A História do Atentado de 11 de Setembro

11 de Setembro Do nono mês de 2001 até os dias de hoje. a inscrição “Nine Eleven” (9-11). ou em sua extensão decodificada transformada em data. “September Eleven” (11 de Setembro), tem sido reservada, nos livros e no imaginário coletivo, aos eventos ocorridos em Nova York e Washinaton na manhã do ano I do século XXI.

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O que é a Al-Qaeda

Superpotência do nosso tempo, os EUA. como centro cultural, midiático. político e militar de um mundo em constante ebulição tecnológica e com intensa velocidade no fluxo das informações, conseguiram, em um processo não exatamente voluntário, mas também fruto de sua dominação, com que boa parte do mundo compartilhasse de suas interpretações oficiais dos atentados quase que instantaneamente. Mais que isso: como se todos os acontecimentos ocorridos na mesma combinação gregoriana de dia e mês da longa história da humanidade estivessem relegados ao segundo plano a partir dali. Desde as primeiras horas daquele dia. o 11 de Setembro está reservado paia 2001. Neste sentido, momentos considerados clássicos e relevantes de distintos períodos históricos ocorridos em qualquer outro 11 de setembro são obscurecidos em detrimento da clássica manhã estadunidense. São exemplares desta subjugação da memória: a lendária Batalha de Stirling Bridge. grande vitória do movimento de independência escocesa liderado por William Wallace em 1297; o protesto de mais de três mil indianos no Empire Theatre em Johannesburg em 1906. quando Mahatma Gandlii discursou contra as políticas racistas da África do Sul e propôs o “Satyagraha”; ou o bombardeio do Palácio de La Moneda de 1973. seguido do assassinato do Presidente Salvador Allende. golpe arquitetado pela CIA que estabeleceu uma ditadura militar no Chile.

No entanto, se é verdade que é preciso cuidado paia não reverberar ideologias do poder fazendo eco com discursos oficiais que interpretam os acontecimentos da maneira que lhes for mais conveniente, é também necessário reconhecer que o que houve naquele dia não esteve nem perto de ser corriqueiro ou irrelevante historicamente. A versão mais difundida, justamente a divulgada oficialmente, é de que quatro aviões comerciais (dois saindo de Boston, um de New Jersey e outro de Washington) foram seqüestrados por jihadistas ligados à Al Qaeda treinados para tomar as aeronaves e transformá-las em mísseis contra alvos estratégicos: os dois que voaram de Massachussetts encontraram o destino mais famoso, as ‘Torres Gêmeas”, prédios norte e sul do complexo empresarial “World Trade Center”, situado na Ilha de Manhattan, em Nova York: aquele que saiu de Washington sequer deixou a cidade e atingiu o Pentágono, principal instalação da inteligência militar dos EUA. O quarto avião não cumpriu o seu objetivo, explodir o Capitólio em Washington, por conta de uma revolta de passageiros que tentaram retomar o controle do voo – na iminência do sucesso do grupo que tentou invadir a cabine. os seqüestradores decidiram atirar a aeronave no solo. no interior da Pensilvània (cerca de 20 minutos distantes da capital federal). Diversos estudiosos, analistas, militantes, adeptos de teorias conspiratórias e mesmo familiares de vítimas contestam diferentes pontos das versões oficiais mas. ainda hoje. estas são as mais aceitas em estudos acadêmicos. No saldo daquela manhã, um dado impressionante: 19 jihadistas suicidas ao todo. com os quatro ataques, levaram danos físicos a mais de nove mil pessoas, das quais quase três mil morreram.

As conseqüências devem ser pensadas para além dos números estatísticos de vítimas diietas e dos próprios atentados por eles mesmos. Para o grupo que ocupava a Casa Branca na época, mais que uma agressão, os eventos surgiram como uma oportunidade. Em crise de legitimidade após uma eleição polêmica. George W. Bush e Dick Cheney aproveitaram do clamor popular para colocar em prática a sua agenda política conservadora com mais vigor. Agredidos e com o direito legitimado pelo consenso internacional não só de se defender como de revidar, os EUA trouxeram como contra-ataque a “cruzada” global contra o “terrorismo”, uma vaga noção que significava, no contexto, pouca coisa definida. Este processo, na mesma proporção que inflamou o nacionalismo estadunidense, deu fôlego eleitoral que garantiu ao grupo a reeleição três anos depois.

Como se viu mais tarde, a “Guerra ao Terror” se estabeleceu e se ampliou mundialmente de maneira diversa e confusa, significando bem mais do que simplesmente declarar um confronto formal a organizações ou países que supostamente teriam participado ou abrigado militantes que participaram dos atentados de 11 de setembro. A avalanche de escândalos de corrupção envolvendo a alta cúpula do governo com empresas do ramo infraestrutural e bélico com contratos bilionários num contexto de superfaturamento dos orçamentos de defesa, bem como a demora em prender Osama Bin Laden. foram fatores que acabaram minando o governo Bush-Cheney. A ascensão de Barack Obarna. do sen discurso contra a Guerra do Iraque em 2002 ã sua vitória nas prévias presidenciais democratas, está diretamente ligada ao processo de desgaste da política conservadora republicana. A crise financeira de 2008 terminou de enterrar o cadáver político de um presidente que deixou o poder com o pior índice de aprovação da história dos EUA. inviabilizando a eleição de John McCain. seu companheiro de partido e candidato á sucessão do cargo.

A influência das medidas adotadas como conseqüências dos atentados de 11 de setembro de 2001 escapou das fronteiras estadunidenses e de seus conflitos diretamente empreendidos. Isso porque, para além de ter levado a cabo duas Guerras, a do Afeganistão e a do Iraque, os EUA utilizaram de sua capacidade econômica e de todo o seu poder de influência e coerção paia atrair aliados, despejando e reivindicando bilhões de dólares em orçamento de defesa para criar um “esforço internacional” antiterrorista. centrado filosoficamente no caráter apátrida dos “inimigos”. Essa iniciativa, pela própria imprecisão daquilo que dizia combater, teve conseqüências em múltiplas direções que transcenderam simplesmente a questão do fundamentalismo islâmico ou o ódio antiocidental e avançaram pela África. América do Sul. Ásia e Europa.

As políticas mundiais antiterroristas atingiram os mais variados tipos de grupos e lutas sociais e acabaram servindo para que inúmeros Estados se aproveitassem do cenário internacional propício para caracterizar os inimigos políticos como terroristas em determinados contextos em disputa. Desta maneira, mais do que as máquinas de raios X nas salas de embarque e os bilionários orçamentos de segurança que diversas nações, organismos e estruturas de grandes eventos aprovam anualmente para se prevenir de atentados, a herança do 11 de Setembro se apresenta de maneiras distintas tanto nos EUA quanto em outros países do mundo. Sua influência passa pela aceleração da militarização da política, criminalização de movimentos sociais, o emprego de forças militares privadas, o reforço de posturas imperiais, a espionagem civil como prática permanente, a indústria cultural do medo. o estereótipo dos muçulmanos como terroristas, entre outras tantas. Mais de uma década depois dos atentados daquela manhã, ainda é cedo para mensurar o exato peso dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001 para a história da humanidade.