Sul-africano, 1936, político

Willem De Klerk surpreendeu críticos e colaboradores ao converter-se em árduo defensor do fim do apartheid. O discurso proferido em 2 de fevereiro de 1990 quebrou um juramento de 80 anos de ideologia nacionalista africâner ao reconhecer que o apartheid não era mais uma opção tolerável para o governo do Partido Nacional, no poder desde 1948.

Nada em seu passado fazia com que a África do Sul esperasse a sua decisão de revogar a clandestinidade do CNA (Congresso Nacional Africano) e libertar Nelson Mandela. De Klerk assegurou suas bases políticas nas eleições de 1982 para a liderança do Partido Nacional Transvaal.

A doença de P. W. Botha, em 1989, abriu seu caminho para a Presidência sete meses mais tarde. Durante as eleições de setembro de 1989, admitiu que reformas básicas seriam essenciais se a economia da África do Sul pretendesse se recuperar das sanções que sofria de outros países.

Em 1990, De Klerk iniciou negociações com Mandela e começou a preparar uma nova constituição para a África do Sul após o fim do apartheid. Admitiu membros de cor negra no Partido Nacional, esperando dar ao seu partido chances de ganhar aliados entre os opositores negros do CNA e negar a Mandela a merecida vitória. Dessa forma, pretendia “dividir o poder sem perder o controle”.

O papel de De Klerk não se originou de convicções ideológicas, mas de uma vaidade pragmática, com o único objetivo de manter o poder político. Em 1993, De Klerk dividiu com o líder negro Nelson Mandela o Prêmio Nobel da Paz pelos esforços em acabar pacificamente com o apartheid. Inimigos no passado, fizeram aliança e venceram a eleição de 1994, com Mandela na Presidência e De Klerk como vice. O primeiro governo multirracial e pluripartidário da África do Sul.

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