Governo Collor
( 1990-1992)

Após quase 30 anos sem eleições diretas para presidente da república, os eleitores brasileiros puderam exercer esse direito nos dias 15 de novembro e 17 de dezembro de 1989 (em primeiro e segundo turnos). Ao final de uma agitada campanha eleitoral, o candidato vitorioso foi o ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello (PRN), que, no segundo turno, derrotou por uma pequena diferença de votos Luís Inácio Lula da Silva (PT). Collor, em campanha eleitoral, expunha uma imagem de político renovador, preocupado em combater os marajás (funcionários com altos salários que desfrutam as mordomias do serviço público) e em modernizar a administração do Estado. Tinha como programa de governo privatizar empresas estatais, combater os monopólios, abrir o país à concorrência internacional e desburocratizar as regulamentações econômicas, entre outras propostas.

Um novo plano econômico
De imediato, o novo governo tomou medidas drásticas para combater a hiperinflação, que já chegara a 2 751,34% ao ano. No dia seguinte à posse, 16 de março de 1990, Collor anunciou um plano econômico que, entre outras medidas, bloqueou contas e aplicações financeiras nos bancos, confiscou cerca de 80% do dinheiro que circulava no país (incluindo o das cadernetas de poupança) e extinguiu a
moeda vigente, o cruzado, restabelecendo o cruzeiro. O impacto social do chamado Plano Collor foi violento. Grande parte da população foi obrigada a aceitar o sacrifício, tendo em vista o objetivo de conter o processo inflacionário.
Mas não demorou muito para que viessem as decepções. Após um controle inicial, a inflação voltou a crescer, e o governo foi perdendo credibilidade.

Impeachment

Depois de dois anos do mandato de Fernando Collor, começaram a surgir na imprensa do país inúmeras denúncias de corrupção envolvendo a cúpula governamental. A gravidade das denúncias levou a Câmara dos Deputados a instituir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), destinada a apurar as eventuais irregularidades. Aos poucos, foi desmontada e exposta ao público a rede de corrupção, sonegação fiscal e contas “fantasmas” do chamado “esquema PC”: uma série de negócios obscuros dirigidos por Paulo César Farias (o PC), amigo pessoal e ex-tesoureiro da campanha presidencial de Collor.Enquanto prosseguiam as investigações MONITORANDO na CPI, ruas e praças do país foram tomadas por multidões em manifestações que exigiam o impeachment (afastamento) do presidente. Nesse movimento, destacou-se a presença dos estudantes (posteriormente chamados de caras-pintadas, por terem pintado o rosto de verde e amarelo), exigindo ética e dignidade na vida pública brasileira. Ao final dos trabalhos, a CPI incriminou o presidente Collor por esmagadora maioria de votos. Estava aberto o caminho legal para o impeachment, que foi aprovado pela Câmara Federal em 29 de setembro de 1992. Assim, Fernando Collor foi impedido de exercer a função de presidente da república para ser julgado pelo Senado Federal.

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