Poucos povos na história do mundo lutaram tão obstinadamente por um período tão longo quanto os espanhóis em sua tentativa de reconquistar dos árabes e dos mouros a Península Ibérica. A Reconquista Espanhola durou de 800 d.C. a 1492, quando o reduto mais importante dos mouros, Granada, caiu ante os exércitos do rei Fernando de Aragão (1452 – 1516) e da rainha Isabel de Castela (1451 – 1504).
Os dois monarcas cristãos casaram-se em 1469, unindo seus reinos, antes distintos. Durante a década de 1480, eles lutaram contra o reino mouro de Granada, alojado na região mais ao sul da Espanha. Após a captura de Málaga, em 1487, tudo o que restava aos mouros era a própria cidade fortaleza de Granada, comandada pelo último dos líderes mouros, o rei Abu Abd Allah Mohammed XI, mais conhecido como Boabdil (morto em 1527).
Embora soubesse que sua posição era desesperadora, Boabdil se recusou a louvar os líderes cristãos. Em abril de 1491, o rei Fernando apareceu diante da cidade com oitenta mil homens. A despeito da capacidade de defesa da cidade (que era ainda maior devido aos dois castelos de Albaicín e Alhambra), os mouros estavam condenados a morrer de fome ou a ser derrotados em campo aberto. Para demonstrar seu poder invencível, Fernando e Isabel construíram uma cidade inteiramente nova, chamada Santa Fé, nove quilômetros a oeste de Granada.

R. Balaca. Cristóvão Colombo diante dos soberanos da Espanha, 1874. Museu de História Nacional, Buenos Aires.
Em face dessas dificuldades, Boabdil começou a negociar. A rendição se deu em 2 de janeiro de 1492, quando Boabdil entregou as chaves da cidade a Fernando e Isabel. A Reconquista chegava finalmente ao fim, séculos após os primeiros árabes e mouros cruzarem o Estreito de Gibraltar, em 711 d.C.
Como conseqüência secundária da vitória, Fernando e Isabel ficaram ricos o suficiente para patrocinar Cristóvão Colombo (1451 – 1506) em sua tentativa de encontrar terra navegando para o oeste, pelo oceano Atlântico. Com a mesma intensidade com que haviam ficado desconsolados com a rendição de Constantinopla, cristãos de toda a Europa ficaram exultantes com a notícia da tomada de Granada. Como resultado dessa vitória, uma série de impetuosos guerreiros espanhóis, nascidos e criados sob o ideal da Reconquista, iriam voltar sua energia para o Novo Mundo.

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