História do Ballet Clássico

A dança remonta a tempos imemoriais, manifestando-se em todos os povos em distintas formas. Na vida do homem primitivo, a dança presidia todos os acontecimentos – nascimento, casamento, morte, caça, doenças, visando a vida, a saúde, a fertilidade, através da comunhão com a natureza. Mas as suas formas posteriores superaram o sentido estritamente simbólico, como já se constatava no Renascimento quando a dança passa a ser ensinada por mestres, a serviço das cortes. As fontes deste movimento surgem no século XIV, da Itália para outros países da Europa. A palavra “ballet” vem da palavra ballare (bailar) e de ballator (bailarino) e originalmente balleto. O primeiro ballet como espetáculo aconteceu em 1581, em Paris e, em 1661, o rei Luís XIV fundava a Academia Real de Ballet e a Academia Real de Música, confirmando o status de arte alcançado por ambas manifestações.

No século XIX, o Romantismo transformou todas as artes, inclusive o ballet, inaugurando assim um novo estilo, no qual aparecem figuras exóticas e etéreas se contrapondo aos heróis e heroínas, personagens reais apresentados nos ballets anteriores. O primeiro grande ballet romântico foi “La Sylphide”, que iniciou o trabalho nos sapatos de ponta. Ainda neste século, o francês Marius Petipa marca a relevância do ballet na Rússia, trabalhando com Tchaikovsky que criou três dos mais importantes ballets do mundo: “A Bela Adormecida”, o “Quebra-Nozes” e “O Lago dos Cisnes”. Logo após, o russo Diaghilev, editor de uma revista de artes, promoveu em Paris, os músicos russos, a Ópera russa e o ballet russo, inaugurando uma nova ordem no âmbito da dança com arte, que passou a apresentar estilos renovados como nas demais expressões.

No Brasil, o ballet clássico teve seu primeiro impulso significativo quando das visitas ao país de companhias internacionais de renome, como a de Diaghilev (1913 e 1917) e Ana Pavlova e seu corpo de baile (1918 e 1919). Neste período, Maria Olenewa, solista de Pavlova, permaneceu no Rio de Janeiro, pretendendo introduzir o ensino do ballet clássico em moldes avançados. Este objetivo foi alcançado efetivamente em 1927, ao ser criada uma escola de bailado sob sua direção no Teatro Municipal. Em 1930 a escola foi oficializada e surgiu o Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1937 foi contratado o coreógrafo e maître de ballet Vaslav Veltchek, outro mestre competente que haveria de consolidar definitivamente a obra de Oleneva. Porém, antes deste fato, em 1927, no Estado do Paraná, Tadeuz Morozowicz criava a primeira escola de Ballet do sul do Brasil. A Escola funcionou na Sociedade Thalia, em Curitiba.

Na década de 1930, talvez devido à ameaça e conseqüente eclosão da 2ª Guerra Mundial, houve uma migração de profissionais europeus para o Brasil, em particular para o Rio de Janeiro, maior centro cultural do país, à época. Vindos de países onde a ginástica e o ballet estavam em fase de mútuas influências, alguns destes profissionais imigrantes acompanharam o modelo de “academia” introduzido com sucesso por Naruna Corder desde 1925. Nas décadas de 1930 e 1940 as academias tanto de ballet per se, com este associado à ginástica floresceram no Rio de Janeiro, concentrando-se no bairro de Copacabana, destacando-se as de ballet clássico de Ana Baliska, russa; de Emma Vargas, húngara; e de Pierre Michailowsky e Anna Grabinsky, russos.

Situação Atual: Estima-se que no país existam atualmente 500 escolas de dança em que o ballet é predominante, com cerca de 1.500 profissionais envolvidos, com mais de 50 mil participantes e com 50 eventos anuais relacionados à modalidade (dados de baixa confiabilidade). No âmbito da Educação Física, há no mínimo cerca de 200 IES que oferecem a disciplina de dança, porém são desconhecidos os estilos adotados pela variedade de opções em escala nacional. Por sua vez, a prática escolar atual, de acordo com os PCN, implica em admitir a dança como um meio comum, mas de difícil quantificação. A inovação recente, nestas circunstâncias, residiria na incorporação da dança nos projetos de inclusão social seja por professores de Educação Física, por profissionais de dança stricto sensu ou por ambos em conjunto, como se verifica nos exemplos listados no mapa da parte III.

Dança Moderna

Definições e Origens: A dança moderna é um estilo consagrado da arte de dançar, marcado pelas formas de expressão de sua época. A dança moderna não é a evolução da dança clássica e sim a evolução do oposto à dança clássica. Os primeiros sinais de uma nova revolução estática e formal da dança já eram visíveis nos primeiros anos do século XX. Isadora Duncan, americana, nascida na cidade de São Francisco em 1878, foi a precursora da dança moderna. Suas primeiras aparições datam de 1900. Isadora se rebelou contra as formas pré-estabelecidas da dança clássica e proporcionou, com sua dança livre, o nascimento de uma nova era da dança, sem as tradições, convenções e posições da escola acadêmica. Esta revolução teve sua fase científica e orientada para o ensino por desenvolvimentos de Rudolf Laban, na mesma época. E este contexto levou a se considerar que ambas escolas – clássica e moderna –, tinham elementos comuns e convergiam para a formação de um novo estilo.

No Brasil, em específico no Estado do Rio Grande do Sul, a dança moderna tem como precursora Lya Bastian Meyer. Estudou na Alemanha e formou uma geração de dançarinos especialmente entre as décadas de 1930 e 1950. Ceci Frank, responsável por levar a técnica de Graham para Porto Alegre, também merece ser citada. Ainda em Porto Alegre, destaca-se Eva Schul, introdutora da técnica de dança moderna de Hanya Holm. No Rio de Janeiro, o grupo de Elenita Sá Earp e Glória Futuro, voltado para a Educação Física, nomeava suas práticas na década de 1940 com “dança moderna”. Em Belo Horizonte, no período de 1959 a 1974, Arnaldo Alvarenga, professor de dança e artes cênicas, desenvolve sua dissertação de mestrado focalizando o ensino e a linguagem da dança moderna em MG. Mais tarde, entre 1974 e 1978, Eva, do Rio Grande do Sul, dirigiu a Academia e o Grupo de Dança Mudança, por onde passaram profissionais que perpetuaram a dança moderna no Estado.

Situação Atual: Atualmente no Brasil , cerca de 100 escolas, 300 profissionais e 6.000 alunos vêm se envolvendo com a dança moderna, embora haja raros eventos específicos desta modalidade.

Dança Contemporânea

Definições e Origens: Na dança contemporânea não existem as grandes divisões que o tempo impôs ao balé clássico, embora distintas escolas tenham formado intérpretes com diversas técnicas.Um bom intérprete de dança contemporânea deve trabalhar sempre com vistas a um equilíbrio entre sua habilidade física, compreensão e sensibilidade. Na atualidade, há o surgimento e a consolidação de grandes e numerosas companhias de dança ditas contemporâneas, que se dedicam à elaboração de coreografias dotadas de um grau considerável de ecletismo, vigor físico e sensibilidade. Tais companhias procuram, através de suas obras artísticas, refletir e elucidar aspectos da cultura vigente a partir dos movimentos corporais presentes em suas coreografias.

Em 1962, em Curitiba, houve um evento que marcou um importante momento da dança contemporânea em escala nacional: o Primeiro Encontro das Escolas de Dança do Brasil, promovido e organizado por Paschoal Carlos Magno. Antes, em 1956, no estado da Bahia e com significado regional, a dança contemporânea inicia seu primeiro dos três grandes momentos: a criação da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Em 1977, acontece o segundo grande momento da dança contemporânea naquele estado, Dulce Aquino, também professora da UFBA, cria o Concurso Nacional de Dança Contemporânea fazendo, assim, com que a modalidade tivesse visibilidade até o fim dos anos 1980. O terceiro grande momento da dança contemporânea na Bahia se deu com a criação do Curso de Pós Graduação em Artes Cênicas da UFBA.

Em 1969, no Paraná, sob a direção de Ceme Jambay, foi criado o primeiro Corpo de Baile do Teatro Guaíra, atual Balé Teatro Guaíra. Em 1990, o Rio de Janeiro pôde contar com um grande evento da dança Contemporânea, o Olhar da Dança Contemporânea e o Panorama da Dança Contemporânea do Rio, criado por Lia Rodrigues. Um acontecimento também marcante para este estilo foi a chegada ao Brasil do curador Guy Darmet, responsável pela escolha das Companhias que participariam da sétima edição da Bienal de Lyon. Em 2000 e 2001, a dança contemporânea, em Brasília, pôde contar com trinta profissionais atuantes, dezesseis em GO, seis no MS e dois no MT.

Nos dias atuais, as grandes companhias de destaque no Brasil em termos de classificação são as oficiais (aquelas que têm longa sobrevida, ou seja, contam com ótima perspectiva de desenvolvimento de seu trabalho assim como sua manutenção): Corpo de Baile do Teatro Municipal/ RJ; Balé da Cidade de São Paulo/ SP; Companhia do Balé de Minas Gerais da Fundação Clóvis Salgado/ MG; Companhia de Balé do Teatro Guairá/ PR; Balé do Teatro Castro Alves da Bahia/ BA; Corpo de Dança do Amazonas/ MA; novas oficiais (aquelas mantidas pelas secretarias de Culturas Estaduais ou Municipais, pois os bailarinos são selecionados através de concurso público e contratados de acordo com a legislação vigente): Balé de Lodrina/ PR; Balé de Niterói/ RJ; Balé de Manaus/ AM; Balé de Santos/ SP; Balé de Santo André/ SP; Balé de Ribeirão Preto/ SP; profissionais/ empresas independentes (particulares, porém seus coreógrafos não são necessariamente seus empregadores, em atuação há mais de 10 anos no circuito nacional e internacional): Grupo de Dança Primeiro Ato/ RJ; Companhia Carlota Portela/ RJ; Companhia Cisne Negro/ SP; com marca de um só autor (aquelas cujo empregador também é seu coreógrafo): Grupo Amina/ RS; Grupo Olho do Tamanduá/ SP; Companhia Lia Sampaio/ AM; Companhia Jorge Silva/ BA; Ballet Rural/ BA; Balé Tran-chan/ BA; Quasar/ GO; Débora Colker/ RJ; Companhia de Atores – bailarinos Regina Miranda/ RJ; Ballet Estagium/ SP; e Grupo Corpo/ MG.

Situação Atual:
Atualmente, há cerca de 1200 escolas de dança, 100 companhias e 500 academias, estimando-se em 1600, o número de profissionais (professores e bailarinos de companhia) e, em 43 mil, o número de alunos que se envolvem com a modalidade. Contudo, contam-se poucos eventos específicos organizados pelos órgãos públicos e privados do país, a despeito de que as companhias de dança contemporânea estejam ocupando um espaço cada vez maior no cenário cultural brasileiro, quer pelo critério de divulgação na mídia, quer pela presença de um grande público em seus espetáculos.

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