Constantinopla (atual Istambul), capital e centro nervoso do Império Bizantino, havia conseguido manter-se firme apesar dos 16 cercos, aproximadamente, que sofreu ao longo dos séculos. Seus altos muros e a proteção aquática natural com que contava em três de seus lados mantiveram sua segurança durante ataques de árabes, seljúcidas, turcos, ávaros, hunos e um sem-número de outros povos. Em 1453, a cidade estava em perigo devido ao aparecimento de um novo povo turco que trazia uma arma desconhecida.
Os turcos otomanos haviam aparecido na Ásia Menor aproximadamente em 1300. Eles formaram exércitos e capturaram a maior parte das terras bizantinas da península até 1400, mas haviam sido detidos por um ataque dos mongóis, liderado por Tamerlão (1336 – 1405) em 1402. Os turcos otomanos prosseguiram, partindo para sitiar Constantinopla em 1453. Com eles, levavam um grande número de canhões: os otomanos lideraram o desenvolvimento da artilharia pelos dois séculos seguintes.

A tomada de Constantinopla pelos turcos, 22 de abril de 1453, da Viaje d’Outremer de Bertrand da Broquiere.
A defesa de Constantinopla foi comandada pelo imperador bizantino Constantino IX. Apenas dez mil pessoas se apresentaram voluntariamente para lutar, portanto ele tinha uma pequena armada para resistir ao ataque de cinqüenta mil homens, 56 armas de fogo pequenas e 14 canhões pesados. A artilharia otomana logo começou a reduzir os muros de Constantinopla que, por séculos, haviam repelido invasores. O moral dos defensores estava muito baixo: os bizantinos haviam pedido ajuda a seus primos latinos em Roma e no ocidente, mas pouco auxílio havia chegado. Parecia que Constantinopla, a fortaleza que protegera a Europa durante séculos, estava sendo deixada à própria sorte.
Ao final de maio, os muros já haviam sido bombardeados e os turcos estavam prontos para atacar. O sultão Maomé II (1430? – 1481) liderou seus homens em uma investida que os colocou dentro da cidade. Uma vez do lado de dentro dos muros, os turcos encontraram pouca resistência. O imperador Constantino foi morto nos degraus de uma igreja e uma guarnição de 8.900 homens foi morta ou vendida como escrava. Os turcos saquearam a cidade por três dias, matando cerca de quatro mil habitantes: somente desistiram porque o sultão queria que Constantinopla fosse a capital de seu próprio império. Isso logo aconteceu – a cidade que ficava na encruzilhada da Europa com o Oriente Médio tornou-se o orgulho do novo Império Otomano.

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