História da Colonização Inglesa e Francesa

mãos da burguesia. Tinham também criado condições internas e externas para o desenvolvimento capitalista. Internamente, os “enclosures” haviam criado uma imensa massa proletarizada, pronta para constituir-se na mão-de-obra barata da manufatura e, em seguida, da indústria.

Externamente, um poderio naval incomum havia posto nas mãos da burguesia inglesa o acesso a um imenso mercado consumidor. É natural, portanto, que as idéias liberais tivessem lugar, e maior consistência prática, entre os ingleses, do que entre aqueles – como os franceses – que ainda teriam que derrubar o Absolutismo. A Inglaterra passa a defender, então, a Independência de todas as colônias… dos outros, naturalmente. A “ironia” da História é que será justamente a sua principal colônia a primeira a conquistar a independência. Como vimos anteriormente, as chamadas 13 colônias inglesas da América do Norte constituíram-se de forma diferente de todas as outras colônias. Gozaram sempre de grande autonomia; eram, em sua maioria, típicas colônias de povoamento; fugiam ao padrão geral das colônias de exploração.

O Fim da “Negligência Salutar”

A consolidação do poderio mundial inglês se fez à custa de muitas guerras contra seus rivais europeus. No século XVIII, a França foi a principal rival da Inglaterra. A Espanha, como também era governada pelos Bourbon, acabava secundando a França nas guerras contra a Inglaterra. Em particular, a Guerra dos Sete Anos (1756-63) foi muito vantajosa para a Inglaterra. Ganhou, da França, o Canadá, a Índia e os territórios a Oeste das 13 Colônias. Entretanto as despesas de guerra e as novas despesas com a administração das colônias conquistadas nesta guerra, levaram a Inglaterra a uma grande crise financeira. Para compensá-la, os ingleses decidem criar e aumentar impostos, além de estabelecer fortes restrições à liberdade, até então tolerada, das 13 Colônias.

Contraditoriamente, no exato momento em que está nascendo o Liberalismo Econômico, a Inglaterra apela ao mais surrado modelo mercantilista. Em 1764, foi lançado o “Sugar Act” (Lei do Açúcar). Em 1765, o “Stamp Act” (Lei do Selo). Nesse caso, os colonos reagiram convocando o Congresso da Lei do Selo, no qual decidiram não mais comerciar com a Metrópole. Basearam-se no princípio “no representation, no taxation”. Defendiam a idéia de que o Parlamento inglês não podia decidir nada sobre a colônia, porque nele não estavam incluídos representantes coloniais. Em 1766, foi revogada a Lei do Selo. Mas a partir de 1767, o ministro Charles Townshend tornou a gravar a colônia com tributos de toda espécie: sobre papel, vidro, chá, etc. Os colonos protestaram, e Boston assistiu a um massacre de manifestantes pelas tropas inglesas.

Diante de tais fatos, os ingleses suspendem todos esses impostos, exceto o do comércio do chá. Inclusive, em 1773, baixaram a “Tea Act” (Lei do Chá), concedendo o monopólio deste produto à Cia. Das Índias Ocidentais, uma empresa londrina. Os protestos resultaram na chamada “Boston Tea Party”, que, por sua vez, fizeram a metrópole editar as chamadas Leis Intoleráveis (1774). Estas esgotaram a paciência dos colonos, que convocaram o Primeiro Congresso Continental de Filadélfia. Boicotava-se todo comércio com a Inglaterra. Como esta reagisse violentamente, convocou- se o Segundo Congresso Continental de Filadélfia (1775). A 4 de Julho de 1776, aprovou-se a Declaração de Independência, redigida sob a batuta de Thomas Jefferson.

A Guerra de Independência

Obviamente, que os ingleses não aceitaram tal declaração, iniciando-se uma guerra entre eles e os colonos. George Washington comandará o exército libertador. Após várias derrotas, dada a desproporção de forças, obtém importante vitória em Saratoga (1777). Esse feito credenciará os americanos diante da França, que para recuperar terras perdidas na Guerra dos Sete Anos, dará apoio, sobretudo naval, aos norte-americanos.

Em 1781, os ingleses capitulam em Yorktown e, em 1783, firmam o Tratado de Paris, entregando as Antilhas e o Senegal à França. A Espanha fica com a Flórida. … E os Estados Unidos da América tornam-se a primeira República independente da América. Está iniciada a ruptura do sistema colonial.

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