História do Governo de João Goulart (1961- 1964)

O GOVERNO JOÃO GOULART (1961- 1964)

O passado Getulista de Goulart, além de suas ligações com os sindicatos e sua proposta reformista e nacionalista, levou à formação de duas correntes de opiniões.

Uma, opositora, liderada por Carlos Lacerda e representantes da UDN, que procurou, com o apoio de setores militares, impedir a posse de João Goulart, sob a alegação de que o mesmo se ausentara do país sem autorização, logo, ficando impedido de tomar posse.

Outra corrente defendia a legalidade constitucional, apoiando a posse de Goulart, já que o mesmo estava representando o governo brasileiro e, portanto, em condições legais de assumir o governo.

Para que a posse ocorresse, foi necessário um acordo político entre as duas correntes, resultando deste acordo a adoção do sistema parlamentarista de governo, em setembro de 1961.

Contando com um forte apoio popular, Jango convocou, conforme o acordo, o plebiscito para 6 de janeiro de 1963, onde o povo foi consultado sobre a manutenção ou não do sistema parlamentarista. O resultado foi a vitória esmagadora do presidencialismo, devolvendo, assim, os poderes retirados, em 1961, a João Goulart.

A crise econômica, no entanto, era uma realidade, obrigando o Ministro do Planejamento e da Coordenação Econômica, Celso Furtado, a implementar o chamado Plano Trienal, que havia sido elaborado ainda durante o período parlamentarista, para combater os problemas de ordem econômica.

Como exemplo das medidas do Plano Trienal, o presidente, após o plebiscito, começou a preparar o Programa de Reformas de Base, incluindo:

• A reforma agrária, com a divisão dos latifúndios;
• A reforma eleitoral, com o voto dos analfabetos;
• A reforma universitária, ampliando as vagas nas faculdades públicas e acesso de estudantes a órgãos diretivos educacionais.

Tais medidas atendiam aos setores populares e rurais da sociedade brasileira, inclusive às Ligas Camponesas, organizadas por Francisco Julião, que acenavam com a perspectiva de uma revolução camponesa socialista, nos moldes da ocorrida em Cuba.

A reação dos proprietários rurais e de setores da burguesia não demorou. Uma semana após o comício, cerca de 400.000 pessoas realizavam a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, demonstrando o descontentamento com o governo.

Para agravar ainda mais a crise política, Jango apresenta proposta de participação política de suboficiais das Forças Armadas, provocando, desta forma, um movimento de confrontação entre a oficialidade e os sargentos e marinheiros.

Jango acabou sendo totalmente abandonado pelos militares legalistas. A greve geral, decretada pela CGT fracassou e as manifestações civis foram facilmente reprimidas. No Rio Grande do Sul, os partidários do governador Leonel Brizola, cunhado e partidário do presidente, não resistiram e, no dia 2 de abril, João Goulart se asilou no Uruguai.

História do Governo de João Goulart (1961- 1964)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para o topo