História do Século XIX

A ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, pelo Golpe do 18 do Brumário de 1799, foi um desdobramento da Revolução Francesa. Esta, iniciada em 1789, foi a mais importante revolução burguesa, em busca dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. As dificuldades dos vários segmentos burgueses em estabelecer uma hegemonia levou-os a apelar à força para consolidar sua revolução, impedindo-a tanto de se radicalizar – no sentido do jacobinismo – quanto de ser derrotada – pela volta do Absolutismo.

A personificação dessa solução de força foi o general Napoleão Bonaparte. No poder, podemos dizer que ele consolidou internamente a revolução burguesa e que ele a exportou. Suas conquistas representam o alargamento dos ideais burgueses para toda a Europa, e assim foram vistas pelas burguesias dos demais países, que saudaram entusiasticamente as vitórias do pequeno corso.

Todavia, com o passar do tempo, essas burguesias sentiram que Napoleão subordinava os outros países aos interesses da burguesia francesa; acharam que o Bloqueio Continental submetia todo o mercado do continente aos interesses comerciais e industriais franceses. Eis então o momento em que tomaram a atitude de aliar-se às respectivas nobrezas e reis absolutistas para derrotar Napoleão.

Quando o fizeram, cometeram um erro estratégico: a derrota de Napoleão, em Waterloo, na Bélgica, foi uma derrota de toda a burguesia. Sob o comando do conde Metternich, da Áustria, reuniu-se o Congresso de Viena (1815), onde as forças do Antigo Regime de toda a Europa executaram a chamada Restauração Européia.

Proposto por Talleyrand adotou-se o Princípio da Legitimidade, que seria respaldado pela força intervencionista da Santa Aliança, proposta pelo Czar da Rússia e composta também pela Áustria e pela Prússia. A Europa de Metternich durou de 1815 a 1830. Nesse intervalo, foi posta à prova em Portugal (1820), Espanha (1820) e Grécia (1822). Somente na Espanha, as tropas francesas, em nome da Santa Aliança, conseguiram restabelecer o Absolutismo.

Além disso, a América Ibérica se tornou independente, com o respaldo da Inglaterra e a declaração da Doutrina Monroe, por parte dos Estados Unidos, afrontando o intervencionismo absolutista europeu. Em 1830 as burguesias retomam o seu papel de protagonistas da História. A começar de Paris, mais uma vez, os ideais do Liberalismo são agitados e atingem todo o continente; em alguns lugares, eles se somam aos ideais do Nacionalismo.

Conforme a realidade de cada burguesia de cada país, Liberalismo e Nacionalismo são idéias complementares. Em alguns lugares, tais ideais são abortados, em outros se consolidam. De qualquer forma, esgotou-se o quadro desenhado por Metternich 15 anos antes. Entre 1830 e 1848, ficam novamente numa incubadeira os ideais liberais e nacionalistas, e mais uma vez explodem em 1848, mais uma vez a partir de Paris. Todavia, será a própria burguesia que freará agora os ímpetos revolucionários.

É que o desenvolvimento industrial desse meio século consolidou o Capitalismo como Modo de Produção dominante e fez emergir suas contradições, especialmente o antagonismo de classes entre a burguesia, proprietária dos meios de produção, e o proletariado, desprovido de qualquer meio de produção. O grande bloco revolucionário, originário do antigo 3o. Estado, encabeçado pela burguesia, estava agora desfeito.

O Liberalismo, derivado do racionalismo iluminista, dera origem a uma sociedade baseada na mais impiedosa exploração do trabalhador “livre” assalariado. Este vê que não lhe serve de nada a Igualdade jurídica que a Revolução Liberal-burguesa criara, deseja a igualdade social. Em lugar de Liberalismo, pensa agora em Socialismo.

Nas revoluções de 1848, as postulações socialistas, mesmo que ligadas à corrente mais tarde apelidada de Socialismo Utópico, são postulações por si só anticapitalistas, incompatíveis, antagônicas a qualquer projeto liberal, por mais radical que seja, são antiburguesas. Em 1848, Marx e Engels publicam o Manifesto Comunista, que lança as bases do Socialismo Científico. Mas, essa proposta não tem qualquer peso no movimento operário e muito menos no quadro político daquele ano. No entanto, tornar-se-á a principal proposta revolucionária daí em diante por cerca de 140 anos.

A burguesia abandona então a utopia revolucionária, torna-se uma classe conservadora Teme agora os processos revolucionários, temerosa de perder o controle. Daqui para diante, somente nas situações em que a necessidade da burguesia em constituir um mercado nacional se fizer presente, a burguesia ainda fará suas revoluções, mas delas não farão parte nem os ideais nem os métodos liberal-democráticos que marcaram a chamada Era das Revoluções Burguesas (1648–1848), iniciada pela Revolução Puritana de Cromwell, na Inglaterra, e que tivera na Revolução Francesa o seu mais completo exemplo. Restará à burguesia somente a bandeira do nacionalismo.

A Alemanha, a partir da Prússia de Bismarck, e a Itália, a partir do Piemonte, de Cavour, serão os exemplos desse tipo de “revolução” burguesa. Buscando infundir no povo o ideal patriótico-nacionalista, através de uma série de políticas de alianças e guerras externas, Bismarck e Cavour obtiveram a unificação política de suas respectivas nações. O povo, em ambos os casos, servirá apenas de carne de canhão. A “revolução”, em ambos os casos, foi feita pelo alto, pelas elites sócio-econômicas, sem que elas se vejam na necessidade de exercer o poder na forma liberal-democrática, dividindo-o com o povo.

Ao mesmo tempo, a economia capitalista dava mais um salto: era a 2a. Revolução Industrial. A indústria de bens de consumo dava lugar à de bens de produção. Passava-se a uma nova composição orgânica do Capital. O Capital fixo supera massivamente o Capital móvel, e assim, o Capitalismo Liberal, ou livre-concorrencial, dá lugar ao Capitalismo Monopolista. Os trustes, cartéis e holdings tomam o lugar do jogo da livre-concorrência.

O excesso de capitais, a necessidade de matérias-primas, de mercados consumidores, de áreas onde despejar os excedentes populacionais europeus levam à busca de novos territórios e povos para serem submetidos à lógica do Capitalismo Monopolista: tem início a etapa Imperialista do Capitalismo. Esta tem que se combinar com a conquista e o domínio territorial: o Colonialismo do Século XIX.

Em 1884, a Conferência de Berlim define os critérios de partilha da África. Alemanha e Itália, recentemente unificadas, recebem partes menores e menos importantes nessa partilha. “No final do século, em especial a Alemanha,” em especial”, tinha um poderio econômico e militar equivalente ao da Inglaterra, tornando “injusta” a partilha feita em 1884. Potencializam-se, pois, as tensões entre as grandes potências imperialistas, que iniciam uma política de alianças militares secretas ao lado de uma grande corrida armamentista, tudo sob um inédito período de paz na Europa. A Grande Guerra estoura em 1914!

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