Guerra dos Emboabas

Os paulistas, descobridores do ouro de Minas Gerais, sentiam-se no direito de explorá- lo com exclusividade. Entretanto, muitos portugueses vindos da metrópole ou de outras partes
da própria colônia também queriam apoderar-se das jazidas descobertas. A tensão cresceu quando os portugueses passaram a controlar o abastecimento de mercadorias para a região das minas.
Ocorreram, então, entre paulistas e portugueses, violentos conflitos que ficaram conhecidos como Guerra dos Emboabas.
Muitos na colônia chamavam os portugueses de emboabas, palavra de origem tupi que significa “aves de pés cobertos”: uma referência às botas que usavam, em contraste com os mestiços paulistas das bandeiras, que andavam descalços. O termo emboaba passou a ser usado, posteriormente, para designar os portugueses oponentes dos paulistas, com o sentido de forasteiro, pessoa que vem de outra região.


O principal chefe dos emboabas foi Manuel Nunes Viana, rico pecuarista da região do rio São Francisco que liderou tropas contra os paulistas, vencendo-os em Sabará e Cachoeira do Campo.
O conflito teve fim em 1709, no chamado Capão da Traição, quando muitos paulistas foram mortos por um exército emboaba de cerca de mil homens, comandados por Bento do Amaral Coutinho.
Procurando evitar novos conflitos, o governo português interveio na região e passou a exercer firme controle econômico das minas. Além disso, o rei de Portugal, D. João V, elevou São Paulo à categoria de cidade. Criou a capitania de São Paulo e Minas Gerais do Ouro (desmembrada do Rio de Janeiro), que seria dividida, em 1720, nas capitanias de São Paulo e de Minas Gerais.
Como o final da Guerra dos Emboabas foi desfavorável aos paulistas, eles passaram a procurar novas jazidas de ouro em outras regiões do Brasil, o que resultou na descoberta do metal nos atuais estados de Mato Grosso (1718) e Goiás (1725), territórios pertencentes na época à capitania de São Paulo.

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