Araquém Alcantara (Biografia)

Araquém Alcantara

Araquém Alcantara Fotógrafo de natureza no Brasil, é um dos mais importantes da atualidade.

Sumário
1 síntese biográfica
1.1 carreira
2 Mais médicos
3 Ligações externas

Araquém esgotos informações sobre o modelo
Araquemalcantara.jpg
Nascimento 16 de de 1951
Florianópolis, Bandeira do Brasil Brasil
Ocupação Escritor

Síntese biográfica
Nasceu no Brasil, Florianópolis em 16 de janeiro de 1951.

Carreira profissional
Dedica-se desde 1970 à documentação do povo e da natureza brasileira. Da sua produção consistem:

44 livros.
18 livros em co-autoria.
Recebeu 3 prêmios internacionais e 32 prêmios nacionais.
56 exposições individuais e 25 exposições coletivas.
Inúmeros ensaios e reportagens para jornais e revistas do Brasil e do exterior.
Mais médicos
Argumento

Comecei a ver humanidade e Poesia na minha lente quando observei as pessoas sendo cuidadas, tocadas pelos cubanos, diz o autor do livro Mais Médicos, cujas imagens circularam no mundo depois que Cuba decidiu não continuar participando do Programa.

“Não é possível que as crianças ainda dormam com fome, os idosos sejam desassistidos e as comunidades careçam de um critério médico, de um atendimento. Os cubanos demonstraram aqui um novo modo de praticar a medicina. Percebi-o, sobretudo, quando iam ver as pessoas doentes e dar essa atenção. Isso é revolucionário”.

Quem afirma categoricamente acompanhou de perto, câmera na mão, o programa mais Médico nos lugares mais remotos do gigante sul-americano. Então este homem sabe, por sua experiência, que a saída dos profissionais da maior das Antilhas dessa iniciativa cria “um vazio muito grande que será impossível de preencher pelo governo apesar de todas as suas convocações”.

O fotógrafo e jornalista Araquém Alcântara, autor do livro Mais Médicos —apresentado em 2015 por sua editora Terra Brasilis, e cujas imagens circularam no mundo depois que Cuba decidiu não continuar participando do Programa a partir das declarações de Jair Bolsonaro—, dialogou com este jornal sobre como nesse ano percorreu 38 cidades de 20 Estados do Brasil, buscando capturar a dimensão humana do projeto, que dois anos antes havia começado no país sob proposta da presidente Dilma Rousseff.

“O que mais me marcou foram os olhares. A questão da aproximação, do tato, da conversa, do carinho, dos médicos circulando por todos os lados. Eram profissionais que não ficavam apenas atrás da mesa, atendendo as pessoas em dez, 15 minutos; mas dedicados a escutar, participando de questões da comunidade, envolvendo-se com o povo”, assegura.

O começo, um amigo

Para chegar até a rua Visconde de Luz Não. 171, em Vila Olimpia, onde tem a sua pequena oficina Alcântara, é preciso atravessar boa parte da cidade de São Paulo. Foi aí que nos contou a história que inspirou um amigo, após o retorno do famoso fotógrafo de uma expedição no Pantanal – o maior Pantanal do mundo, que cobre a parte mais ocidental do Brasil -, onde capturava imagens para um livro sobre o jaguar.

“O amigo e Doutor Fausto Figueira de Melo Junior Foi quem me convidou a fazer uma viagem mais longa pelo Brasil mostrando, sobretudo, a ação médica em áreas remotas, não apenas onde estavam cubanos. Minha felicidade é criar belezas, mas acima de tudo, distribuí-las. Minha foto é feita para provocar, para dar prazer, inquietar. Nesse contexto, percebi intuitivamente que estava diante de um belíssimo trabalho, acima de qualquer posição partidária.

“Depois de um ano de andanças com a coordenação editorial Deder Chiodetto, o desenho gráfico de Cristina Gur, e do companheiro de viagem, Marcelo Delduque, no comando dos textos, publicamos o livro, que se esgotou, e que agora ganha este momento histórico. Este triste momento histórico”, reitera Alcântara, que reconhece que a atual circulação da obra demonstra que ” as pessoas não estão cegas e que ainda há vida inteligente.

“Os reflexos negativos da saída dos cubanos do Programa já são notáveis. São 700 municípios que nunca tiveram médico e agora voltam a ter que improvisar com enfermeiras. É uma pena, mas sobretudo um acto de lesa humanidade, na minha opinião, porque era necessário ver esse Programa para além das questões políticas. É uma questão de humanismo.

“Com esse espírito fiz esta série e está tudo no texto como demonstração do amor dos médicos estrangeiros ao seu trabalho. O Brasil precisa aprender a ser patriota, já que nossa noção de cidadania é muito pequena, e precisamos efetivizar a fraternidade e repartir essa maravilha que é lutar para acabar com a fome, com as carências de um país que poucos conhecem”, ressalta.

Exemplos vivos

Foram muitas as histórias que marcaram Alcântara em suas andanças, sobretudo casos de solidariedade em que o médico se aproximou dos líderes e das comunidades, como aconteceu em pouco Redondo, um município no estado de Sergipe, que tem o pior índice de desenvolvimento humano. “Ali o doutor Sael, da Santeria cubana, e Dona Josefa, líder de uma comunidade quilombolay que fazia a maioria dos partos, uniram-se por meio da espiritualidade e transformaram a atenção, inclusive a prevenção nesse local, dando palestras sobre sexualidade para os jovens.

“Outros casos ,como por exemplo o de uma doutora no Estado de Alagoas que descobriu a presença de um grande índice de esquistossomose-uma doença aguda e crônica causada por vermes parasitas-e dedicou-se ao saneamento da comunidade e conseguiu diminuir o sofrimento. São exemplos vivos, como também ver um médico que ia pelas ruas, vestido de branco, com sua pasta debaixo do braço, conversando e atendendo as pessoas.

“Foi uma experiência extraordinária porque vi que é possível instaurar essa fraternidade, sobretudo por ser um dever do Estado. Acredito que o Brasil tem muitas áreas onde não há presença do Estado e ali reina a barbárie. São, por exemplo, lugares da Amazônia em que o Estado não está presente e aí a coisa não anda.

“Por isso é que o presidente eleito Jair Bolsonaro e sua administração são hostis aos médicos cubanos, e a questão maior é que os brasileiros (talvez agora haja uma minoria nesse aspecto), não querem soltar sua zona de conforto nas grandes capitais e ir para a Amazônia. Eles deveriam fazer um grande gesto de humanidade, levando aqueles que não têm condições o bem-estar e o amparo de uma assistência médica”, assegura.

E acrescenta que é ” necessário preencher imediatamente as vagas desses milhares de médicos que se vão, seja com médicos brasileiros ou de qualquer outro país, mas o povo não pode ficar carente, implorando para o Estado a atenção básica. No Brasil, entra Governo e sai Governo e não perceberam que tudo está na educação, na saúde, e no cumprimento das leis, da Constituição federal”.

Preto e branco

Alcantara está satisfeito com o seu livro. Enquanto conversamos, ele pega uma e outra vez em suas mãos: ele vasculha e explica em detalhes cada foto e a história que a acompanha. Então pergunto-lhe se considera que aí se mostra o que realmente é o programa Mais Médicos. A resposta não tem espera:

“Sim, a imagem é reveladora e além das estatísticas mostra a dimensão humana do Programa. Não é prova de realidade nenhuma, mas quando se inclui em uma narrativa o conjunto fica interessante, fica claro que, a partir desse Manifesto humanista, o Programa tem que continuar, pois o Brasil carece disso. Além disso, a fotografia em preto e branco é nobre, crua, nua no não desvia o olhar. Não queria fazer algo onde o multicolor pudesse perturbar a atenção das pessoas. Foi por isso que fiz um ensaio em preto e branco para me aproximar mais da verdade.

“A fotografia é uma linguagem que está muito ligada ao lúdico, ao prazer, à beleza, mas também pode ser um forte instrumento de testemunho social, de esclarecimento, de trazer a luz; uma possibilidade política e ideológica do fotógrafo para dizer o que pensa, o que acredita, aquilo com o que se agita. O fotógrafo pode, com seu trabalho, mostrar desconforto, erros, atitudes desumanas. A fotografia é um poderoso instrumento para mostrar a verdade e tentar fazer justiça”, afirma.

Talvez por isso o renomado fotógrafo —que tem publicadas mais de 50 obras de fotografia, Muitas delas sobre a exuberante flora e fauna brasileiras-considera seu livro de 2015 um manifesto humanista e ao Mais Médicos “um programa revolucionário de atenção à saúde. Vi isso com os meus próprios olhos. Essa é a função do jornalista e do fotógrafo, ser testemunha ocular. Este livro é uma testemunha ocular de algo que precisa continuar. Espero que as pessoas tentem se aproximar dele, porque há uma história brasileira, um manifesto humanista”.

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