O sucesso pode gerar arrogância, orgulho e vaidade. Parece ter sido isso que aconteceu com Atenas nos cinqüenta anos que se seguiram à derrota dos persas em Maratona, Salamina e Platéia. Inflamada com a vitória naval de Salamina, Atenas passou a construir um império próprio no mar Egeu. Pequenas ilhas logo descobriram que precisavam pagar impostos a Atenas para manter sua posição na Liga Délia, uma associação criada para repelir futuros ataques persas. Quando a ilha de Melos se recusou a pagar o imposto, os atenienses a atacaram, capturaram seus habitantes e os venderam como escravos. Os outros gregos, fossem de Esparta, Corinto ou Tebas, talvez tenham se perguntado se o domínio ateniense seria melhor que uma ocupação persa.
Esparta, potência localizada na região sul da Grécia, emergiu como único grande oponente de Atenas. Os guerreiros espartanos eram conhecidos por sua dedicação e bravuraa. Após uma séria de manobras e contramanobras diplomáticas, Atenas e Esparta entraram em guerra – era o início da longa e cruel Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.).
Liderados por Péricles (495-429 a.C.), os atenienses evitaram confrontar os espartanos em combate aberto. Deixaram o inimigo destruir os vinhedos nas redondezas de Atenas enquanto permaneciam em segurança atrás dos muros da cidade e mandavam frotas para atacar Esparta por mar. Essa estratégia foi vantajosa nos primeiros dois anos de guerra, mas então, Atenas foi atingida por um terrível praga, que matou muitos de seus melhores homens, inclusive Péricles. A guerra de arrastava, sem conclusão à vista.
Atenas desperdiçou muitos homens e dinheiro em uma tentativa fracassada de capturar a cidade de Siracusa, na Sicília, uma aliada de Esparta. Enquanto isso, os espartanos desenvolviam sua própria frota – com o auxílio da Pérsia, inimiga de todos os gregos. Logo começaram a ameaçar o abastecimento de alimentos de Atenas. Totalmente dependentes dos grãos trazidos à cidade por navio através do mar Negro,  os atenienses atacaram os espartanos por mar. Esparta venceu a Batalha de Egospótamo em 404 a.C., encerrando definitivamente a guerra. Segundo os termos do tratado de paz, Atenas era obrigada a derrubar seus muros de proteção, a renunciar a seu império marítimo e a permitir a hegemonia espartana na Grécia. Embora a longa guerra tivesse terminado, outras cidades-estado gregas viriam a ressentir Esparta tanto quanto tinham invejado Atenas.

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