História da Corrida de Aventura

A Corrida de Aventura – também denominada de Rally Humano – é uma competição de múltiplos propósitos esportivos que envolve grande espírito aventureiro e expedicionário. Os participantes percorrem, na maioria das vezes, regiões inóspitas e pouco exploradas que colocam em cheque seus limites físicos e mentais. Os esportes que integram esta competição estão diretamente relacionados à natureza como orientação, trekking, equitação, rapel, natação, canoagem, canionismo, escalada, rafting, mountain bike entre outras, sendo adaptados conforme os critérios da organização ou as condições locais. Embora a muitos pareça impossível atingir os objetivos propostos pela organização das Corridas de Aventura, todos os trajetos e atividades são devidamente testados para que possam ser concluídos de maneira a causar o menor impacto possível ao meio ambiente. Geralmente as equipes participantes são compostas de três a cinco membros, de ambos os sexos. Os participantes são orientados por bússolas e mapas para que realizem o percurso no menor tempo possível. A infra-estrutura de suporte das competições é complexa e exige contatos e articulações com órgãos governamentais, organizações não-governamentais-ONG, empresários e até comunidades locais.

Origens: Em 1985, após completar um trekking de mais de 300 km pelo deserto do Sahara, o francês Patrick Bauer decidiu compartilhar sua experiência e criou o “Marathon des Sables”. Basicamente, a corrida exigia resistência física, velocidade e grande poder de orientação para se cruzar o Sahara. Hoje, o evento acontece anualmente em diferentes regiões do Marrocos, onde a variação térmica é altíssima: de dia, a temperatura pode chegar a 50°C, e à noite, a 0°C. A expedição a pé dura sete dias, num total de 230km.

1988: Todos os anos acontece na Argentina, durante aproximadamente três dias, o Raid Aventura, no qual 240km são percorridos através de caiaque, canoa, rafting, trekking, cross coutry, mountain bike, escalada, natação, ski alpino, ski de travessia, cavalgada, rapel e marcha sobre o gelo. Na primeira versão, em 1988, o evento aconteceu nas geleiras do Glaciar Perito Moreno, na Patagônia.

1989: No final da década de 1980, as corridas de aventura popularizaram-se na Europa e na Nova Zelândia. Em 1989, Gerard Fusil, jornalista e aventureiro francês produziu, na Nova Zelândia, o Raid Gauloises (The Raid). Com base em sua experiência atual, Gerard conceitua o formato das corridas de aventura como “uma forma de buscar e superar os próprios limites, testando-os e integrando-os ao trabalho em equipe e no respeito ao meio ambiente”. Em 1999, o mesmo Gerard criou o Elf Authentique Aventure, com sua primeira edição nas Filipinas.

1992: Com o intuito de introduzir a modalidade de esporte na América do Norte, Market Burnet criou, neste ano, a empresa Ecochallenge Lifestyles Inc.

1994: A França é um país que criou tradição em esportes de aventura. Desde este ano, o Corsica Raid acontece anualmente na ilha de mesmo nome, e possui um formato diferente das outras corridas similares. A competição dura sete dias, dividida em etapas de um dia, em que os competidores praticam duas ou três modalidades. As modalidades envolvidas são canioning, mountain bike, orientação, ascensão em cordas, rapel e caiaque oceânico.

1995: Acontece o primeiro Eco-Challenge, em Utah-EUA. A aventura reuniu 50 equipes e mais de 600 pessoas que coletaram cerca de 70 toneladas de material metálico para ser reciclado. Durando até 10 dias e média de 500km, esta prova reúne modalidades esportivas como canoagem, canioning, mountain bike, equitação, trekking, escalada, entre outras. As equipes são compostas de quatro pessoas, podendo ser mistas. A segunda edição aconteceu no mesmo ano, em New England-EUA, transmitida pela Discovery Channel para 60 milhões de pessoas, em 124 países.

1996-1998: No início deste período, foi realizada a maior Eco- Challenge de que se tem notícia, na província da Columbia Britânica-Canadá, com a participação de 70 equipes. Em 1997, a competição saiu da América e foi para a Austrália. A primeira participação brasileira aconteceu em 1998, no Marrocos, com a equipe Brasil 500 Anos. Neste ano, a prova teve uma etapa com camelos. Ainda em 1997, Alexandre Freitas, atleta e empresário, participou da Southern Traverse-Nova Zelândia, e resolveu trazer a novidade para o Brasil. No ano seguinte, em 1998, realizou-se a primeira Expedição Mata Atlântica, popularmente conhecida como EMA, por intervenção de Freitas.

1998: A Expedição Mata Atlântica-EMA foi a primeira corrida de aventura brasileira que cobriu um percurso de 220km por dentro da Mata Atlântica, de Paraibuna até Ilhabela-SP. Mantém, ainda hoje, as mesmas edições anuais. O evento reúne a prática dos esportes de aventura, trabalho intenso de equipe e cuidados com a preservação ambiental. A modalidade de expedição acontece em regiões inexploradas da Mata Atlântica e visa testar os limites da resistência humana. A entidade responsável pela organização da EMA é a Sociedade Brasileira Multisport Adventure Race-SBMAR. Mas o principal órgão representativo no país é a Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura–SBCA, criada também no mesmo ano para organizar o importante evento.

1999:
A Patagônia-Argentina sediou o Eco-Challenge neste período e contou com a participação dos brasileiros do Brazil Adventure. No mesmo ano aconteceu o Raid Aventura, na reserva ecológica próxima à cidade de São Rafael, no estado de Mendonça- Argentina, uma região seca e inóspita com alta variação de temperatura. A equipe Brasil 500 anos venceu esta competição. Ainda em 1999, uma equipe brasileira venceu a competição EMA, que teve um percurso de 400km para a categoria Extrema, 350km para a categoria Aventura e 250km para a categoria Alternativa. As modalidades geralmente são trekking, orientação, técnicas verticais-rapel, canoagem, rafting, mountain bike, caverna e natação. As equipes são formadas por 3 pessoas, tendo pelo menos uma pessoa do sexo oposto. O grande desafio da Corrida de Aventura da Costa do Sol é vencer lugares pouco explorados com bastante autonomia. A prova dura cerca de 36 horas, com percurso de 150km na Paraíba. A primeira edição aconteceu em 1999, sendo a primeira corrida brasileira a não contar com equipe de apoio. Geralmente é composta por 20 equipes, formadas por 4 atletas, podendo ser mistas.

2000: Para os corredores de aventura, o Eco Challenge representa o ponto crucial a ser alcançado. Os requisitos para formalizar o convite de inscrição à equipe são grandes. Além do número de vagas limitadas, a organização analisa cuidadosamente o currículo esportivo dos atletas. Na edição 2000 da prova Corsica Raid-França, a competição foi dividida em duas categorias: a Elite Aventure, para os mais experientes e que cumprem todo o trajeto, e a Challenge Aventure, para os que não conseguirem cumprir os tempos. Ainda no mesmo período, a Patagônia sediou o evento Raid Aventura e contou com a participação de diversas equipes internacionais. O ano contou também com o lançamento do Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura – CBCA, reunindo as principais corridas do país além de funcionar como treinamento e ingresso das equipes vencedoras para a EMA. As corridas do circuito são PETAR2000, Elf Authentique Aventure, Litoral; Raid Brotas “Extreme”, Desafio Costa do Sol e Expedição Mata Atlântica 2000. Na modalidade Elf Authentique Aventure, o nordeste brasileiro sediou a Elf através da Alaya Expedições, percorrendo três estados – Ceará, Piauí e Maranhão – num total de 800km. Durante o percurso, os participantes deveriam promover intercâmbio com as populações locais nas áreas de cultura, saúde, educação e arte. O evento tem uma duração média de 12 dias durante os quais os sete integrantes, de cada equipe, devem passar pelos PCs (postos de controle) dentro de um certo tempo, o que determina a categoria a qual pertencem: Extreme – para os atletas mais preparados que conseguem cumprir todos os tempos; Adventure – a categoria em que todos iniciam a prova; e Discovery – para quem quer viver a experiência sem ultrapassar os limites. Evento de menor porte, a primeira edição da Odisséia Pernambuco aconteceu em 2000. A prova leva um dia de duração e 40km de percurso. As equipes devem completá-la em até oito horas através de trekking, mountain bike, orientação e algumas provas surpresas. Os competidores se dividem em categorias separadas para equipes mistas e não-mistas, ambas com três integrantes. A equipe mista vencedora ganha uma vaga para participar do evento Desafio Costa do Sol. Outra competição é a Raid Brotas, que se realiza da cidade de Brotas-SP, conhecida como um point de aventureiros em busca de adrenalina. No último final de semana de cada mês acontece o Raid Brotas, uma pequena competição para quem quer entrar no mundo das corridas de aventura. Deste surgiu o Raid Brotas Extreme, a segunda maior prova do Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura-CBCA. O percurso, de aproximadamente 220km, deve ser vencido em três dias através de sete modalidades esportivas. Os competidores formam uma equipe mista com quatro pessoas a que se soma a equipe de apoio, com duas pessoas. Em 2000, em sua primeira edição, o evento contou com a participação de 25 adolescentes carentes que puderam integrar tanto as equipes competidoras quanto as equipes de apoio. Estimulando o cultivo à formação da memória do esporte, os participantes devem doar livros, guias, vídeos ou estudos sobre esporte de aventura para construir uma biblioteca temática pública em Brotas.

2001:
O evento de 2001 da modalidade Eco-Challange foi realizado na Nova Zelândia. O Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura- SBCA passou a ter 7 etapas, todas preparatórias para a EMA 2001-Amazônia. Somente para esta edição, foram necessários oito meses para o fechamento do percurso.

2002: Neste período, o Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura promoveu 8 etapas preparatórias e classificatórias para a EMA 5ª edição, que ocorreram na região sudeste do Brasil. No evento, a melhor equipe brasileira ganhou inscrição gratuita para a prova Raid The North, no Canadá. A competição, juntamente com a EMA, integra o Circuito Mundial – Adventure Racing World Series.

Situação Atual:
A SBCA tem como fundamento, desde sua origem, fomentar o crescimento sólido e duradouro das Corridas de Aventura no Brasil, entendidas como atividades de base esportiva e cultural. Em seis anos de atividade, a Sociedade promoveu aproximadamente 40 eventos, totalizando 1.200 horas de competição. Com a realização do Circuito Mundial de Corridas de Aventura -AR World Series-, em 2001, e a inclusão da EMA como uma competição síntese da América Latina, o esporte cresceu em representatividade. Atualmente, a SBCA passou a patrocinar e gerenciar as complexas negociações que envolvem a assistência e o suporte aos organizadores, além dos preparativos necessários à realização dos eventos e à divulgação dos campeonatos. Em paralelo, a entidade criou subprodutos, no Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura, com eventos de curta duração – 6 a 12 horas e percurso aproximado de 50Km. O objetivo é, simultaneamente, incentivar o crescimento quantitativo e qualitativo dos praticantes de alto rendimento e o fomento a novos adeptos. Em geral, os praticantes desta modalidade de esporte são oriundos de outras modalidades tais como academias de ginástica ou aficionados por esportes de aventura. Para os iniciantes, a EMA-Escola promove cursos que fornecem noções básicas através das principais disciplinas, como orientação, trekking, mountain biking, rafting e canoagem. Além disso a Escola procura desenvolver, no aluno, o espírito de equipe, o espírito de solidariedade e de conscientização ambiental. Outras empresas também promovem cursos e eventos, como a Adventure Camp e a Ecomotion. Nos últimos três anos, estas empresas promoveram mais de 20 eventos no Brasil. De menor porte, a Carioca Adventure iniciou-se, há dois anos, como promotora de eventos com etapas regulares. Dados da revista Adventure de maio de 2003 comprovam o desenvolvimento dos cinco anos das corridas de aventura no Brasil. Em 2003, aproximadamente 70 provas compõem o calendário oficial de eventos, envolvendo 400 equipes que participam ativamente dos circuitos nacionais e regionais distribuídos por todo o país. Configurando o atual crescimento deste esporte no país e no mundo, o reality show Conquistador do Fim do Mundo, realizado na Patagônia-Argentina em 2003, e produzido pela produtora Promofilm, foi transmitido simultaneamente para o Brasil (rede de TV SBT), Equador, Chile, Estados Unidos e México. Mesmo não contando com uma forte divulgação na mídia de massa, dos 22 mil inscritos pela internet para inscrição na prova, somente 12 pessoas integraram a equipe brasileira após a seleção. A finalista da última etapa da competição foi a atleta e professora de educação física Lilia Godoi, do Rio de Janeiro. Impulsionada pela abertura de canais de comunicação através da mídia impressa e eletrônica, a prática desta modalidade de esporte populariza-se também para fora do meio esportivo. Valorizada pelos conceitos estratégicos e pela necessidade de integrar o trabalho de equipe para assegurar o cumprimento das metas, vários departamentos de recursos humanos de empresas de grande e médio porte utilizam-se das corridas de aventura como estratégias de treinamento e desenvolvimento de pessoas. É necessário, ainda, considerar o potencial deste esporte junto ao segmento do turismo de aventura.

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