História da Arte Barroca

O surgimento do Barroco no século XVII, na Itália, deve-se a uma série de mudanças econômicas, religiosas e sociais ocorridas na Europa. Com o humanismo, o Renascimento e, principalmente, a Reforma Religiosa de Lutero, a Igreja católica teve seu poder enfraquecido. O grande Império cristão fragmentou- se em diversas religiões e para reconquistar seu prestígio e poder, organiza a Contra-Reforma, tomando iniciativas que visavam reafirmar e difundir a fé católica. Uma dessas iniciativas é a imediata construção de grandes igrejas que serão verdadeira exibição artística da riqueza, do esplendor e do poder católico. É na construção desse tipo de Igreja que nasce a arte Barroca.

Da Itália, a arte barroca se propagou para outros países europeus e pelo continente americano através dos colonizadores portugueses e espanhóis. Mas ela não se desenvolveu de forma igual. Houve grandes diferenças entre artistas e entre obras produzidas nos diferentes países. Inclusive no Brasil, onde a arte Barroca, em muitos aspectos e também na sua duração histórica, superou a própria arte italiana.

Apesar disso, alguns princípios gerais podem ser indicados como característicos dessa arte: o barroco rompeu o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os renascentistas procuraram realizar de forma consciente. No barroco, predominam as emoções e não o racionalismo renascentista. As figuras barrocas são representadas de tal forma que parecem estar em movimento. O Barroco apresentou um dinamismo e um exagero de formas e cores jamais visto no Renascimento.

Historicismo

1523 – Reforma Protestante de Lutero.
1541 – Contra-Reforma Católica.
1542 – Instaurada a Santa Inquisição pelo Concílio de Trento.
1600 – Caravaggio pinta A Conversão de Santo Paulo.
1607 – Final das obras da Basílica de São Pedro.
1612 – Ingleses iniciam a colonização da Índia.
1636 – Rembrandt pinta O Cegamento de Sansão.
1654 – Expulsão dos Holandeses do Brasil.
1660 – Vermeer cria A Moça de Turbante.
1687 – Jesuítas fundam Sete Povos das Missões (Brasil).
1740 – Bouchet pinta Triunfo de Vênus.
1757 – Início da Construção da Igreja de Sta. Genoveva.
1766 – Aleijadinho projeta a Igreja de São Francisco de Assis.

A Pintura Barroca na Itália

De um modo geral, a pintura barroca pode ser resumida em alguns pontos principais. O primeiro é a disposição dos elementos dos quadros, que sempre forma uma composição em diagonal. Além disso, as cenas são envolvidas em acentuado contraste de claro- escuro, intensificando a expressão de sentimentos. E se a pintura barroca é realista, essa realidade não é só a vida de reis e nobres, mas também a do povo simples.

Dentre os pintores italianos desse período, quatro são os mais expressivos; Michelangelo, o verdadeiro precursor do barroco, ainda dentro do Renascimento. Seu trabalho na Capela Sistina já prediz o que seria o barroco. Ele lançou as bases da pintura barroca, seu estilo e suas tendências.

O Segundo foi Tintoretto, o mestre do Maneirismo que, com o passar dos anos, enveredou pelo barroco, encontrando nesse estilo o campo fértil para seu talento. Tintoretto determinou aqui duas características bem marcantes: os corpos das figuras são mais expressivos do que seus rostos e a luz e a cor têm grande intensidade.

Tintoretto (Jacopo Robusti, 1518 – 1594) – O Mestre Filho de um Tintureiro

Pintor italiano de Veneza, cujo apelido, Tintoretto, deriva da profissão de seu pai, um tintureiro. Foi na tinturaria do pai que o jovem pintor começou a experimentar cores e tons, ainda sobre tecidos velhos e manchados.

Produziu uma grande quantidade de obras para a Igreja, além de cenas mitológicas e retratos. Foi um desenhista formidável que se destacou por empregar em suas telas vívidos exageros de luz e movimento. Já velho e milionário, resolveu ensinar sua arte a jovens discípulos, fundando sua própria escola de arte, atitude incomum para a época.

Caravaggio (1573 – 1610) – O Uso Revolucionário da Luz

Caravaggio não se interessou pela beleza clássica que encantou o Renascimento. Procurava seus modelos entre pessoas do povo. O que melhor caracteriza a pintura de Caravaggio é essa atitude de retratar os temas sagrados como um acontecimento atual entre pessoas humildes; as figuras bíblicas assemelham- se a trabalhadores comuns, com fisionomias curtidas pelo tempo.

E mais que isso, a forma revolucionária como ele usava a luz. Ela não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo artista para dirigir a atenção do observador. Isso foi tão fundamental na sua obra, que ele é conhecido como fundador do estilo Iluminista.

Andrea Pozzo (1642 – 1709) – Os Tetos das Igrejas Abrem-se para o Céu

A pintura barroca desenvolveu-se também nos tetos de igrejas e de palácios. Essa pintura, decorativa, marcou o trabalho de Pozzo, que ao pintar os interiores e teto das igrejas, impressionava pelo número de figuras e pela ilusão – criada pela perspectiva – de que as paredes e colunas da igreja continuam no teto, e que este se abre para o céu, de onde anjos e santos convidam o homem para a santidade.

O Barroco Fora da Itália

Espanha

Na Espanha, o Barroco se desenvolveu principalmente na arquitetura, nos entalhes requintados das portadas de edifícios religiosos e civis. Em relação à pintura, a Espanha foi muito influenciada pelo Barroco italiano, onde predominou o realismo. O artista que mais se destacou no Barroco espanhol foi:

Diego Velázquez (1599-1660) – A Cara da Nacionalidade Espanhola

O maior pintor da escola espanhola, mestre na representação de luz e sombra. Nasceu em Sevilha, e logo na adolescência produziu obras que impressionam pela elaborada técnica utilizada. Em 1623, foi nomeado um dos pintores da corte do rei Filipe IV, tornando-se o mais prestigiado pintor do reino.

Embora tenha se dedicado a pintar retratos da realeza, também registrou em seus quadros o cotidiano de pessoas humildes do seu país.

El Greco (Domenikos Theotocopoulus, 1541 – 1614) – A Verticalidade da Pintura

Nascido na Grécia, (daí o apelido El Greco) destacou-se em Toledo, na Espanha, onde se estabeleceu e desenvolveu seu estilo próprio, a partir de 1577. Suas obras se caracterizam pela predominância da verticalidade, que lembra os temas góticos, as figuras são alongadas e geralmente pintadas em cores frias.

Extravasou em sua pintura um intenso sentimento religioso, uma forte ironia com a Igreja (no quadro O Enterro do Conde Orgaz, metade dos rostos das figuras presentes ao enterro são do próprio El Greco), em diferentes fases da vida e a outra metade, de bispos e padres. O pintor se divertiu com a ironia, mas o Papa quis excomungá- lo.

Países Baixos

O Estilo Barroco expandiu-se da Itália para vários países europeus entre os séculos XVII e XVIII. Na Holanda, ele adquiriu características próprias do povo holandês, a austeridade e a praticidade. Realista, o artista holandês não se preocupava com padrões de beleza, preferindo retratar cenas do cotidiano, diferenciando- se do artista italiano, que retratava na maioria das vezes temas nobres. Dentre os holandeses, cita-se:

Peter Rubens (1577-1640) – A Força da Cores Quentes

Rubens nasceu em Siegen, na Alemanha, lugar em que seu pai, um advogado holandês, se refugiou para escapar da perseguição religiosa. Aos 10 anos de idade, após a morte de seu pai, Rubens vai para a Antuérpia acompanhado de sua mãe. Foi na Antuérpia que ele teve como um de seus mestres o pintor Otto van Veen, que o influenciou a ir para a Itália. Em 1600, dois anos após ter se tornado mestre, Rubens vai para Roma, onde conhece as obras renascentistas que serviriam de base para seu grande estilo.

Rubens costumava dar às vestimentas um colorido exuberante que contrastava com a pele clara das figuras retratadas. Trouxera da Itália a predileção por telas gigantescas e foi mestre na arte de dispor as figuras, a luz e a cor numa vasta escala, sugerindo um intenso movimento.

Rembrandt van Rijn (1606-1669)- A Emoção da Claridade

Foi o maior artista da escola holandesa. Nasceu em Leiden e se mudou para Amsterdã aos 17 anos. Sua obra se caracteriza pela predominância de expressões dramáticas e pela utilização de vívidos efeitos de luz. Rembrandt conseguiu reproduzir em suas telas uma gradação de claridade nunca vista antes. Embora os retratos e cenas religiosas e mitológicas constituam a maior parte de sua obra, ele também contribuiu de forma original com outros gêneros, incluindo a natureza-morta e o desenho.

Vermeer (1632 – 1675) – A Beleza Delicada da Vida Cotidiana

Diferente de Rembrandt, Vermeer trabalha os tons em plena claridade. Seus temas são sempre os da vida burguesa da Holanda seiscentista. Seus quadros documentam com uma beleza delicada os momentos simples da vida cotidiana.

No quadro Mulher Lendo uma Carta, por exemplo, observamos o quarto inundado de luz e uma suave harmonia de cores e formas. Assim como essa obra, muitas outras pinturas de Vermeer que retratam ocupações domésticas em interiores mostram um sugestivo trabalho com os efeitos de luz.

A Escultura Barroca

O Equilíbrio entre razão e emoção, característica da escultura renascentista, desapareceu com o predomínio do Barroco, que escolheu a dramaticidade das expressões e o dinamismo dos movimentos como elementos básicos de seu espírito. Essas peculiaridades da escultura barroca se concretizaram através da predominância de linhas curvas, excesso de dobras nas vestes e a utilização do dourado.

Os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento. Como na pintura, o impulso inicial para esse desenvolvimento artístico partiu de artistas italianos, entre os quais Gian Lorenzo Bernini (1598- 1680) foi o mais importante. Arquiteto, escultor, urbanista e pintor, Bernini conseguiu, com suas esculturas, registrar momentos de pura expectativa, que envolvem o observador emocionalmente.

Arquitetura Barroca

A arquitetura do séc. XVII realizou-se principalmente nos palácios e nas igrejas. A Igreja Católica queria proclamar o triunfo de sua fé e, por isso, realizou obras que impressionaram pelo seu esplendor. Por outro lado, governantes como Luís XIV, da França, que se consideravam reis por direito divino, também desejaram palácios que demonstrassem poder e riqueza.

Quanto ao estilo da construção, os arquitetos deixam de lado os valores de simplicidade e racionalidade típicos da Renascença e insistem nos efeitos decorativos, pois “no barroco, todo muro se ondula e dobra para criar um novo espaço”.

Outro fato importante que merece ser assinalado é o reconhecimento, no barroco, de que as áreas que cercam os prédios tinham importância para a beleza final da construção. Daí a preocupação paisagística com os grandes jardins dos palácios, como em Versalhes, ou com as praças das igrejas, como a basílica de São Pedro, no Vaticano.

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