História da Era Vargas

GOVERNO PROVISÓRIO

O governo provisório tinha dois problemas fundamentais para enfrentar: acabar com a crise econômica e criar um sistema político que lhe assegurasse condições de governar. As primeiras medidas políticas visavam à centralização e ao fortalecimento do Estado ao nomear os chefes do movimento tenentista como interventores nos estados, selando assim o apoio dos militares ao seu governo.

Com relação à política econômica interna, o governo adiou o prazo para o pagamento das dívidas dos produtores, cancelando, inclusive, parte destas dívidas. Em 1931, com o objetivo de regularizar e proteger a produção cafeeira, que ainda era o carro chefe da nossa economia, reiniciou a política de valorização do café. Porém, agora, os produtores de café teriam que arcar com uma parcela maior dos seus próprios prejuízos.

A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932

O primeiro grande problema enfrentado pelo governo provisório foi a “Revolução” Constitucionalista de 1932. Os grandes fazendeiros, a burguesia, os intelectuais, os estudantes, a classe média e parte do operariado paulista enfrentaram as tropas federais lutando pela convocação de uma Assembléia Constituinte e pela deposição do interventor de São Paulo que era paraibano.

Essa luta pela reconstitucionalização do país era um pretexto para os políticos paulistas, ligados à cafeicultura, retornarem ao poder, pois as bases do sistema político ainda obedeciam ao esquema coronelista.

A repressão ao movimento foi muito grande e após a vitória das tropas federais, Vargas nomeou um interventor paulista e publicou, por meio de decreto, o novo Código Eleitoral que estabelecia o voto secreto e feminino, além da representação classista, isto é, tanto os sindicatos de patrões e empregados elegeriam deputados que participariam também da Assembléia Constituinte, que teve suas eleições marcadas para maio de 1933.

A CONSTITUIÇÃO DE 1934

A nova Constituição avançou bastante no sentido de proteger a independência brasileira através de uma política de nacionalização e estatização através do contrato estatal de empresas nacionais e internacionais por interesse geral da nação, da exploração do subsolo por concessão estatal e da nacionalização de todos os meios de comunicação de massa.

As conquistas trabalhistas foram incluídas na nova Constituição, que proibia a diferença de salários entre sexo, idade, nacionalidade e estado civil. Ficaram também estabelecidos: salários mínimos regionais, jornada de trabalho de 8 horas diárias, descanso semanal remunerado, férias anuais remuneradas, indenização do trabalhador em caso de demissão por justa causa e a regulamentação das profissões. Permitia- se também a formação de sindicatos que seriam ligados diretamente ao Ministério do Trabalho como uma forma para controlar as organizações operárias.

O GOVERNO CONSTITUCIONAL DE VARGAS E OS PARTIDOS POLÍTICOS

A política interna no Brasil após a nova Constituição permitiu o surgimento de dois partidos que, refletindo as tendências da política internacional, se dividiam em correntes ideológicas opostas.

A Ação Integralista Brasileira (AIB), fundada em 1932, tinha um forte apelo nacionalista. Queria o povo trabalhando unido pelo país, sem divergências de classe. Sindicatos, partidos e associações independentes não deveriam existir, pois dividiriam a nação. O governo seria exercido por um único partido e por um líder que concentrasse ditatorialmente o poder e conduzisse a nação à prosperidade e à felicidade.

Os integralistas eram chamados de Camisas Verdes (cópia dos camisas negras de Mussolini) e se cumprimentavam com o braço erguido pronunciando uma saudação indígena, Anauê (cópia do nazismo). Os integralistas eram inimigos mortais dos comunistas, atribuindo a eles o desejo de desunir a nação, a família, a propriedade privada e a religião.

A esquerda brasileira estava unida na Aliança Nacional Libertadora (ANL), fundada em 1935, possuindo uma receita mais consistente de prosperidade e felicidade para a nação brasileira.

A esquerda queria um governo que suspendesse o pagamento da dívida externa, nacionalizasse as empresas multinacionais, protegesse os pequenos e médios proprietários, fizesse a reforma agrária, ampliasse as liberdades individuais e instaurasse um governo popular e democrático.

A PREPARAÇÃO PARA O GOLPE DE ESTADO

Valendo-se da aprovação da Lei de Segurança Nacional, ainda em 1935, Getúlio Vargas fechou a ANL e iniciou uma perseguição ferrenha aos seus membros. Diante da repressão, os militares, membros da ANL, tentaram a tomada do poder através de uma insurreição militar que ficou conhecida como Intentona Comunista de 1935. A tentativa de dominar os quartéis militares das cidades do Rio de Janeiro e Recife foram frustradas logo no início e somente em Natal os revoltosos conseguiram o controle por um pequeno espaço de tempo.

As agitações sociais foram aumentando a sua intensidade por causa de problemas políticos e também da crise financeira do café que gerava inflação. Este clima foi muito bem utilizado por Getúlio Vargas que, juntamente com as elites dominantes, os militares e os integralistas, lançou mão de um plano, elaborado pelos próprios integralistas e divulgado pelos meios de comunicação de massa que levaria à morte da democracia e o surgimento de uma ditadura com características fascistas.

A farsa, chamada de Plano Cohen, pregava a tomada do poder pelos comunistas que destruiriam a família, a propriedade e a religião. Utilizando-se do pretexto do “perigo vermelho”, Getúlio, com o apoio da elite dominante, fecha o Congresso e dissolve os partidos políticos. No mesmo dia, Vargas apresenta à nação brasileira a Constituição de 1937, que deveria ser observado.

História da Era Vargas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para o topo