cotidiano dos escravos

Os escravos foram o elemento crucial na manufatura do açúcar. Suas condições de vida e trabalho
são fundamentais para explicar a natureza da sociedade que se originou da economia açucareira.
No século XVII, muitos senhores de engenho aparentemente aceitavam a teoria da administração
da escravaria mencionada por Antonil, segundo a qual os cativos necessitavam de três P, a saber: pau, pão e pano.

Castigos

Observadores estrangeiros, como John Nieuhoff, que visitou o Brasil no século XVII, falavam
invariavelmente da brutalidade do regime escravista e informavam que os escravos brasileiros
eram mal-alimentados, mal-abrigados e malvestidos.
Ocasionalmente, senhores eram presos quando seus crimes contra os cativos tornavam-se públicos. Francisco Jorge foi detido por açoitar até a morte um escravo, mas seu apelo em 1678, dizendo que era um homem pobre com mulher e filhos e que a história era invenção de seus inimigos, conseguiu-lhe o perdão da Relação. Caso semelhante ocorreu em 1737, quando Pedro Pais Machado, proprietário do Engenho Capanema, foi preso por matar dois escravos e um homem livre, um deles pendurado pelos testículos na moenda até a morte.
Pais Machado foi libertado após uma investigação judicial que atestou, entre outras coisas,
que o réu era uma pessoa nobre, com obrigações de família. Nesse caso, os escravos eram de outro
proprietário, mas Pais Machado aparentemente não relutara em puni-los com a morte pelo crime
de haverem ferido um boi.

Senzalas

O conforto material dos escravos de engenho era mínimo. As senzalas geralmente consistiam
de cabanas separadas, de paredes de barro e telhado de sapé, ou, mais caracteristicamente, de
construções enfileiradas divididas em compartimentos, cada um ocupado por uma família ou unidade
residencial.

Vestuário

A vestimenta fornecida aos cativos era exígua. Observadores do século XVII muitas vezes descreveram
os escravos como andando “nus” e constantemente expostos às oscilações do clima. Os
homens normalmente usavam ceroulas que lhes cobriam até abaixo do joelho, andavam sem
camisa e envolviam a testa com um lenço ou uma faixa. As mulheres tinham trajes mais completos,
com saia, anágua, blusa e corpete, mas tal vestuário pode ter sido usado apenas na hora da venda
das cativas e não no trabalho do campo. Em geral dava-se aos escravos o “pano da serra”, um tecido
grosseiro de fio cru.
Por volta do século XIX, os comentários e gravuras feitos por viajantes no Brasil deixavam claro
que o vestuário dos escravos refletia as diferenças de ocupações e a hierarquia interna da senzala.
Os que trabalhavam no campo eram em geral mais malvestidos que os servidores domésticos e
os artesãos.

Alimentação

Os escravos comiam tudo o que lhes caísse nas mãos. Além de sua cota de comida, os escravos
adulavam, mendigavam e roubavam por mais alimento. (…)

O Manual do fazendeiro, publicado por João Imbert em 1832, dá-nos uma idéia da ração de um escravo trabalhador dos campos. Esse autor demonstrava especial orgulho pela alimentação que fornecia a seus cativos e, portanto, podemos supor que ela fosse melhor que a da maioria. Os escravos de Imbert recebiam pão e um copo de cachaça ao saírem para o campo. Às nove da manhã, paravam para uma refeição composta de arroz, toucinho e café.
O jantar era comido no campo, e consistia de carne-seca e legumes, embora ocasionalmente houvesse carne fresca. Ao anoitecer, comia-se uma ceia de legumes cozidos, farinha de mandioca e frutas. (…)

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