História da Economia do México

A Formação dos estados Latino-Americanos, México e Argentina: O chamado processo de Independência da América, na parte que toca às ex-colônias ibéricas, constitui-se, na verdade, numa reinserção, um reenquadramento desses territórios e suas respectivas economias e sociedades, na nova divisão internacional do trabalho, criada pela Revolução Industrial. Dentro do mercado capitalista mundial, a região ibero-americana ocupa o papel de economia periférica. Cabe-lhe o papel de produzir matérias-primas e gêneros alimentícios. Suas estruturas internas mantêm-se aproximadamente as mesmas do período colonial. A inovação ficará por conta da criação de alguns “enclaves” capitalistas, como nas áreas de agricultura de exportação, exploração de recursos minerais, comércio de exportação e importação, bancos, companhias de seguros e redes ferroviárias.

Não surgirá uma burguesia nacional, porque não se alcança a unificação pela criação de um mercado interno, ou nacional. Os que potencialmente poderiam tornar-se essa burguesia nacional, os comerciantes, buscam uma modernização conservadora, quer dizer, sem alterar a estrutura social, fundiária e a fragmentação política. Princípios filosóficos, como o Liberalismo e o Positivismo, transformam-se aqui, onde não há uma burguesia que se identifique com tais princípios, em simples discurso, simples instrumento de tomada do poder.

Entre o poder da Metrópole e a formação do Estado Nacional, há um enorme hiato, tanto temporal quanto político. Não havendo hegemonia de uma classe, de um projeto nacional, o vazio político é ocupado por um fenômeno chamado “caudilhismo”.

O “caudilho”
é um líder carismático agrário, civil ou militar. É autoritário, coloca-se acima das classes, exercendo um poder centralista e intervencionista. Sua ação política visa à conservação da hierarquia social.

Ao longo do século XIX, assistiremos ao surgimento de inúmeros caudilhos, alguns tidos como progressistas, ou liberais, outros, como conservadores, sendo apoiados pela Igreja e pelo Exército.

MÉXICO

Como foi longo e sangrento, o processo de lutas pela Independência do México teve um custo elevadíssimo em vidas humanas e destruição econômica. Morreram cerca de 600 mil pessoas que constituíam perto de 10% do total da população e metade da população trabalhadora. Em 1822, devido à incorporação das províncias centro-americanas – que durou até julho de 1823 -, o território mexicano se estendia por 4.665.000 km².

Sendo assim, sua população era escassa e ademais, concentrada no centro do país, deixando vastas extensões completamente despovoadas. A produção mineradora caíra em 11 anos, de 30 para 6 milhões de pesos. O valor da produção agrícola reduziu-se à metade e a industrial, a um terço. Isso tudo, sem contar a impressionante queda da arrecadação, que agravava o enorme déficit público. Para cobrir esse déficit, o México se dobrará à agiotagem internacional, gerando a crônica dívida externa, pretexto para inúmeras intervenções estrangeiras na política interna do país.

Com a Independência e seus ideais “liberais”, nasce a igualdade de direitos, que elimina as propriedades de terra das comunidades indígenas. Elas passam a engrossar os latifúndios, que aumentam de tamanho, mas não de número, são 3.749. Peões e artesãos enfrentam também o agravamento de suas condições de vida. Somente uma pequena classe média se consolida, sendo a partir de 1821, o grupo que disputará o poder com a aristocracia latifundiária.

As lutas Políticas

Estabelecida a Independência, verifica-se a inexperiência política dos “criollos”. Os pequenos caudilhos tentam mandar em seus redutos, os grandes querem ser reis ou presidentes. Duas tendências se destacam, e não se entendem monarquistas e republicanos. Lutam militares, civis, clérigos e burocratas, o povo fica de fora. Em 28/9/1821, instala-se uma Junta de Governo que convoca um Congresso que se reúne em 24/2/22. A maioria dos deputados era “criolla”, cheia de inspirações republicanas, sob influência francesa ou norte-americana. Ainda assim, acabaram elegendo o general Itúrbide como Imperador Agustín I.

Este governou entre maio de 1822 e março de 1823. Foi deposto por uma rebelião militar encabeçada pelo brigadeiro Antonio López de Santa Anna, o qual se converteria no caudilho mais influente dos próximos 33 anos. Em novembro de 1823, um segundo Congresso proclama a República e, em 1824, elabora uma Constituição. Esta era liberal e federativa, seguia o modelo norte-americano, de República Presidencialista e de 3 poderes. Estabelecia, no entanto, a religião católica como oficial, proibindo a prática de qualquer outra. Na prática, os princípios liberais acabaram ignorados, estabelecendo-se o centralismo, graças ao domínio dos conservadores, que se inspiravam na Inglaterra, e que tinham o irrestrito apoio dos latifundiários e da Igreja Católica. Em 1836, o Congresso fez uma nova Constituição, totalmente centralista e conservadora, restringindo, ainda, as liberdades individuais.

Em 1843, nova Constituição: dura 3 anos. A instabilidade institucional caracterizou o período que se estende entre 1821 e 1850. Nesse tempo, houve 50 governos, quase todos os frutos de quarteladas, destacando-se o general Santa Anna, que dirigiu diretamente 11 dessas quarteladas. A gota d’água da crise mexicana se dá com a guerra contra os Estados Unidos, por conta da anexação do Texas àquele país.

A guerra durou de 1846 a 48, chegando ao cúmulo dos norte-americanos içarem sua bandeira em pleno Palácio Nacional do México, a sede do governo. Em fevereiro de 1848, é assinado o Tratado de Guadalupe-Hidalgo, em que o México cede aos EUA metade do seu território. O mais profundo pessimismo tomou conta da intelectualidade mexicana. Havia a sensação da incapacidade de autogovernar-se. Todos os setores do país, tanto sob o ponto de vista econômico, como social, estavam piores agora do que no período colonial.

A Reforma

Em meio a todo esse caos, somente uma minoria intelectualizada consegue encontrar ânimo para tentar construir o país. Mas, também estavam divididos em 2 partidos: Conservador e Liberal. Coincidiam na visão de uma grandeza natural da pátria e de uma inferioridade de seu povo. Eram ambos elitistas, portanto. O principal líder conservador era o aristocrata Lucas Alamán. Os liberais não tinham, nessa altura, um líder, mas começavam a despontar alguns de uma geração mais jovem, entre eles, Benito Juarez. Enquanto os conservadores apelam às tradições hispânicas, indígenas e católicas, os liberais defendem valores nitidamente burgueses, inspirados especialmente, nos Estados Unidos.

Em 1853, um levante conservador chama mais uma vez ao poder o General Santa Anna. Alamán, que acreditava fosse o general capaz de criar um governo estável, foi nomeado chefe do gabinete ministerial. Morreu menos de 2 meses depois. Daí em diante, Santa Anna mostra-se um destrambelhado. Entregou-se a farras e jogos e a sucessivos escândalos. A 1 de março de 1854, detona-se uma revolução liberal, iniciada em Ayutla, que obtém sua vitória em agosto de 1855.

Torna-se presidente interino o general Álvarez, que forma um gabinete com os chamados liberais puros, destacando-se Benito Juarez. O novo governo fez uma série de leis que feria duramente os interesses da Igreja Católica. Ainda assim, conseguiu convocar eleições, e o novo congresso promulgou uma nova Constituição em 1857. Esta recuperava o espírito federalista e republicano da Constituição de 1824, mas restringia duramente o papel da Igreja Católica. Os conservadores reagem, forçando o governo a não cumprir o texto constitucional, e acabam derrubando o presidente. Benito Juarez, que ocupava a posição de ministro da Suprema Corte – sucessor natural do presidente – assumiu a presidência e declara restabelecida a ordem constitucional. Entre 1858 e 68, conservadores e liberais travarão uma guerra , que acabou conhecida como Guerra da Reforma.

Juarez chega a ser derrubado, teve que exilar-se, recupera o poder em 1859 e decreta as chamadas “Leis da Reforma”, em julho de 1859. Entre outras coisas, separa Igreja do Estado, elimina os dízimos, estabelece a liberdade de culto e o ensino laico. Os conservadores, incluindo a Igreja Católica, articulam a intervenção estrangeira. Como Juarez suspendera o pagamento da dívida externa, Inglaterra, Espanha e França se juntam para intervir.

Ao final, só a França o faz. E os conservadores entram em acordo com Napoleão III, que indica Fernando Maximiliano de Habsburgo, para ser Imperador do México. Este assume o trono mexicano em maio de 1864. Contrariando as expectativas dos conservadores, que o apoiavam entusiasticamente, adota medidas liberais de governo. Os liberais, que sempre contavam com o apoio dos Estados Unidos, estavam em desvantagem porque seu protetor encontrava-se em plena guerra civil.

Terminada a Guerra de Secessão, os americanos retomam o apoio aos liberais. De outro lado, envolvido nas disputas européias, em especial contra a Prússia, Napoleão III retira as tropas francesas que respaldavam Maximiliano no México. Vitoriosos, os liberais fuzilam Maximiliano e alguns generais conservadores, em 19 de junho de 1867. Benito Juárez retoma a presidência da República: é a fase da República Restaurada, que durará até 1876. De 1877 a 1911, será o Porfiriato. O personalismo tomará conta da política mexicana agora.

Os liberais terão o poder, mas disputarão entre si a liderança. Como são todos liberais, não haverá diferenças programáticas entre eles, só diferenças de personalidade. Juarez é eleito 2 vezes, em 1867 e 1871, falecendo em 1872. Durante seu governo, houve novos motins militares. O país tinha muita gente sem o que fazer, a maioria deles exagerando seu papel como heróis , seja da guerra de Reforma, seja da luta contra a intervenção estrangeira. O país ansiava por ordem, por tranqüilidade, por paz, afora o desejo de tirar o país da miséria, da paralisia econômica.

O Porfiriato

Porfírio Diaz era um general que havia começado a se destacar por sua vitória em Querétaro, em maio de 1867, contra Maximiliano e os conservadores. Depois disso, primeiro declarara que se retiraria para a vida civil e privada, para em seguida candidatar-se à presidência da República contra Juarez. Derrotado, sublevou-se mais tarde contra a perspectiva de reeleição de Juarez, e foi derrotado. Eleito deputado, mostrou-se um fracasso. Finalmente, saiu vitorioso numa rebelião contra a reeleição de Lerdo de Tejada. Em maio de 1877, toma posse como presidente eleito. Em fins de 1880, passa a presidência a seu sucessor, General Manuel González, para voltar à presidência na eleição seguinte e reeleger-se até ser derrubado, em 1911. De fato, esteve no poder entre 1877 e 1911. Homem de poucas idéias e palavras cercou-se de auxiliares que, quando começaram, não tinham nem experiência, nem projetos.

A geração anterior, idealista e experimentada, havia sido extinta. Porfírio governará com base na fórmula: “pouca política e muita administração”, transformada depois em “zero política, cem administração”. Esteve cercado de elementos que se intitulavam “científicos”. Adeptos do positivismo promoveram a modernização conservadora. Uma Lei de 1886 eliminou os “ejidos” – propriedade comunal dos indígenas – transferindo as terras a especuladores estrangeiros. O país passou a contar com uma grande rede de ferrovias, sistema de comunicações, como o telégrafo e inclusive o telefone, portos modernizados, indústria siderúrgica, de bebidas, de tecidos e de papel, grandes obras públicas, como canais de drenagem, e o início da extração petrolífera.

Duas coisas não foram resolvidas, talvez tenham sido até pioradas: a concentração da riqueza e a frustração de novas gerações das classes médias, com a dificuldade de ascensão social e de participação política. O capital estrangeiro, inglês e principalmente norte-americano, tomou conta da economia do país. No entanto, não se observavam reações contrárias ao governo de Porfírio Diaz. Acontece que o caudilho estava ficando velho.

Quem o substituiria? Ele mesmo, numa entrevista a um jornal norte-americano, em 1908, afirmava que seu modo de governar havia permitido diminuir a distância entre um sistema constitucional avançado e um povo sem educação política. Os mexicanos estavam agora, segundo ele, em condições de constituir partidos políticos autênticos e governar-se por si mesmos. Tais declarações abriram uma fase de ampla discussão sobre a sucessão presidencial. Destacou-se Francisco Madero, que em um livro escrito em 1908, intitulado “A Sucessão Presidencial de 1910”, combatia a idéia da reeleição.

A Revolução Mexicana

Madero fundou o partido anti-reeleição e percorreu o país fazendo campanha. Inicialmente foi ignorado, logo hostilizado e, por fim, preso. Porfírio Diaz foi reeleito, e agora para um mandato de 6 anos. Madero paga fiança e é solto um dia após o Congresso declarar Porfírio eleito. Madero se exila nos Estados Unidos e lança o Plano San Luís Potosí, a 20 de novembro de 1910. Os primeiros movimentos armados em favor do programa maderista têm início pouco depois, sob a liderança de Pascual Orozco e Francisco Villa (Pancho Villa). A repressão não obtém sucesso, e a revolução se estende a todo o país, destacando-se, no Sul, a liderança de Emiliano Zapata.

Após 6 meses de lutas e manobras infrutíferas, Porfírio Diaz renuncia em maio de 1911, com mais de 80 anos de idade. Um governo interino se estabelece até que Francisco Madero seja eleito presidente da República. Empossado em novembro, 20 dias depois, assiste ao início da revolta liderada por Emiliano Zapata, com seu Plano de Ayala. Zapata exigia reformas sociais profundas, especialmente sobre a questão da terra. Madero queria que tudo fosse resolvido de acordo com a Lei. Era fiel a uma concepção liberal e constitucionalista. Mas as carências do povo, especialmente dos camponeses, não tinham mais como esperar. Ao norte, Pascual Orozco também lança o seu Plano de Orozco, e luta contra o governo. Villa mantém-se fiel a Madero.

Pala via constitucionalista, Madero tenta corrigir uma flagrante ilegalidade, que era a isenção de impostos para empresas estrangeiras. Em 1912, lança imposto sobre o petróleo. A reação norte-americana não tardará. Por ordem do presidente Taft, os porfiristas recebem o apoio dos Estados Unidos, através do Pacto da Embaixada. O general Victoriano Huerta, porfirista, pactuado com o embaixador dos Estados Unidos, assume o poder, em fevereiro de 1913, num golpe militar que assassinou Madero. Seu governo durou até junho de 1914.

Duração tão curta, explica-se pela explosão de demandas desencadeadas pela revolução, que tornavam impossível a restauração da ordem porfirista. Por outro lado, Huerta estava umbilicalmente ligado aos Estados Unidos, dependendo dele para sobreviver. A eleição do presidente Wilson mudou a posição norte-americana, deixando Huerta sem apoio. Ademais, contra ele havia se formado uma frente, com Villa ao Norte e Nordeste, Álvaro Obregón a Noroeste, e Zapata ao Sul. Encabeçando a luta para restabelecer a ordem constitucional, estava o caudilho Venustiano Carranza, que lançara o Plano de Guadalupe.

Carranza governará, de 1914 a 1920, com um agudo instinto político. Dissolveu toda a máquina militar herdada do Porfiriato e, insistia na unidade revolucionária para enfrentar as pressões estrangeiras. Não conseguiu a adesão de Zapata, que acabaria assassinado em 1919. Mas conseguiu, a duras penas, sustentar um processo de elaboração da Constituição de 1917. Esta, pela primeira vez, incorporava propostas de reformas sociais e medidas nacionalistas.

Carranza fez um governo duro, mas aceitou certas derrotas políticas. A não reeleição foi um dos princípios aprovados, o que levou Carranza a apoiar um candidato civil, sob pretexto de dar fim ao militarismo. Acaba ultrapassado pelos anseios revolucionários e é derrubado e morto.

Aos 10 anos do início da revolução, seus três principais personagens estavam mortos: Madero, Zapata e Carranza. Além deles, mais de 1 milhão de mexicanos. Estava terminada a fase revolucionária, iniciava-se a da reconstrução nacional.

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