História dos Estados Unidos (Imperialismo Yankee)

Essa expressão que ganharia um forte caráter de ódio aos Estados Unidos, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, começa, na verdade, a se delinear como realidade política e econômica, no período final da Idade de Ouro. O território nacional, o Estado Nacional e a estrutura capitalista já estavam totalmente consolidados. A dinâmica de seu desenvolvimento capitalista empurraria necessariamente os Estados Unidos, a expandirem seus interesses além-fronteiras. O Caribe e a América Latina serão seus alvos em sua costa Atlântica, e o Oriente, por sua costa do Pacífico.

Sempre embuídos do conceito de Destino Manifesto e armados da Doutrina Monroe, realizam em Washington, em 1889, a Primeira Conferência Pan-americana, onde se adotaram resoluções para incrementar o comércio interamericano. Em 1898, sob a presidência do republicano William Mckinley (1896-1901), encontraram uma desculpa para intervir na Guerra de Independência de Cuba. Venceram a Espanha, e receberam Porto Rico, as Filipinas e Guam. Cuba teve sua independência reconhecida, tornando-se na prática um protetorado norte-americano, fundamentado na Emenda Platt (1901). Em relação à China, defendiam a política de portas abertas (“open doors”). Também em 1898, anexou o Havaí.

Estavam pondo em prática a doutrina exposta pelo Almirante Mahan, a do “Sea Power”. Morto McKinley, assumiu o vice, Theodor Roosevelt (1901-09), que ficou famoso por sua postura em relação à América Latina, o chamado “big stick”. Dentro do moralismo que caracteriza as posturas republicanas, abusa da semântica chamando as conquistas de “missões civilizadoras”, as intervenções, de “expedições punitivas” e as guerras, de “cruzadas”. Em 1903, fomentam grupos mercenários e descontentes, que separam o Istmo do Panamá da Colômbia.

Reconhecem prontamente o governo panamenho e passam a construir o Canal do Panamá. Em relação à Europa, vale a postura de “isolacionismo”, enquanto a América Latina é tratada à base da Doutrina Monroe, entendida em seu sentido estrito: a América para os americanos… do Norte. O seguinte presidente republicano, William Taft, mantém o empenho imperialista, travestido agora de “diplomacia do dólar”. Os empréstimos e a obtenção de concessões substituem o porrete. Entre 1913 e 21, governou o democrata Woodrow Wilson.

No primeiro quadriênio, teve uma política interna reformista, fazendo inclusive aprovar a Lei Clayton que proibia que a Lei Antitruste fosse usada contra os trabalhadores. No segundo quadriênio, a marca de seu governo esteve voltada para a 1ª Guerra Mundial e a política externa. E aí as coisas não variam. Em relação à América Latina, manterá os “marines” que estavam na Nicarágua desde 1909, intervirá no Haiti em 1915 (estendendo-se até 1930), na República Dominicana, em 1916 (estendendo-se por 8 anos), e duas vezes no México, durante a Revolução Mexicana, em 1914 e em 1916.

Quanto à 1ª Guerra, manteve-se “neutro” até 2 de abril de 1917, quando solicita ao Congresso autorização para entrar na Guerra. Quatro dias depois, declarava Guerra às Potências Centrais. Em 1917, mandou 365 mil soldados, e em 1918, mais 1.750.000. Em janeiro de 1918, formulou os “14 Pontos” para a Paz. Em novembro de 1918, terminou a guerra. Em 1919, realiza-se a Conferência de Paz de Versalhes, sendo os seus termos e a criação da Liga das Nações – proposta por Wilson – rejeitados pelo Senado americano.

Nas eleições de 1920, os republicanos retomam a presidência dos Estados Unidos. Serão presidentes: Warren Harding (1921- 23), Calvin Coolidge (1923-29) e Herbert Hoover (1929-33). Manterão firme isolacionismo e não comprometimento em relação às questões européias. Internamente, manterão o mais absoluto liberalismo econômico, ao lado do protecionismo alfandegário, do nacionalismo, do racismo e do moralismo. O moralismo e o racismo ficaram evidenciados com a aprovação da Lei Volstead, XVIII.

Emenda, em 1920, conhecida como a Lei Seca, além da proibição do ensino das teorias de Darwin, e o processo e execução dos anarquistas italianos Nicola SACCO e Bartolomeu VANZETTI (1921-27). De outro lado, a economia americana viveu um período esplêndido: a Grande Prosperidade (1921-29). O “taylorismo” e o “fordismo” permitiram extraordinário crescimento da produção e da produtividade industrial e agrícola. Destacaram-se as indústrias automobilística, cinematográfica, radiofônica, aeronáutica, de eletrodomésticos e a construção civil. Surgem os primeiros arranha-céus.

História dos Estados Unidos (Imperialismo Yankee)

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