História dos Anos 60

Se o historiador inglês Eric Hobsbawn diz que o século XX é o mais curto da História, talvez pudéssemos arriscar a interpretação da década de 60 como aquela em que o mundo avançou um século. A política mundial foi sacudida por um turbilhão de fatos que vão da descolonização afro-asiática, às tentativas revolucionárias na América Latina, no rastro da Revolução Cubana, à máxima tensão entre as superpotências. A corrida espacial e a corrida armamentista dão o tom da concorrência entre elas. Além dos conflitos ideológicos, novos conflitos buscam legitimar-se aos olhos da humanidade: o das minorias raciais, sexuais, do feminismo e o das gerações, desenvolve-se o conceito de jovem, ou até de poder jovem.

Enfim, o nosso modo de ver o mundo, de ver o outro, de vestir, falar, dançar, etc., é hoje a síntese daqueles conflitos dos anos 60. É quase impossível lembrar, relacionar, analisar e compreender e, sobretudo resumir todos os fatos e personagens que fizeram aquela história, muitos dos quais estão aí até hoje, alguns em posições trocadas. Mas vamos tentar…

A Política Mundial

A primeira metade dos anos 60 assiste à complementação e consolidação do processo de descolonização da Ásia e da África, iniciado no fim dos anos 40 com a Independência da Índia. Em 1960 é particularmente dramática a situação criada no ex-Congo Belga, com a luta de facções armadas e financiadas pelas potências ocidentais para destituir e assassinar o grande herói da luta de libertação daquele país: Patrice Lumumba.

O poder acabou nas mãos de Mobutu Seze Seko, só deposto em maio de 1997 por Lorent Kabilla, que fora partidário de Lumumba. A luta pela libertação da Argélia iniciada em 1956 chegava à sua fase mais aguda. O General De Gaulle, herói da França durante a II Guerra se vê forçado a aceitar a Independência da Argélia em 1962, assumindo o poder Ahmed Ben Bella.

A vitória nacionalista na Argélia contaminou toda a África, o mundo árabe e despertou grande entusiasmo entre as esquerdas e outros nacionalistas no Brasil. Nesse ínterim a 8 de novembro de 1960, John Fitzgerald Kennedy era eleito presidente dos EUA. Havia ganho a disputa contra o candidato do Partido Republicano, Richard Nixon. Uma particularidade dessa vitória foi o debate televisivo entre os dois candidatos, apontado como decisivo para a vitória de Kennedy, e até hoje usado como base para a discussão do chamado “marketing” político, e da manipulação da “mídia” nos processos eleitorais. Kennedy tomou posse em janeiro de 1961.

Sua política, chamada “Nova Fronteira” buscava, internamente, atender às grandes demandas sociais e aos direitos civis das minorias, especialmente dos negros. Seu sucessor, Lindon Johnson, (1963-68) com a “Grande Sociedade” aprofundou essa política. Mas, em termos de política externa, os dois contribuíram para aumentar o clima da Guerra Fria. Em abril de 61, Kennedy autorizou a desastrada operação de invasão da baia dos Porcos, em Cuba. Em junho do mesmo ano reuniu-se com Nikita Krushev em Viena.

Discutiram a situação de Berlim, em seguida os soviéticos construíram o Muro de Berlim. Em 1962, novamente a preocupação com Cuba. Os americanos, que haviam instalado mísseis nucleares na Turquia descobriram que os soviéticos haviam feito o mesmo em Cuba. Houve bloqueio naval a Cuba, pressões sobre os soviéticos e a crise acabou sendo superada.

Criou-se o “telefone vermelho” e no ano seguinte foram feitos os primeiros acordos de limitação de testes nucleares. Para contrabalançar as enormes esperanças que a Revolução Cubana despertava na América Latina, Kennedy dedicou muitos recursos para criar tropas de contra-insurgência, como os boinas-verdes, e programas de “ajuda” ao desenvolvimento como a Aliança para o Progresso. Serão freqüentes os golpes militares apoiados pelos EUA na região, a começar pelo de 1964 contra João Goulart, no Brasil.

O grande atoleiro em que se meteram os EUA foi o Vietnã. Desde a derrota francesa para os norte-vietnamitas em 1954, comandados pelo General Giap e liderados por Ho Chi Mihn, os americanos vinham enviando assessores militares para apoiar os governantes sul-vietnamitas. Eisenhower havia mandado 650, Kennedy mandou 15.500. Monges budistas se imolavam em Saigon protestando contra o governante apoiado pelos Estados Unidos, em 1963.

Kennedy é assassinado em Dallas, Texas, em 23 de novembro de 1963. Johnson, seu vice assumiu, sendo depois eleito. Em 1967 já eram 550 mil os soldados americanos no Vietnã. Enquanto isso, desenvolvia-se na África a luta contra o regime do “apartheid” , sendo condenado à prisão perpétua em 1963 uma jovem liderança do Congresso Nacional Africano e do seu braço armado o Lança da Nação, Nelson Mandela.

Nos Estados Unidos cresce a luta pelos direitos civis dos negros. Uma forte campanha para garantir aos negros o direito de voto. O movimento se dividiu. Jovens radicalizaram, como Stokley Carmichael, criador da idéia do “black power” e Malcom X, da seita dos Muçulmanos Negros. Durante vários anos, eram violentíssimas as manifestações e protestos desses grupos, especialmente nos verões.

Outra tática, a da não-violência, teve sua expressão máxima no pastor Martin Luther King Jr., que liderou várias manifestações pacíficas (reprimidas com extrema violência por autoridades racistas), entre elas a célebre marcha sobre Washington em agosto de 1963 em que pronunciou seu memorável discurso: I Have a Dream. Em 1964 recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

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