História da Canoa Havaiana

A prática da canoa havaiana ou outrigger, fundamenta-se no movimento de remadas compassadas para um bom desempenho. A troca de componentes é feita com a canoa em movimento e o esforço é concentrado para não perder velocidade. Formada por equipes de 6 a 9 remadores, cada um desempenha uma função, com responsabilidades específicas. As canoas de 6 remadores medem quase 14 metros de comprimento, com 50 cm de largura, pesam entre 150 e 180 kg e comportam um estabilizador lateral ou “ama” fixado por duas traves de madeira (‘iakos). No início as canoas havaianas eram produzidas com a madeira koa (um único tronco), que por questões de preservação ambiental foram substituídas por fibra de vidro, que dão um colorido especial às embarcações. As canoas são sagradas para os havaianos e, neste esporte, o respeito às tradições da polinésia é fundamental, sendo até mesmo conservado nos rituais de batismo e nomenclatura. Na versão atual, o outrigger se divide em duas categorias distintas: remo e vela. A embarcação utilizada nas duas modalidades é basicamente a mesma, sendo que, na competição à vela são adicionados um terceiro casco e um mastro, que suporta uma vela triangular. As competições com mais de 3 horas, normalmente são realizadas em sistema de revezamento, na praia ou alto mar.

Origem:
A Canoa Havaiana existe há mais de 3.000 anos, quando era utilizada para conduzir pessoas e cultura para outras localidades. A propulsão à vela e remo, permitiu a navegação 24 horas por dia e a adição do casco duplo na estrutura da embarcação aumentou seu desempenho em alto mar, tornando o outrigger um instrumento de importância sócio-cultural inigualável na cultura das Ilhas do Pacífico. Este processo culminou com o surgimento da Canoa Havaiana ou Outrigger, como é chamada no Havai (também é conhecida como catamarã havaiano). Mas foi nos últimos 50 anos, que o outrigger passa a se configurar como prática esportiva no Havaí e Polinésia, também difundido na Austrália, Nova Zelândia, e em franca expansão na Europa, Canadá e EUA continental. Na Ilha de Páscoa, Tito Paoa, promove um programa cultural juntamente com clubes da Califórnia e comunidade local. Assim, reafirma a importância desta sagrada prática esportiva. Como respeito à tradição de origem polinésia, o ritual sagrado como nomes das embarcações, comandos, batismos, entre outros são mantidos em toda parte do mundo onde está inserido. Na década de 1990, os atletas e empresários Fábio Paiva, em São Paulo e Ronald Willians, no Rio de Janeiro despertaram o interesse trazer e difundir a canoa havaiana no Brasil. Após passagem pelos Estados Unidos, Fábio, Ronald e Fred Perez, investem na tentativa de trazer para o Brasil a primeira canoa havaiana. Em seus relatos, Fábio conta que a primeira canoa, trazida com recursos próprios por Ronald Willians, chegou ao Brasil avariada e foi necessário conhecer todos os detalhes para montagem e posterior reprodução dentro de todos os padrões sagrados deste equipamento. Batizada de Lanakila, a embarcação serviu de molde para iniciar o processo de produção da primeira canoa havaiana brasileira. Hoje, a canoagem havaiana está sendo difundida no Brasil através do esforço dos brasileiros, Ronald Williams, Fábio Paiva, Frederico Diesperes e Sérgio Koenigsfeld.

1804: Willian Clark e Meriwether exploram o território a oeste do Rio Mississipi, utilizando canoas de casca de árvore colhendo as mais variadas informações e estabelecendo as novas rotas para a colonização. A qualidade do design original levou a fábrica americana Old Town Canoe a produzir mais de 400 canoas por mês em 1906 (Hildorf, 2002).

1908: Fundação do primeiro clube de canoas havaianas, no Havaí.

1933: Início da classe Malia, origem na embarcação de madeira koa, criada por Takeo-Yamazaki.

1954: O primeiro molde em fibra de vidro feito por Toots Minville, no Havaí, surgiu de uma variação do Malía.

1960: Kawelea, de Newport Beach, Califórnia, foi o primeiro outrigger em fibra de vidro a competir em Molokai. A partir deste ano, cresce o desenvolvimento de outros modelos no Havai e Califórnia, sendo o único produzido de fibra de carbono projetado por John Gage.

1994 – 1995: Fábio Paiva e Ronald Willians, após temporada de competições no Canadá e EUA, despertam o interesse em trazer a canoa havaiana para o Brasil. Ronald retorna ao Brasil e inicia contato com alguns atletas canoístas do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

1999 – 2000: Em Newport Beach-Califórnia, Ronald Willians compra de Denis Campbel, a canoa havaiana modelo OC-6, 46 pés para 6 remadores e registra o Outrigger Rio Clube (RJ) junto a International Va’a Federation-IVF. Mas Lanakila (canoa, como foi batizada) chega ao Brasil avariada, exigindo vários estudos para sua reprodução mantendo todos os rituais sagrados. Ronald, Frederico, Fábio e Sérgio, se unem para produzir o equipamento no Brasil, tendo Lanakila como modelo. Como Fábio já atuava no ramo da produção de caiaques, resolvem que a Opium Fibrglass de Santos-SP, passaria a fabricar as canoas brasileiras. Assim, foi criado o modelo OC-6, com capacidade para 6 remadores. Neste período, funda-se o Outrigger Rio Clube ou Rio Wa’a Nui Hoe (nome do Clube em havaiano), localizado na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro e a Associação Brasileira de Outrigger-ABRO ou Canoagem Havaiana-RJ. Durante o processo de acabamento de Lanakila em Santos, o Outrigger Rio Clube inicia suas atividades com o OC-1, canoa individual de 24 pés que chegou ao Brasil junto com Lanakila. No final deste período, também numa ação conjunta entre o Outrigger Rio Clube e a Opium Fiberglass, Lanakila estréia na Adventure Fair, em São Paulo.

2001: Realização do Campeonato de Canoas Havaianas Aloha Santos-SP, com 10 equipes de São Paulo e 02 do Rio de Janeiro, atraindo mais de duas mil pessoas para o evento. Além do colorido das embarcações, o público foi atraído pelo ritual dos atletas, como o grito de “hip roll”- comando para troca do bordo de remada. A cada 20 ou 25 remadas, um dos integrantes do time grita “Hip” e na seqüência os outros completam com o “roll”, passando os remos para o outro lado do barco. Todos os remadores devem gritar em sincronia e com vibração. Simultaneamente, este comando, serve também como liberação de energia e união do grupo.

2001: O primeiro Campeonato no Brasil de Canoas Havaianas foi produzido pela Canoa Brasil, dirigida por Fabio Paiva. Contando com orientação de uma professora especializada na cultura da polinésia, este evento, que recebeu o nome de Aloha Santos 2001, seguiu todos os rituais de batismo das canoas, nos padrões havaianos – danças com vestimentas originais, hula-hula, tochas, frutas, drinks e músicas típicas. Na primeira travessia de canoa havaiana do Brasil, a equipe do Paulistano formada por Maurício, Frederico, Leonardo, Coelho, Fábio Paiva, Roberta Borsari, percorre 80km de Santos à Barra do Sahy, em aproximadamente 10 horas. Roberta, além de vários títulos na canoagem, destaca-se como representante feminina também na canoagem havaiana. Juntamente com seu irmão Maurício Borsari, detém mais de 20 títulos nacionais e internacionais na canoagem. Neste ano, o Brasil conta com dois clubes de canoas havaianas (RJ e SP), 4 canoas OC-6 e uma canoa OC-1. Lanakila já estava em atividade na Paria Vermelha, Urca-RJ, onde são ministradas aulas e saídas no mar. Após a introdução tímida, a prática esportiva do outrigger ganhou grande impulso em 2001 como evento Ecomotion, em Angra dos Reis-RJ. Com a participação de 25 canoas, fabricadas pela Opium Fiberglass (SP).

2002: O Outrigger Rio Clube, participa da Prova Internacional de 67km “La Porquerollaise” na Riviera francesa e desenvolve contatos com Clubes no Canadá, na Nova Zelândia, na Austrália, na França e no Havaí. Realização da primeira prova oficial do estado do Rio de Janeiro, durante a 57ª Regata da Escola Naval e da primeira prova oficial Latino Americana – Rio Va’a, na Praia Vermelha-RJ. As canoas havaianas ganham espaço nos eventos de outras modalidades esportivas de aventura.

2003:
A Equipe Team Brazil – Outrigger Rio Clube – Velox (RJ) participa da maior prova de canoagem polinésia do mundo. Realizada em Kona – Havaí, este evento contou com a participação de 135 canoas. A equipe, composta pelos atletas: Nicolas Bourlon , Marcelo Depardo, Clóvis Racy, Pedro, Paulo Cordeiro e Rogério Martins (leme), marca a primeira participação brasileira em um campeonato no Havaí. No Campeonato Brasileiro de Canoas Havaianas Costa dos Alcatrazes, em São Paulo, as mulheres registram um recorde de participação, e, segundo Fábio Paiva, já conquistaram o diferencial nas categorias mistas com 50% de força de atuação. Destaque para as atletas: Marina Verdini, Carmen Lúcia Silva, Gisele Volpi, Roberta Borsari, Patrícia Feldmann. Realização do Primeiro Open Santista de Canoa Havaiana. Florianópolis inaugura o Centro de Canoagem Havaiana Kanola (nome inspirado no Deus Havaiano do Oceano), iniciativa de Alexey Bevilacqua e Rinaldo Feldmann e Fabio Paiva, em parceria com o Lagoa Iate Clube-LIC. Ronald Willians, ministra palestra para 200 profissionais e estudantes de Educação Física no II Fórum de Esportes Radicais-RJ. O Outrigger Rio Clube realiza o Campeonato Internacional de Canoas Havaianas da América Latina, no Rio de Janeiro.

Situação Atual: Números na ordem de 25 mil pessoas praticam este esporte na Polinésia francesa, onde é bastante popular, 10 mil no Havaí e 5 mil na Austrália. No Brasil, os números ainda são tímidos, na ordem de 300 praticantes. Mas sua ascensão, segundo os dois grandes protagonistas da história, está superando as expectativas. Atualmente este esporte já está sendo desenvolvido também fora das ilhas do pacífico, tendo como principais pontos difusores o Canadá, EUA, Costa Rica, Inglaterra, Alemanha, Itália, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong e Japão. Internacionalmente é administrado pela já citada IVF. Reconhecida pela IVF, a ABRO é sediada no Rio de Janeiro enquanto a Associação Brasileira de Canoas Havaianas-ABRACHA, sediada em São Paulo. Mas o movimento tomou forma e foi ganhando novos adeptos. Atualmente a Opium Fiberglass, já produziu 40 canoas, distribuídas em Santos, Guarujá, Bertioga, São Sebastião, Rio de Janeiro, Represa Guarapiranga e raia olímpica da USP, em São Paulo, Lago Paranoá (Brasília) e Santa Catarina. No Rio de Janeiro, o Outrigger Rio Cube já conta com 20 associados e dois centros de prática e treinamento na Praia Vermelha e Barra da Tijuca. A Mako, oficina carioca especializada em canoagem havaiana, já está disponibilizando a primeira OC-1 (Mako- Predador), a Mako-Mana, primeira OC-6 fabricada no RJ e a Mako– Ama, inspirada em amas “puffy” e “byxler” e amas italianas. Em Florianópolis, a Mastro D´Ascia, é especializada na arte de fazer remos para canoa havaiana. Ampliando suas áreas de atuação, este esporte também já conta roteiros para o segmento do eco-turismo, clínicas e centros de treinamentos, onde são trabalhando simultaneamente as questões ambientais e educacionais. Demonstrando o desenvolvimento deste esporte, as canoas havaiana estão inseridas no quadro de modalidades que compõem os Jogos Brasileiros de Esportes de Aventura 2004, promovido pela Associação Brasileira de Esportes de Aventura-ABEA. Identificam-se os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina como os de maior desenvolvimento nesta prática. Em Florianópolis-SC e Bertioga-SP, estão sendo organizadas mais duas grandes escolas de canoagem havaiana. Em resumo, o outrigger/canoa havaiana construiu, nos últimos dois anos, uma história de desenvolvimento no Brasil que supera as expectativas. Em termos de divulgação e aprimoramento técnico de atletas, o Circuito Brasileiro conta com 4 etapas. No plano econômico Fábio Paiva planeja difundir a modalidade com a exploração do turismo de aventura, divulgando e fornecendo estrutura para outros estados como RJ, SC, PR e Distrito Federal. Os cuidados com a preservação do meio ambiente levaram os fabricantes de canoas havaianas a substituírem a madeira Koa pela fibra de vidro.

História da Canoa Havaiana

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