Soviético, 1894-1971, estadista

O único monumento erguido para Khruschev está colocado sobre o seu túmulo. Uma metade do busto é preta e a outra, branca, simbolizando o que ele foi em vida: meio bom e meio mau. Khruschev despertou a Rússia do pesadelo do stalinismo: a denúncia do terror em 1956 será sempre creditada a ele.

Khruschev, um trabalhador manual que aprendeu a ler quando chegou à idade adulta, sucedeu a Stalin em 1955. Seu estilo de liderança aparentemente amistoso, que a princípio pareceu uma distensão, logo começou a alarmar os líderes do partido.

As reformas agrárias bem-intencionadas, como as plantações gerais de milho, às vezes traziam consequências absurdas. As declarações extra-oficiais serviam para minar a sua autoridade, tanto quanto as explosões teatrais, como o episódio em que esmurrou a mesa da ONU, e começou a bater os pés no chão em protesto.

Muito mais sério do que suas palhaçadas foi a tentativa de contrabandear mísseis nucleares para Cuba: quando o serviço de inteligência dos Estados Unidos tomou conhecimento do estratagema, khruschev foi forçado a recuar ou provocaria uma guerra mundial. Outro grande equívoco foi iniciar discussões com a China, conseguindo, assim, dividir o movimento comunista mundial. Depõem contra ele também as perseguições à Igreja Católica.

Porém, todos esses acontecimentos nefastos foram contrabalanceados pela sua única grande conquista: a dissolução e o desmantelamento do gulag (o sistema de repressão e os campos de concentração stalinistas, para onde eram mandados os intelectuais dissidentes do governo soviético).

Somente podemos imaginar a influência desses anos de mudanças sobre jovens funcionários como Gorbachev, que 30 anos mais tarde iniciou uma nova abertura, a perestróika. Involuntariamente, khruschev serviu de padrinho da glasnost.

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