História dos Estados Unidos (Superpotência)

OS EUA: SUPERPOTÊNCIA

O término da 2ª Guerra Mundial, após as duas bombas atômicas lançadas sobre o Japão em agosto de 1945, colocou os Estados Unidos como a maior potência econômica e militar do mundo. A União Soviética surgia como uma segunda superpotência, aparentando rivalizar com os EUA. A fragilidade relativa dos soviéticos, no entanto, custou a ser evidenciada.

Havia, concretamente, uma disputa de influência sobre o mundo entre os dois grandes vencedores do conflito mundial. Os EUA eram, desde abril de 45, governados por Harry Truman, que substituíra o falecido presidente Roosevelt. Na primeira conferência de que participou, já com a guerra terminada na Europa, em Potsdam, Truman endurecia suas posições nas negociações com os soviéticos. A “lua-de-mel” entre os dois representantes máximos de dois modelos econômico-sociais opostos, o capitalismo e o socialismo, estava terminando.

Em 1947, o presidente americano enuncia a chamada “Doutrina Truman”, que dá início oficial à Guerra Fria. No mesmo ano, anuncia o “Plano Marshall”, destinado à rápida reconstrução da Europa, visando minar qualquer possibilidade de expansão do “comunismo” naquele continente. Em 1950, após ter assistido à Revolução Chinesa, em 1949, leva os EUA a intervirem na Guerra da Coréia, para impedir a unificação do país, sob comando comunista. Internamente, a histeria anticomunista da Guerra Fria tinha sua versão no Macarthismo.

Sob a liderança do senador demagogo Joseph Macarthy, criou-se no Congresso americano, o Comitê de Investigações de Atividades Antiamericanas, responsável pela chamada “Caça às Bruxas”. Milhares de cidadãos foram investigados, perseguidos, perderam seus empregos ou se exilaram, sob suspeita de simpatias pelo comunismo, ou espionagem em favor da União Soviética. Em termos de política interna, Truman foi um continuador da obra de Roosevelt, pondo em prática, desde 1949, o “Fair Deal”, ou tratamento justo. Os Republicanos retomaram o poder após 20 anos.

O general Dwight D. Eisenhower, herói da 2ª Guerra, comandante da vitoriosa operação conhecida como Dia D, de desembarque aliado na Normandia, em 1944, foi eleito, governando por dois mandatos, até 1960. Seu vice-presidente era Richard Nixon, que começara a ganhar destaque na onda macarthista. Seu ministério foi conhecido como “Ministério dos Monopólios”, formado pelos altos executivos das grandes empresas americanas.

Portanto, as questões sociais, que mereceram tanta atenção dos democratas, não serão prioritárias em seu governo. Destaca-se, nesse terreno, um impulso às lutas pelos Direitos Civis dos negros. Externamente, sua política intitulada “New Look” (Nova Imagem) é uma continuidade dos democratas, alternando momentos de endurecimento e relaxamento das tensões com os soviéticos. Para barrar o avanço do comunismo, formula a “teoria do efeito dominó”. Intervinha, assim, em conflitos que, segundo aquela lógica, levariam à expansão do comunismo a outras áreas, caso não fosse contido.

Assim, começará o envolvimento dos EUA no Vietnã, no qual os franceses foram fragorosamente derrotados em 1954. Na América Latina, também em 1954, a CIA intervém abertamente na Guatemala, para derrubar o governo social-democrata de Jacobo Arbenz, que vinha promovendo um processo de reforma agrária, afetando os interesses da todo-poderosa United Fruit Co. Getúlio Vargas suicida-se em 54, no Brasil, e Juan Domingo Perón é derrubado por um golpe militar em l955, na Argentina.

Nos dois episódios, a oposição aos dois governantes nacionalistas tinha, além das divergências internas de cada país, o dedo da CIA. Nesse campo, a América Latina e os EUA só experimentaram uma amarga derrota, durante o governo Eisenhower, a Revolução Cubana, a 1º de Janeiro de 1959, liderada por Fidel Castro. Ao lado da corrida armamentista, em que se envolveram EUA e URSS, a corrida espacial foi o outro campo em que se defrontaram as duas superpotências.

Os soviéticos tiveram alguns sucessos parciais, como no caso do primeiro satélite artificial, o Sputnik. “Ike”, como era apelidado, encontrou-se também pela primeira vez, desde que se iniciara a Guerra Fria, com um dirigente soviético. Recebeu, nos EUA, o “premier” soviético Nikita Krushev. As eleições de 1960 deram a vitória ao democrata John Fitzgerald Kennedy. Este venceu, por estreita margem, o republicano Richard Nixon. Kennedy, que forjou uma imagem de jovialidade e dinamismo, seguiu uma política interna chamada Nova Fronteira, com propostas sociais avançadas, que eram, no entanto, rejeitadas no Congresso.

Deu decisivo apoio às lutas pelos direitos civis dos negros, destacando-se o pastor Martin Luther King, que liderou, em agosto de 1963, a Marcha Sobre Washington, em que pronunciou seu histórico discurso: “I have a dream”. Sua política externa, também pautada pela Guerra Fria, experimentou alguns revezes e momentos críticos. Em Cuba, pôs em prática o plano de invasão, preparado à época de Eisenhower. Foi a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em 1961.

Em 1962, decidiu bloquear o acesso naval a Cuba, e teve que enfrentar a tensa “Crise dos Mísseis”, que chegou à beira da guerra com a URSS. Diante da grande simpatia que a Revolução Cubana gozava entre as esquerdas e outras forças nacionalistas na América Latina, dirigiu a política americana para a região visando conter a propagação do exemplo cubano. Criou a Aliança Para o Progresso, para “ajudar” o desenvolvimento econômico e social do continente. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos passaram a treinar tropas de exércitos latino-americanos em táticas de contra-insurgência.

Em 1961, Kennedy assistira impotente à construção do Muro de Berlim, ao mesmo tempo que aumentava significativamente o número de assessores militares no Vietnã. Num sentido inverso, em 1963, assinou com os soviéticos o primeiro tratado que proibia testes nucleares na atmosfera. Kennedy foi assassinado em 22 de novembro de 1963, sendo substituído por seu vice, Lindon B. Johnson. Johnson terá uma política interna que se colocará na seqüência do New Deal e do Fair Deal. Chamada Grande Sociedade, essa política tende ao “Welfare State”. Em 1964, fez aprovar a Lei dos Direitos Civis, e teve firme atuação no sentido de fazer valer tais direitos em todo o país.

Seu período de governo, que se estendeu até 1968, foi marcado por vários conflitos internos, sobretudo pela questão dos direitos civis, destacandose a ação dos “Black Muslins” sob liderança de Stokley Carmichael, defensor do “Black Power” e dos “Black Panthers”. Em 1965, foi assassinado Malcom X, dos Muçulmanos negros; em 1968, o clima político estava tão carregado que culminou com os assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy, irmão do presidente John Kennedy, e àquela altura candidato à presidência.

Desde 1966 ganhava corpo o movimento pelos direitos da mulher, o “Women’s Lib”, sob liderança de Betty Friedan. O movimento estudantil também teve manifestação significativa, especialmente na Universidade de Berkeley, em São Francisco. Um dos temas mais fortes do movimento estudantil, e que se tornou um tema nacional, foi a luta contra a guerra do Vietnã. Este foi, aliás, o principal item da política externa durante o governo Johnson.

Até 1967 ele havia mandado 550 mil soldados para o Vietnã. Na América Latina, Johnson patrocinou golpes militares, contra governos que não se enquadrassem completamente no figurino estabelecido pelos americanos. Esses golpes geravam ditaduras militares que aplicavam a doutrina americana da “segurança nacional”. Em 1964, foi deposto o presidente brasileiro João Goulart. Também o Panamá assistiu, no mesmo ano, a um golpe militar pró-americano.

Em 1965, tropas brasileiras auxiliaram os americanos a invadir a República Dominicana para impedir a posse do presidente eleito. Em 1966, o General Ongania liderava golpe militar na Argentina. A Indonésia sofreu, também, em 1965, o mais violento golpe militar pró-americano. O General Suharto derrubou o presidente Sukarno, líder do país desde a luta pela Independência e fundador do Movimento de Países Não-alinhados. Nesse golpe, calcula-se que tenham sido assassinadas 500 mil pessoas. Nas eleições de 68, Johnson não quis se candidatar.

O candidato democrata Eugene McCarthy, da ala mais liberal do partido, foi derrotado pela dupla conservadora do Partido Republicano, Richard Nixon e Spiro Agnew. Nixon governará de 1969 a 74. A pressão da sociedade americana contra a guerra do Vietnã levou Nixon a propor a “vietnamização da guerra”. Quer dizer, os EUA retirariam progressivamente seus soldados, reforçando o fornecimento de armamentos para que os próprios sul-vietnamitas se encarregassem da luta contra os norte-vietnamitas e os vietcongs. Contudo, para debilitar os inimigos, acabou estendendo a guerra ao Laos e ao Cambodja, e bombardeando de forma arrasadora, mas infrutífera, o Vietnã do Norte.

Paralelamente, os diplomatas americanos participaram de negociações de paz em Paris, chegando a acordos em 1973. Todavia, o resultado final da guerra foi a derrota dos EUA em abril de 1975. Mas, nessa altura, Nixon já não era mais presidente dos EUA. Ainda, por conta da Guerra Fria, Nixon tratou de aproximar-se da China Popular, para enfraquecer a União Soviética. Fez uma visita histórica à China, em 1972, mas acabou visitando também Moscou, assinando o Tratado SALT-1 (para limitação de armas estratégicas). Essa política encabeçada pelo Secretário de Estado Henri Kissinger, ficou conhecida como “Distensão”.

Nixon se reelegeu em 1972, concorrendo com o democrata McGovern. Essa vitória contou com o conservadorismo americano, assustado com a ligação de McGovern com “hippies”, homossexuais e feministas. Enquanto promovia a distensão nas relações com a União Soviética, não descuidava da política de intervenção e promoção de ditaduras, como fez na Grécia, e, com especial carinho, no Chile. Em 1973, a CIA completou a obra de sabotagem do governo do presidente socialista chileno, Salvador Allende, articulando a extrema direita chilena, sob o comando do General Augusto Pinochet, que deu um sangrento golpe militar, estabelecendo a ditadura.

No plano interno, Nixon formulara uma política que chamou de “Nova Revolução Americana”, fazendo aprovar em 1971, a 26ª Emenda, que estabelece o direito de voto aos 18 anos, e a 27ª Emenda que reconhece a igualdade de direitos às mulheres. Já a vitória eleitoral sobre os democratas, logo foi manchada pela descoberta de um esquema de espionagem, que partiu da Casa Branca, na convenção dos adversários. O caso, denunciado pelo jornal Washington Post, ficou conhecido como o escândalo Watergate.

As investigações arrastaram o vice-presidente, Agnew, que renunciou em 1973, e o próprio Nixon, que evitou o “impeachment”, renunciando também em agosto de 1974. Gerald Ford completou o mandato de Nixon (1974-76), e teve que assistir, impotente, à derrota americana na Indochina. O desgaste republicano permitiu a vitória do democrata Jimmy Carter (1977-81). Carter tentou recuperar a auto-estima americana apelando à retomada dos valores que fundaram a pátria, em especial o respeito aos Direitos Humanos.

Em nome dessa bandeira, pressionou ditaduras – criadas pelos próprios Estados Unidos – a abandonarem suas práticas de torturas e outras violações aos direitos humanos. Em 1978, patrocinou a reunião em Camp David, que deu origem a um surpreendente e polêmico acordo entre Israel e Egito. Em 1979, dois governos, tradicionalmente subordinados aos EUA, foram derrubados: o do Xá Reza Pahlevi, no Irã, e o de Anastácio Somoza, na Nicarágua. Os soviéticos também invadiram o Afeganistão, e Carter pôde apenas liderar um boicote aos Jogos Olímpicos de Moscou, como forma de pressão. Essa “maré baixa” do poderio americano, desestimulou o povo e assanhou a direita. Nas eleições de 1980, menos de 50% dos eleitores votaram.

Dentre os que votaram, 51% votou em Ronald Reagan, republicano, ultraconservador, com raízes no macartismo. Reagan governará de 1981 a 89, atiçando a Guerra Fria. Armou e financiou os guerrilheiros muçulmanos que lutavam contra os soviéticos no Afeganistão. Estimulou, junto com o Papa, o sindicato “Solidariedade”, na Polônia, para opor-se ao governo comunista. Armou e financiou os contra-revolucionários, que lutavam para derrubar o governo sandinista da Nicarágua. Na pequena ilha de Granada, nas Antilhas, interveio militarmente para derrubar um governo que tinha o apoio de Cuba. Afora sanções econômicas contra a União Soviética, criou um mega programa militar chamado Guerra nas Estrelas.

Todo esse endurecimento das posições americanas em política externa, fazia crer na recuperação da liderança americana no mundo, granjeando-lhe grande popularidade, que lhe garantiu a reeleição. No final de seu segundo mandato, Reagan retomou a política de distensão com os soviéticos. É que os países europeus, prensados entre as duas superpotências, pressionaram no sentido da distensão. Por outro lado, a “perestroika” e a “glasnost”, postas em prática por Gorbathev, na União Soviética, criaram o clima favorável às negociações.

Em política interna, Reagan abandonou todas as políticas sociais que os democratas vinham implantando desde o “New Deal”. Implantou todo o receituário econômico que ficou conhecido como neoliberalismo. Assim mesmo, a economia venceu as turbulências, voltou a crescer, o que não só garantiu seu segundo mandato como levou a uma nova vitória dos republicanos, em sua sucessão, George Bush (1989-93).

Bush prosseguiu nos entendimentos com a União Soviética, ao tempo em que se desmantelava o sistema socialista no Leste Europeu, e os Estados Unidos se tornavam a única superpotência mundial. Com isso, os americanos se deram ao luxo de promover a Guerra do Golfo, contra o Iraque, a pretexto de punir aquele país pela invasão do Kwait. Em 1992, elegeu-se presidente o democrata Bill Clinton, que assumiu em janeiro de 93, e se reelegeu em 96.

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