Próximo à virada do século XIV a.C., um novo reino surgiu na Ásia Menor, atual Turquia, desafiando o poder do Egito no Oriente Médio. O império hitita é relativamente desconhecido para os historiadores de hoje, mas não há dúvidas de que seus habitantes usavam armas de ferro em uma época em que os egípcios e quase todos os outros povos ainda utilizavam o bronze para fabricar as suas.
Quando os hititas começaram a competir com o Egito pelo controle do território onde hoje ficam Israel e Líbano, os egípcios decidiram desferir um golpe fatal contra o novo reino. O faraó egípcio Ramsés II recrutou um exército de vinte mil homens, incluindo soldados de infantaria e condutores de carros de guerra. Teve como oponente um exército hitita de 8.500 homens de infantaria e dos carros de guerra (os hititas levaram 3.500 carros puxados a cavalo para o combate).

Ippolito Rosselini. Monumento Histórico, século XIX.
A batalha ocorreu ao sudeste de Kadesh em 1294 a.C., às margens do rio Orontes, na Síria. A princípio, os hititas pareciam levar vantagem. A força de seu primeiro ataque com os carros de guerra confundiu os egípcios e os hititas penetraram no acampamento principal do exército de seus inimigos. Muitos dos soldados hititas passaram a saquear o acampamento, o que deu aos egípcios a oportunidade para se reorganizarem. A batalha terminou em um empate sangrento e inconclusivo. Ramsés II registrou a batalha em detalhes em monumentos e obeliscos, mas seus registros não mostraram que a batalha de Kadesh deixou tudo praticamente como era antes: um poderoso reino hitita ao norte e um venerável império egípcio ao sul, com uma ”terra de ninguém” no meio. A batalha mudou a história do mundo porque deixou aquela terra de ninguém intacta. Na região (Líbano, Síria, Israel e Cisjordânia de hoje) desenvolveram-se mais tarde uma série de pequenos reinos (e não poderosos impérios). Esses pequenos reinos geraram importantes descobertas para o futuro do mundo. O reino da Fenícia, por exemplo, onde hoje fica o Líbano, desenvolveu o primeiro alfabeto fonético do mundo, com 21 letras, e os reinos da Judéia e de Israel desenvolveram práticas religiosas monoteístas.

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