História da Baixa Idade Média

CARACTERÍSTICAS

As características do feudalismo não foram acentuadas durante toda a Idade Média. Aos poucos, elas perderam sua força e deram lugar a novas características. Preparava-se o início de um novo tipo de sociedade, diferente da feudal. Cresceram os conflitos entre a Igreja e o poder temporal. Surgiram as Cruzadas. Renasceram as cidades e o comércio. O poder político foi, gradualmente, sendo centralizado na pessoa dos reis, constituindo-se as monarquias nacionais. No século XIV, fome, pestes, guerras e rebeliões de servos abalaram ainda mais as já combalidas instituições feudais. Toda essa transformação na sociedade feudal era a preparação para uma revolução na economia, na política e nos costumes, que viria a ser chamada de Revolução Comercial (séculos XV, XVI e XVII).

O crescimento populacional está relacionado a dois fatores básicos: o fim das invasões bárbaras, que diminuiu os conflitos e conseqüentemente as mortes em combate, aumentando a expectativa de vida do homem europeu; por outro lado, ocorreu um aumento na quantidade de terras cultiváveis, melhorando as condições de alimentação da população.

Uma conseqüência imediata do crescimento populacional do início da Baixa Idade Média foi a falta de terras para serem transformadas em benefícios (feudos), o que afetava os filhos da nobreza, que se viam na iminência de se tornarem senhores sem feudos.

CRUZADAS

O cruzadismo no Oriente Próximo desenvolveu- se entre os anos de 1095 e 1270. Nesse período, houve oito cruzadas apoiadas por inúmeros reis, imperadores e papas. Com a Primeira Cruzada (1095- 1099), a cristandade européia conseguiu apoderar-se de Jerusalém e estabelecer, na região, um reino feudal. Mas, no século XII, os turcos voltaram a apoderar- se da cidade santa.

Para combatê-los, organizaram-se novas expedições, que fracassaram no seu objetivo. No entanto, mesmo não atingindo o seu objetivo básico, as Cruzadas trouxeram uma série de importantes mudanças para a sociedade européia.

Uma primeira e fundamental conseqüência do movimento cruzadista foi a reabertura do Mediterrâneo à navegação cristã ou, como dizem alguns historiadores, “a quebra do anel de ferro muçulmano em torno do sul da Europa”.

Com efeito, à medida que a maior parte das expedições cruzadistas procuraram atingir o Oriente Médio, navegando pelo Mediterrâneo, à sua passagem, a dominação muçulmana naquele mar foi sendo liquidada.

Uma outra conseqüência de grande importância foi a mudança nos hábitos de consumo da população européia. Em cada uma das Cruzadas, participaram milhares de pessoas, que tomaram contato com o estilo de vida oriental.

O movimento das Cruzadas representou um formidável estímulo ao comércio na região sul da Europa. Enquanto o cruzadismo e o comércio desenvolviam- se no Mediterrâneo, crescia também a atividade comercial na região norte do continente. A partir dessas duas regiões, as trocas começaram a realizar-se numa escala cada vez maior, nas diversas partes do território europeu.

O RENASCIMENTO COMERCIAL

O movimento cruzadístico em muito contribuiu para o desenvolvimento comercial. O tráfego marítimo tornou-se mais intenso e seguro. Construíram- se faróis e estaleiros. Os caminhos terrestres e os portos marítimos e fluviais foram melhorados.

Os produtos do Oriente – jóias, perfumes, especiarias, sedas, louças, peles, couros, cereais – chegaram aos portos das cidades italianas, francesas e alemãs. As trocas comerciais passaram a ser feitas por meio de moedas; surgiram novas cidades e as já existentes se desenvolveram.

O comércio se desenvolveu principalmente por rotas fluviais e marítimas, devido às péssimas condições das estradas medievais. Os mares Mediterrâneo, do Norte e Báltico, formaram os eixos econômicos da Europa.

O Mediterrâneo voltou a ser a via principal das atividades italianas. Veneza, Gênova e Pisa redistribuíam pela Europa os produtos vindos do Oriente. Veneza importava do Egito e da Síria especiarias (canela, cravo, pimenta) e tecidos.

Exportava madeiras e armas. A grande rival de Veneza foi Gênova, revendendo produtos orientais, particularmente tecidos. Após o século XII, exportava para o Oriente tecidos de lã confeccionados em Flandres e em Florença.

As feiras tinham importância não apenas pelo comércio. Os últimos dias eram consagrados às transações financeiras. Até o século XII, a moeda praticamente desaparecera. Com o Renascimento Comercial, ela fez seu reaparecimento. Surgiu o esterlino, peça de prata inglesa. Em ouro, eram cunhados o escudo francês, o ducado, de Veneza e o florim, de Florença.

No centro da feira, os banqueiros, chamados na época de cambistas, pesavam, avaliavam e trocavam as mais variadas espécies de moedas. Faziam-se empréstimos, liquidavam-se velhas dívidas, movimentavam-se letras de câmbio. A terra deixava de ser a única riqueza na Europa ocidental. Essa verdadeira revolução econômica enfraquecia a nobreza, ligada à terra, e fortalecia a burguesia, ligada ao dinheiro.

AS ASSOCIAÇÕES DE ARTESÃOS E COMERCIANTES

As corporações de ofício aglutinavam todos os que se dedicavam a um mesmo tipo de trabalho. Assim, quase todas as cidades possuíam diversas corporações, como, por exemplo, a dos sapateiros, a dos tecelões, a dos curtidores etc.

Aprendizes, jornaleiros e mestres faziam parte da mesma associação, lutando pelos mesmos interesses. A distância entre trabalhadores e proprietários era pequena. O aprendiz, com o tempo, viria a ser mestre e teria sua própria oficina. O jornaleiro vivia com o mestre, comia da mesma comida, era educado nas mesmas idéias.

As corporações tinham por objetivo regulamentar a profissão, evitando excesso de pessoas no mesmo ofício, controlar a qualidade e o preço do produto, dificultando a concorrência, dirigir o aprendizado da profissão e amparar os artesãos necessitados.

As guildas eram associações organizadas pelos mercadores das cidades, com o fim de defender os seus interesses mercantis. No início, essas associações abrangiam todos os que viviam do comércio.

As hansas eram sociedades mercantis poderosas, organizadas com o objetivo de ampliar o sistema de comércio e proteger os interesses dos seus associados.

O RENASCIMENTO URBANO

Com o renascimento comercial, a vida nas cidades foi crescendo e houve uma forte aceleração na urbanização. Cidades que praticamente haviam desaparecido durante a Alta Idade Média revigoraram-se. O encontro de rotas comerciais e as feiras também deram origem a novas cidades.

As condições de higiene dessas cidades eram precárias. As construções eram pequenas; devido ao alto preço dos terrenos e da madeira, praticamente amontoadas umas sobre as outras. As ruas, destituídas de calçamento, eram estreitas e tortuosas. Inexistia sistema de esgoto.

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