Anita Malfatti Biografia e Obras

Anita Malfatti Biografia

Biografia da pintora Anita Malfatti, artista da Semana de Arte Moderna

Auto-Retrato, 1922 Anita Mafaltti
Auto-Retrato, 1922 Anita Mafaltti

A vida de Anita Malfatti, biografia de Anita Malfatti

Anita Catarina Malfatti nasce em São Paulo, no dia 02 de dezembro de 1896. Filha de um engenheiro italiano e de uma norte-americana, dedica-se à pintura por influência da mãe, que dava aulas de desenho e pintura para ajudar no sustento da família.

Anita Malfatti realiza três viagens para outros países, com o intuito de estudar pintura: em 1912, para a Alemanha, em 1915, para os Estados Unidos e em 1923 para a França. Nos dois primeiros países, é influenciada pela arte de vanguarda, produzindo telas expressionistas e fauvistas. A viagem para a França suaviza sua obra, que perde parte de seu vigor e exaltação emocional.

No Brasil, Anita Malfatti realiza, sem muita repercussão, uma primeira exposição em 1914, na Casa Mappin Stores. Em 1917, expôs novamente no país, em um salão alugado na Rua Líbero Badaró, em São Paulo. O caráter vanguardista desta mostra é considerado o elemento desencadeador do processo que culminaria na Semana de Arte Moderna de 1922, na qual Anita Malfatti participa com 22 telas.

A pintora regressa em definitivo para o Brasil em 1928. Cada vez mais reclusa, muda-se para uma chácara em Diadema, onde se mantém afastada das polêmicas modernistas. Anita Malfatti morre no dia 6 de novembro de 1964, na cidade de São Paulo.

Anita Malfatti | O Início do Modernismo Brasileiro

Anita Malfatti e o início do modernismo

Anita Malfatti e a polêmica exposição de 1917

Em dezembro de 1917, Anita Malfatti realiza uma exposição em um salão alugado na Rua Líbero Badaró, capital paulista. Inaugurada no dia 12, a mostra reunia 53 trabalhos, seus e de outros artistas com quem convivera nos Estados Unidos, durante os anos de 1915 e 1916. Ao incluir telas de outros artistas, Anita Malfatti apresentava-se enquanto parte de um movimento coletivo de vanguarda. As telas dos artistas americanos possuíam tendência marcadamente cubistas, enquanto as obras da artista brasileira eram influenciadas pelo movimento fauvista e expressionista.

Os primeiros dias da exposição foram bastante concorridos, e Anita Malfatti vendeu oito obras. As críticas dos jornais, em geral, foram simpáticas à pintora. Em 20 de dezembro, no entanto, no jornal “O Estado de São Paulo”, surge uma nota dissonante. Monteiro Lobato publica um artigo intitulado “Paranóia ou Mistificação”, em que ataca violentamente Anita Malfatti e sua obra. Para Lobato, a artista, que ele reconhecia possuir um grande talento, produzia obras anormais e grotescas. A arte moderna, dizia o escritor, não passava de uma teoria efêmera, fruto de uma sociedade decadente.

Uniram-se, em defesa da pintora, os escritores Oswald e Mário de Andrade, que elogiaram o vigor de sua obra e apontaram a necessidade de renovação da arte brasileira. Artistas como Di Cavalcanti e Guilherme de Almeida também se pronunciaram a favor de Anita Malfatti. Mais tarde, o grupo contaria com a adesão poderosa de Menotti Del Picchia, que na época escrevia no “Correio Paulistano”.

Devido as reações e críticas suscitadas no meio artístico local, a exposição de Anita Malfatti marca o início do movimento modernista no Brasil. O grupo reunido em torno da pintora desenvolveria, mais tarde, a idéia da Semana de Arte Moderna de 1922, marco fundamental da arte contemporânea.

Anita Malfatti | Obras

Anita Malfatti obras, pinturas de Anita Malfatti

Obras de Anita Malfatti

1. O Farol (1915):
Este quadro foi pintado por Anita Malfatti durante o seu período de estudante de artes nos Estados Unidos. Anita foi aluna de Homer Bross, que incentivava seus alunos a pintarem com total liberdade de criação. Em “O Farol”, Anita Malfatti afirma o seu gosto pelas cores abundantes e descompromissadas e seu estilo expressionista.

O Farol, 1915

O Farol, 1915

2. A Boba (1915-1916):
Anita Malfatti possuía uma predileção pelos retratos, onde exaltava a expressão de seus modelos. Em “A Boba”, a artista compõe no primeiro plano uma figura angulosa e assimétrica, elaborada com pinceladas gestuais e cores irregulares.

A Boba, 1915-1916

A Boba, 1915-1916

3. O Homem Amarelo (1915-1916):
Esta tela expressionista foi exibida na exposição individual de Anita Malfatti no Brasil, datada de 1917. Atraiu a repulsa de críticos como Monteiro Lobato e a simpatia de jovens intelectuais e artistas, como Di Cavalcanti, Menotti Del Picchia, Oswald e Mário de Andrade. Com eles, organizaria a Semana de Arte Moderna de 1922.

O Homem Amarelo, 1915-1916

O Homem Amarelo, 1915-1916

4. Mulheres de Argel em seus Aposentos (after Delacroix) (1928):
Em 1923, Anita Malfatti ganha uma bolsa do Governo do Estado de São Paulo para estudar artes na França. Segundo a Lei do Pensionato, os artistas deveriam enviar a São Paulo, como prova de seu aperfeiçoamento técnico, duas cópias de mestres reconhecidos, além de uma obra original. Uma das obras enviadas por Anita Malfatti foi esta cópia da obra de Eugène Delacroix.

As Mulheres de Argel, 1928

As Mulheres de Argel, 1928

5. La Chambre Bleue:
Após a viagem para a França, verifica-se na obra de Anita Malfatti um retorno à ordem, em quadros mais tradicionais se comparados aos vigorosos trabalhos realizados na década de 1910. A busca por uma arte mais pura e clássica decepciona os amigos modernistas, especialmente Mário de Andrade.

La Chambre Bleue

La Chambre Bleue

6. Festa de São João com Guirlandas:
No final de sua trajetória artística, Anita Malfatti dedica-se as paisagens do interior do Brasil e as telas que retratam tradições culturais do povo brasileiro.

Festa São João com Guirlanda

Festa São João com Guirlanda