foi marcado por intensas lutas de classes. Os plebeus, eram manipulados pelos patrícios para iniciar o processo de expansão, necessitavam dos plebeus como soldados romanos.

Enquanto Roma aumentava o seu território, às custas dos povos vizinhos, os patrícios se apropriavam da maior parte das terras, aumentando assim a quantidade de camponeses sem terra e de escravos por dívidas (a contradição entre o desenvolvimento e a distribuição de renda).

Este fato fez aumentar as pressões sociais pela reforma agrária, pelo fim da escravidão e contra o desemprego que atingia a plebe, problemas estes, que chegaram a promover conflitos como, por exemplo, a Revolta do Monte Sagrado – primeira greve: ameaça de uma mudança em massa dos plebeus para outra área. Diante destas necessidades, os patrícios iniciaram um processo de concessão aos plebeus que culminou na aprovação das seguintes leis:

• O Tribunato da Plebe (493 a.C.): era composto por dois tribunos que, eleitos pela plebe em Assembléia, tinham como função defender o interesse da Plebe. A questão é que neste momento já estava ocorrendo um crescimento das atividades comerciais, produzindo uma classe de plebeus ricos, que venciam as eleições nas Assembléias, às custas do abuso do poder econômico nas campanhas. Mais tarde, o poder dos plebeus aumentou, quando foi aprovada a Lei Hortência (286 a.C.) que dava força de Lei às decisões da Assembléia popular (Comitia Tributa).

• Lei das XII Tábuas (450 a.C): o outro avanço parcial conquistado pelos plebeus foi a publicação das leis escritas, em que a plebe pretendia obter igualdade jurídica. Esta concessão deve ser entendida como uma manobra do patriciado que, sabendo das limitações do movimento popular, concederam alguns direitos a uma massa de iletrados que não saberiam, em sua grande maioria, interpretar estas leis.

• Lei Canuléia (445 a.C.): instituiu a igualdade civil, o que permitia o casamento entre patrícios e plebeus. Observa-se, neste momento histórico o crescimento das atividades comerciais, o que enriquecia uma grande quantidade de plebeus, ao passo que a desvalorização da Terra como única fonte de riqueza arruinava muitas famílias patrícias. A solução para a crise do patriciado era o casamento com plebeus ricos comerciantes, fazendo surgir assim uma aristocracia do dinheiro em Roma – classe eqüestre ou cavaleiros.

• Lei Licínia (367 a.C.): dividia o Consulado com a nomeação de um Cônsul patrício e outro plebeu, regulamentava o uso das terras públicas (ager públicos) e, o mais importante, estabelecia o critério econômico para a participação política.

• Lei Poetelia (326 a.C.): foi o maior avanço social para a plebe pobre com a concessão da libertação dos escravos por dívidas e o fim deste tipo de escravidão para os cidadãos romanos.

• Lei Ogúlnia (300 a.C.): já a igualdade religiosa foi concedida através da lei que permitiu o acesso dos plebeus aos colégios sacerdotais e ao cargo de Pontífice Máximo.

A EXPANSÃO ROMANA E SUAS CONSEQÜÊNCIAS

O início da expansão romana se dá no século V a.C., quando Roma consegue repelir o ataque de vários povos vizinhos e conquista o Lácio e a Etrúria. A partir daí, o exército romano avança e começam as conquistas que foram auxiliadas pelo enfraquecimento econômico dos povos que habitam a Península itálica e pelo bem organizado e melhor armado exército. No final do século III a.C., toda a península está sob o domínio romano.

Este tipo de política expansionista obedecia aos interesses da aristocracia rural e dos grandes comerciantes. As técnicas rudimentares de produção agrícola não permitiam o aumento e a única maneira de se aumentar esta produção era com a conquista de mais terras e mão-de-obra (escravos). A terra conquistada era convertida em ager publicus, que eram divididos em pastos comuns (uso de todos os cidadãos romanos), arrendada em pequenos lotes a camponeses e, a maior parte, era entregue em latifúndios à exploração da aristocracia escravista.

Após a unificação da Itália, os romanos se depararam com duas grandes potências: Cartago, que dominava o Mediterrâneo, e a Macedônia, que dominava o Oriente. A rivalidade entre Roma e Cartago pelas regiões comerciais e agrícolas em torno do Mediterrâneo, culminaram nas Guerras Púnicas. A guerra começou por causa do interesse da aristocracia romana na Sicília e na Espanha, que eram colônias cartaginesas. A aristocracia romana era apoiada pelos grandes comerciantes, que estavam interessados nas rotas marítimas e nos entrepostos comerciais.

A escravidão como Modo de Produção nas Posses Romanas

Eles podiam ser escravos públicos e particulares. Os escravos do Estado eram utilizados nas grandes construções, em obras urbanas, nos serviços domésticos dos templos, nas minas e pedreiras. Os escravos particulares dividiam-se em urbanos e rurais. Os urbanos desempenhavam funções domésticas, inclusive de professor, e nas oficinas artesanais (a mão-de-obra escrava serviu também para a diminuição da oferta de empregos para os homens livres e a conseqüente redução dos salários).

Esses escravos urbanos tinham também a possibilidade de ganhar sua liberdade (manumissão), enquanto os escravos rurais nunca atingiriam este privilégio. A preocupação com o escravo por parte do senhor era facilmente explicável, pois o proprietário não destruiria seu bem e se o escravo fosse extremamente maltratado, ele traria o perigo da revolta. Porém, essas revoltas não tardaram a acontecer.

Por volta do século I a.C., estouraram revoltas na Sicília (Espartacus) e na Ásia Menor. Estas regiões dominadas sempre ofereceram resistência à dominação romana que lhes privou do maior bem que um ser humano pode possuir: a liberdade. Essas revoltas não exigiam o fim do sistema escravista e sim a liberdade dos escravos revoltosos e isso acontecia porque eles não possuíam uma maior compreensão da realidade em que viviam sem possuírem uma consciência de classe.

Conseqüências

O expansionismo romano trouxe grandes mudanças para a economia agrícola da Itália. A terra foi apropriada pela aristocracia, que passou a utilizar a abundante mão-de-obra escrava, oriunda das conquistas em seus latifúndios. O baixo preço dos cereais importados levou à desvalorização das atividades dos pequenos proprietários. Estes, não podendo concorrer com a economia escravista, contraíam dívidas, sem condições de pagá-las e sob grande pressão da aristocracia acabavam por perderem suas terras. Os arrendatários perdiam espaço para os escravos. Estas camadas camponesas acabavam migrando para as cidades para viverem, na grande maioria das vezes, do ócio, Nas cidades, estes desocupados só tinham um bem para venderem, o voto, que era avidamente disputado pelos políticos oportunistas.

A influência cultural helenística foi marcante, principalmente após a anexação da Grécia e Macedônia, no século II a.C. O conhecimento do idioma grego tornou-se imprescindível para o comércio e símbolo de prestígio social. Escravos gregos eram utilizados na educação da elite romana. A cultura romana, como parte de um sistema escravista, também se encontrava corrompida pelos costumes gregos (helênicos).

O crescimento da personalização do poder, que tem o seu ápice durante o período imperial, também pode ser usado como exemplo de influência da cultura helênica na política. Deve-se, contudo, ressaltar que as conquistas significaram o fortalecimento político daqueles que eram os reais responsáveis pela riqueza e glória de Roma, os Generais. As contradições existentes entre o desenvolvimento e a miséria do povo, aliadas ao prestígio político do exército e o desenvolvimento da classe de comerciantes (antigos plebeus ricos) conseqüentemente reduzem a capacidade do Senado e das instituições republicanas de continuarem controlando a vida política romana.

A CRISE DA REPÚBLICA

A crise Social e as Tentativas de Reforma Agrária dos Irmãos Graco:

Os irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos sucessivamente tribunos da plebe, procuraram solucionar a crise da República, através da realização de reformas que atendessem às reivindicações dos desempregados e dos cavaleiros. A violenta reação da aristocracia impediu, entretanto, a concretização dessas reformas populares. Em 133 a.C., Tibério Graco foi eleito tribuno da plebe e conseguiu a aprovação de uma lei agrária, que limitava a extensão dos latifúndios e autorizava a distribuição de terras para os desempregados.

Tais tentativas encontraram forte oposição da aristocracia que, embasada numa falsa acusação, irá executar Tibério como um traidor. Em 123 a.C., Caio Graco, irmão de Tibério, sendo eleito Tribuno da Plebe, retoma as propostas de seu irmão.

Para conseguir apoio dos cavaleiros, faz aprovar uma lei judiciária, aumentando o poder destes na administração do Estado. Conseguiu ainda a aprovação da Lei Frumentária, que obrigava o Estado a vender trigo mais barato para os mais pobres. Suas propostas, principalmente com relação à reforma agrária, batem de frente com os interesses da classe aristocrática e esta o força a cometer suicídio em 121 a.C.

Ditaduras de Mário e Sila (107-79 a. C)

Mário, ligado à classe dos cavaleiros, é eleito Cônsul em 107 a.C; dentre suas realizações, temos:

• Profissionalização do exército, que criou uma maior devoção do soldado ao comandante do que à República;

• Implantação uma ditadura, com o apoio do exército;

• Redução o poder do Senado e dos privilégios da aristocracia;

• Concessões aos cavaleiros. Mário morre em 86 a.C. e é sucedido por Sila. Este, apoiado pelo Senado, liderará a reação da aristocracia, reimplantando seus direitos e caçando os direitos dos cavaleiros. Morre em 79 a.C., deixando Roma mergulhada em uma profunda crise social e política, que se reflete nas diversas rebeliões que se instaurarão neste período, das quais destacando-se:

• Rebelião do Sertório – ocorrida em 78 a.C., na Espanha, e vencida pelo Gen. Pompeu.

• Rebelião de Espártaco – ocorrida em 73 a.C. no sul da Itália, foi uma rebelião de escravos, tendo à frente um gladiador de grande prestígio (Espártaco), reuniu cinqüenta mil escravos e foi vencida por Crasso em 71 a.C;

• Conspiração de Catilina – O líder do partido popular arquitetava um golpe. Foi descoberto, denunciado e morto, junto com três mil seguidores na região de Pistóia.

Os Triunviratos e a Ditadura de César

A administração do vasto império romano foi dividida da seguinte forma: Roma e regiões vizinhas, para Pompeu, o Oriente, para Crasso e a Gália, para César. Após a morte de Crasso, a elite dominante romana, temendo o poder e o prestígio adquiridos por César (mais ainda após as conquistas na Gália) assume declaradamente a defesa da concentração do poder nas mãos de Pompeu e afasta-se de César, por causa de suas ligações com o partido democrático.

Neste momento, Roma vivencia mais uma guerra civil pelo poder. César, comandando um forte exército, marcha sobre a cidade e assume o poder. Após sua vitória, o Senado, sem poder reagir, lhe confere o título de Ditador vitalício. O Estado romano dirigido por César suprimiu o poder do Senado e não concedeu às camadas populares nenhuma mudança estrutural, porém, contava com amplo apoio popular, dos exércitos e dos cavaleiros. Em seu curto governo, a cidadania romana foi estendida a muitos habitantes das províncias, claro, em troca de apoio e estabilidade.

Fundaram-se mais colônias fora da Itália e suas terras foram distribuídas aos veteranos de guerra. Reformou-se o calendário (calendário Juliano), modernizou-se as administrações provinciais, iniciou-se um processo de romanização das regiões conquistadas (invasão cultural) e realizou-se grandes obras públicas contratando trabalhadores livres desempregados. A centralização do poder e sua administração – preocupada com concessões às camadas populares, não por consciência e sim por pura necessidade de uma ampla base de apoio político e contra os levantes sociais que poderiam desestabilizar seu governo – soariam como uma ameaça aos interesses das camadas proprietárias dirigentes.

Esta ameaça ao poder político da elite patrícia – vai ter uma única solução, o assassinato de César, numa conspiração, dentro do Senado Romano. A conspiração e morte do Ditador Vitalício não contaram com o apoio da população da Itália, de Roma e da maioria do exército, intensificando-se assim, novamente, as lutas pelo poder em Roma. Com o aumento das possessões romanas (busca de terras, escravos, riquezas), dificultava a administração, aumentava o perigo das revoltas nas regiões conquistadas e acabava por valorizar uma de suas classes sociais, os militares, cujo apoio era disputado por todas as correntes políticas de Roma. Porém, os chefes militares de maior evidência, Marco Antônio, Lépido e Otávio (filho adotivo de César) fizeram um acordo e receberam poderes limitados da Assembléia Popular. As províncias foram divididas da seguinte forma: Marco Antônio governaria o Oriente, Otávio o Ocidente e Lépido a África.

A Itália seria governada pelos três. Os problemas entre os Triunviros logo apareceram, pois todos queriam a centralização do poder político. Otávio destitui Lépido e tem sua aliança com Marco Antônio rompida por este, publicamente. Marco Antônio, apaixonado, e para assegurar base econômica e militar, faz sua aliança com Cleópatra, governante do Egito.

A guerra direta (32 a.C.) e irremediável entre eles só vai terminar na batalha naval do Ácio. Derrotados, Marco Antônio e Cleópatra suicidam- se e o Egito é anexado a Roma como uma de suas províncias. O fim do Estado descentralizado, da pólis independente, da politicagem corrupta e nepótica dos senadores, serão substituídos pela Autocracia, baseada na força com amplo apoio popular. Isto nos demosntra a espectativa de mudança que o povo romano, povo mesmo, estava vivendo.

ALTO IMPÉRIO

O retorno de Otávio a Roma foi marcado por uma recepção gloriosa e pela expectativa de que ele se tornaria o salvador da República. Otávio recebeu do Senado o título de Princeps (primeiro cidadão), primeira etapa para tentar obter o título de Imperador (o supremo). O governo monárquico e autoritário de Otávio Augusto (autocracia), manteve as aparências republicanas através do funcionamento de suas instituições (Senado e Magistraturas), iniciando o período do Principado, que foi a primeira fase do Império Romano. Como prova disso, podemos destacar a manutenção dos privilégios sociais dos Senadores e uma certa influência política, conforme o apoio prestado ao governo de Otávio. O auge da crise republicana, com o esmagamento do movimento popular, as crises entre as classes dominantes e o seu respectivo desgaste político, abrem o caminho para o poder pessoal.

O governo de Caio Otávio Augusto representava os interesses da classe dos cavaleiros (comerciantes) que lhe deram total apoio. O império foi caracterizado pelo poder político entregue nas mãos dos generais do exército que administravam, visando ao desenvolvimento das atividades comerciais sem se descuidar também dos benefícios para a classe patrícia. As questões sociais no governo do Principado foram resolvidas através da distribuição de terras em novas colônias para veteranos do exército. Já, o problema da grande quantidade de plebeus que viviam no ócio na cidade de Roma era muito grande. Esta massa de desocupados e miseráveis representava um grande perigo para os proprietários. Pensando nisso, Otávio iniciou a chamada política do pão e do circo (Panem et Circensis). Esta política consistia no fornecimento de trigo e diversão a estes desempregados.

Como exemplo desta prática, podemos citar os jogos de gladiadores, os cristãos jogados para os leões, o Teatro etc.). O objetivo não era resolver o problema das classes populares e sim mantê-las em níveis aceitáveis, sem que esta população se revoltasse contra o império e os proprietários. Com esta política, desviava- se a atenção da plebe de seus verdadeiros problemas, que eram a falta de terras e de trabalho. A economia romana passou a receber o empenho pessoal do imperador, principalmente as atividades comerciais.

Criou-se uma moeda romana universal, construíram e aperfeiçoaram os portos e as estradas desenvolvendo-se assim a vida urbana, gerando conseqüentemente uma maior infra-estrutura para o comércio. O governo de Augusto vai promover, além do desenvolvimento urbano, um grande desenvolvimento cultural. Mantendo a idéia de Alexandre, o Grande, inicia-se a chamada romanização das áreas conquistadas. Este processo de dominação cultural é extremamente eficiente para a dominação de outros povos que, ao se converterem aos hábitos culturais romanos, estariam dominados ideologicamente.

O latim passou a ser a língua oficial do império, que recebia uma forte influência da cultura helenística (helênica + oriental). Os artistas romanos tiveram grande importância neste momento devido à existência do mecenato, porém suas obras retrataram a vida da elite dominante que lhes financiava o trabalho. Não podemos deixar de destacar que o mecenato era motivo de prestígio social (status).

O brilhante império de Otávio Augusto só possuiu uma grande falha, a falta de uma política de sucessão ao trono. Sem se preocupar com este assunto, Augusto, quando de sua morte, deixa uma linhagem de familiares como herdeiros do trono e estes se revelam verdadeiros indolentes.

O CRISTIANISMO E A CONTRAPROPAGANDA IDEOLÓGICA

A expansão do cristianismo em Roma merece destaque especial. Tendo sua origem na Judéia (Oriente), na época uma das províncias de Roma, a ampla difusão que ele conheceu em vastas regiões do império deveu-se a alguns fatores muito importantes, dentre eles, a unidade das fronteiras do Império, o que não impedia a circulação de pessoas. Merece especial destaque a pregação dos apóstolos Pedro e Paulo, que percorreram o império em direção à Itália. Por outro lado, a unidade lingüística na península balcânica, na Trácia e na Ásia Menor, conseguida pela difusão do “grego koiné”, facilitou a aceitação dos preceitos cristãos nestas regiões. As amplas perseguições aos cristãos foram reflexo destas desconfianças.

O imperador Nero deu início às perseguições no ano de 65. A última grande perseguição ocorreu entre 303 e 304, determinada por Diocleciano. A importância crescente do número de cristãos levou a que o imperador Constantino, por meio do Édito de Milão, em 313, concedesse liberdade de culto aos cristãos e finalmente, em 395, o imperador Teodósio oficializou o cristianismo em Roma por intermédio do Édito de Tessalônica. O cristianismo, que no início foi um movimento de grande base popular e de oposição à ordem escravista, após a conversão da elite, passa a fazer vistas grossas à questão do escravismo. Não devemos esquecer a necessidade de uma nova base ideológica para o sustentáculo deste mesmo Estado.

O Imperador centralizava o poder religioso, mostrando-se como escolhido por deus para zelar de seu povo. Opondo-se à estrutura escravocrata, o Cristianismo contribuía para o desenvolver desta crise, visto que, com o seu constante crescimento em número de adeptos, desestruturava ideologicamente a base de sustentação econômica de Roma. Some-se a isso o fato de, ao tornar-se religião oficial e unir-se ao Estado, a Igreja consumia pesadas somas em dinheiro e recebia generosas doações de terras, o que contribuiu para o esvaziamento dos cofres públicos.

O Cristianismo progressivamente foi sendo estruturado dentro de uma hierarquia rígida e ligada à estrutura estatal romana. Assumiu até as mesmas práticas da antiga religião romana, como o culto e a conservação de imagens de seus mais representativos seguidores. A estruturação do cristianismo em uma Igreja foi de tal modo eficaz que, ao final do Império Romano, ela o substituiu como instituição central, sendo fundamental para a formação da mentalidade medieval.

O BAIXO IMPÉRIO

No século I, os romanos conquistaram boa parte do mundo conhecido por eles e trouxeram uma quantidade impressionante de riquezas. Estas riquezas garantiram a estabilidade e a tranqüilidade romana no século II. Porém, a opulência, o luxo e a arrogância foram condutores para a indolência e a corrupção, que marcaram a crise de Roma e seu sistema de dominação.

A Dinastia dos Severos e a Divisão do Poder e do Estado

Durante a dinastia dos Severos, ainda no século III, a indolência de seus imperadores vai propiciar uma nova onda de lutas pelo poder entre as Legiões, a Guarda Pretoriana e o Senado, aumentando o desequilíbrio administrativo do Estado. A importância das províncias foi oficializada a partir do Édito de Caracala (Imperador Caracala) que concedia a cidadania romana aos habitantes livres do império. Esse fato, se por um lado favorecia o império com o aumento da tributação, por outro prejudicava, pois admitia a independência das regiões provinciais.

Diocleciano vai instituir o imposto “in natura” devido ao estrangulamento do comércio dificultado pelas guerras e pela tendência de auto-suficiência regional e o Édito do Máximo, que tabelava preços e salários. Já o seu sucessor, Constantino, decretou a fixação do homem à terra em que trabalhava, e nas atividades comerciais e artesanais foi decretada a hereditariedade. Tudo isso para facilitar a tributação e não aumentar a falta de mão-de-obra nestes setores econômicos.

Constantino também será responsável pelo reconhecimento do cristianismo enquanto religião permitida pelo império (Édito de Milão). Esta postura do governo visava à tentativa de aumento do apoio popular a seu governo. Outro fato imensamente relevante do governo de Constantino foi a reconstrução da antiga colônia grega de Bizâncio, que agora passa a receber o nome de Constantinopla, uma cidade nova, bem estruturada, colocada em uma região estratégica, tanto em nível político como militar e comercial.

A Crise Final do Império Romano

A crise mais geral do escravismo e o colapso da Antigüidade Clássica aceleram-se progressivamente nos séculos IV e V. A crise econômica do Ocidente levou a soluções como a produção de subsistência, a técnica agrícola decaiu, as áreas de cultivo reduziram, a produtividade do solo diminuiu. Os pequenos proprietários arruinados buscavam proteção nos grandes latifundiários. Assim, surge o Patrocínio – o homem livre obrigava-se a cultivar um lote de terra para um grande proprietário em troca desta proteção. O Colonato – trabalho na terra em troca de uma porcentagem –, foi um outro tipo de instituição assimilada dos germânicos. Essa instituição passou a fazer parte da nova forma de produção e ganhou espaço durante a crise.

A crise do estado escravista romano caracterizou- se pela descentralização político-adminstrativa do império (ao fim do império de Constantino), pelo avanço dos bárbaros, pela disputa permanente pelo poder entre os vários chefes militares romanos, pela contra-propaganda ideológica do cristianismo, pela influência crescente do Oriente, as rebeliões de escravos e camponeses e, acelerando o colapso da ordem imperial do Ocidente, pelas migrações bárbaras. Em 476, os hérulos, sob o comando de Odroaco, destronaram o último Imperador romano do Ocidente, Rômulo Augusto. Após lenta evolução das ruínas da sociedade escravista, nasceria a sociedade feudal.

RELIGIÃO E CULTURA

Os romanos eram politeístas e a religião era utilizada como um dos fundamentos da autoridade do Estado. Interpretando a vontade dos deuses, os sacerdotes apontavam o que era lícito e ilícito em termos de comportamento público. E é claro que essa “vontade dos deuses” era largamente manipulada ao sabor dos interesses das classes mais poderosas. Os romanos assimilaram dos gregos uma série de divindades, que foram rebatizadas com nomes latinos. Refletindo o caráter prático e utilitário da cultura romana, além da influência grega, a religião baseava-se num princípio utilitarista: eu dou algo aos deuses (cerimônias e ritos) para receber alguma recompensa (saúde, boa sorte, sucesso etc.).

A escultura e a pintura romana estiveram muito ligadas à arte decorativa, principalmente na produção de bustos, estátuas, quadros e pinturas de seus heróis. A colaboração romana para a ciência oriental foi pequena, restringindo-se apenas à utilização do conhecimento grego e dos povos orientais. Por outro lado, as instituições republicanas romanas, suas leis, o exercício da cidadania e a estrutura administrativa influenciaram profundamente todo o mundo ocidental.

O direito é uma das grandes contribuições legadas pelos romanos à civilização ocidental. Desenvolveu- se, em Roma, na medida em que uma das preocupações básicas do Estado era regular, por meio de normas jurídicas, o comportamento social da numerosa população do vasto império.

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