Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo (Biografia)

Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo

Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo . Foi um narrador, dramaturgo, cartunista, jornalista e Diplomata brasileiro, nascido em San Luís (no Estado do Maranhão) em 14 de abril de 1857, e falecido em Buenos Aires (Argentina) em 21 de janeiro de 1913. Irmão mais novo do grande dramaturgo Artur Azevedo, é considerado o melhor representante da corrente naturalista na narrativa brasileira do final do século XIX. ,

Sumário
1 síntese biográfica
1.1 Educação
1.2 trajectória
1.2.1 Defensor das ideias
1.3 morte
2 bibliografia
2.1 romances
2.2 Crônicas e peças teatrais
3 fontes

Narrador, dramaturgo, cartunista, jornalista e Diplomata brasileiro.
Nome Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo
Nascimento 14 de de 1857
São Luís de caju, Bandeira do Brasil Brasil
Morte 21 de janeiro de 1913
Buenos Aires, Bandeira da Argentina Argentina
Conhecido por Melhor representante da corrente naturalista na narrativa brasileira do final do século XIX.

Síntese biográfica
Educação
Veio ao mundo no seio do casal de facto formado por Dona Emília Amália Pinto de Magalhães e Don David Gonçalves de Azevedo, vice-cônsul de Portugal, de quem teria de herdar o passatempo às Letras e a vocação profissional que o levou, já na sua idade adulta, a desempenhar também funções diplomáticas.

O vice-cônsul português, homem de vasta formação cultural e vivas inquietações humanísticas, cuidou de proporcionar aos seus filhos uma esplêndida educação que lhes permitisse desprezar sem grandes desgastes emocionais as murmurações do bairro. Graças a estes desvelos educativos de seu pai, o pequeno Aluísio, depois de cursar com grande proveito seus estudos secundários no Liceu Maranhense, sentiu-se atraído pela Arte e assistiu a umas aulas de desenho e pintura que lhe permitiram desenvolver um estilo próprio e bem definido (estilo que, naturalmente, deveria deixar também um selo inconfundível nos perfis físicos e psicológicos de seus personagens literários, assim como nas descrições paisagísticas de seus relatos e romances).

Trajectória
Em plena juventude, quando ainda se sentia muito mais atraído pelos lápis e pincéis do que pela criação literária, começou a ganhar seu sustento trabalhando como caixa e bibliotecário. Logo conseguiu reunir uma modesta quantia de dinheiro que, somada à ajuda de seus progenitores, facilitou sua transferência, em 1876, para o Rio de Janeiro, a grande urbe em que já se encontrava seu irmão mais velho Artur. Seu objetivo era ampliar ali sua formação artística e humanística, e para isso se matriculou na então denominada Imperial Academia de Belas Artes (conhecida atualmente como Escola Nacional de Belas Artes).

Logo conseguiu integrar-se, da mão de Artur, nos principais fóruns e cenáculos artísticos e intelectuais da capital carioca; e assim, conseguiu trabalho como caricaturista em diferentes jornais e revistas do Rio de Janeiro, quase todos eles de signo satírico, como o Figaro, O Mequetrefe, Zig-Zag e a Semana Ilustrada. Com este ofício, além de ganhar a vida e pagar seus estudos no Rio, foi desenvolvendo o gosto por narrar histórias a partir dos personagens e vinhetas que ia abocetando.

Mas aquela feliz aventura juvenil no Rio de Janeiro foi interrompida, abrupta e tragicamente, em 1878, por ocasião do falecimento de don David Gonçalves de Azevedo. De repente, quando Aluísio já estava plenamente incorporado à vida social e cultural carioca, viu-se forçado a regressar ao seu Santo Luís natal para assumir os encargos familiares que já não podia atender o falecido vice-cônsul. Foi então que tomou a determinação de ganhar a vida como escritor, e se enfrascou-favorecido pela calma provinciana que reinava na capital do Maranhão -, na redação de um romance que acabou dando à imprensa sob o título de Uma lágrima de mulher (Rio de Janeiro: Garnier, 1880).

Defensor das ideias
Imbuído da mentalidade aberta e liberal que tinha conhecido no Rio de Janeiro, Aluísio de Azevedo começou por esse tempo a significar-se por seu talante progressista, inimigo dos setores mais reacionários do país (a saber, a Igreja e os partidários da monarquia). Colaborador assíduo do rotacional anticlerical ou Pensador-em cujo lançamento interveio de forma decisiva -, defendeu, nos artigos que ali publicava, a abolição da escravidão e outras ideias de claro viés liberal, muito avançadas para a sociedade “benpensante” de sua época.

No início dos anos oitenta deu aos tórculos sua segunda narrativa extensa, o mulato (São Luís de Maranhão: Tipog. do País, 1881), logo reconhecida por toda a crítica especializada como o primeiro romance naturalista das Letras brasileiras. Nesta obra-prima, Aluísio de Azevedo voltava a atacar com Sanha e vigor contra o clero e a burguesia abastada de sua região, na medida em que ambos os grupos sociais continuavam a ser inflamados partidários da escravidão e da discriminação e dos preconceitos raciais. Era, além disso, no que a suas características estilísticas se refere, um romance de grande crueza e naturalidade, escrito em uma linguagem clara e direta que não tremia na hora de nomear cada coisa pelo seu autêntico nome, por muito forte ou desagradável que pudesse resultar para a mentalidade e as maneiras da sociedade estabelecida. Por outro lado, o jovem escritor sentia a imperiosa necessidade de” mudar de Ares ” diante do assédio ao que lhe começava a subjugar a classe abastada de São Luís, o que acabou precipitando seu retorno à capital carioca.

Instalado novamente no Rio desde o mesmo ano da aparição de O mulato (concretamente, desde 7 de novembro de 1881), o já consagrado escritor de São Luís encontrou-se finalmente o ambiente adequado para ganhar a vida como escritor, tal como tinha sido proposto após seu forçado retorno à sua cidade natal. Passou, pois, a desenvolver-se como a maior parte dos escritores profissionais de seu tempo: redigindo romances folletinescas que se difundiam por entregas nas publicações periódicas. Tratava-se de obras menores, de claro viés Romântico, concebidas unicamente como meio de Sobrevivência e, portanto, sem grandes pretensões estéticas (tendiam, ao contrário, a buscar os recursos fáceis que asseguram a comoção sentimental do leitor). Entre estas narrativas românticas de escasso interesse, escritas por Azevedo ao seu regresso ao Rio, cabe mencionar as intituladas Memórias de um condenado (ou a condessa Vésper, 1882), Mistério da Tijuca (ou Girândola de amores, 1882), Filomena Borges (1884) e a mortalha de Alzira (1894).

Mas, ao passo que ia escrevendo estes folhetos sentimentais que garantiam seus proveitos monetários, o autor de São Luís atendia com maior rigor essa outra corrente naturalista, muito mais séria e profunda, que ele mesmo havia iniciado em 1881 com o mulato. Suas preocupações cada vez mais profundas sobre os diferentes comportamentos humanos, e em especial sobre as misérias e injustiças que condicionavam a vida dos mais desfavorecidos, o impeliu a redigir outros romances naturalistas de excelente fatura, tão valorizados por seus aspectos literários como por sua corajosa denúncia da desigualdade social e da opressão em que viviam a população marginalizada (emigrantes portugueses explorados em pensões de má morte, jornaleiros do campo que continuavam sendo tratados como escravos, etc.). Defensor inflamado-e cada vez com mais afinco – da causa republicana e da ideologia progressistas, continuou a atacar nestas obras contra o estamento eclesiástico, a alta burguesia e o resto das classes privilegiadas, nessa mesma linha temática e estilística aberta por o mulato, e enriquecida depois com outras novelas naturalistas tão relevantes como casa de pensão (casa de pensão, 1884), o homem (o homem, 1887), o cortiço (a casa de vizinhança, 1890) e o Coruja (a coruja, 1890).

Contudo, nestas peças naturalistas o autor de São Luís reflete com crueza-como qualquer outro escritor adscrito a essa corrente – a realidade de seu tempo, incluindo a mais áspera e descarnada, e tenta explicar as chaves do funcionamento da sociedade através das novas teorias científicas e filosóficas que se tornaram moda no último terço do século XIX (geralmente de índole positivista).

Chegou a escrever um total de quatorze novelas, entre as quais cabe citar também o esqueleto (o esqueleto, 1890), que redigiu em colaboração com o grande poeta parnasiano Olavo Bilac; e compartilhou muitas horas de diversão e folia-ainda que também de fecundo intercâmbio de ideias literárias – com outros boêmios como Coelho Neto, Guimarães Passos, Emílio Rouède ou seu próprio irmão Artur, com quem também colaborou na redação de algumas obras teatrais. Nesta faceta Sua de dramaturgo, Aluisío Azevedo destacou-se com algumas peças como Doidos (1879), Casa de Orates (1882), um caso de adultério (1891) e em Flagrante (1891).

Sua plena e alegre integração na vida boêmia, artística e literária do Rio de Janeiro torna difícil explicar a drástica mudança de rumo que Azevedo imprimiu em sua vida no final do século XIX.de fato, depois de ter publicado novas obras como o livro de contos demônios (1895) e o romance Livro de uma sogra (1895), de repente e inesperadamente abandonou a criação literária e, agora tomando a esteira profissional da sua, mudou-se para a Espanha, onde serviu como vice-cônsul de sua nação em Vigo. Em seguida, ele foi enviado para muitos outros destinos localizados nos mais diversos cantos do mundo (Japão, Argentina, Inglaterra, Itália…no decorrer dessas viagens, conheceu a cidadà Argentina Pastora Lúquez, com quem-imitando de novo seu próprio pai-formou uma união sentimental sem ter que passar pelo registro civil ou a Vicaria. Sua companheira era a mãe de dois filhos (Pastor e Zulema) que foram adotados por Aluísio de Azevedo, que, nos poucos anos que lhe restavam de vida, se comportou com eles como se fosse seu verdadeiro pai.

Morte
Elevado ao grau de cônsul de primeira classe em 1910, foi destinado a Assunção (Paraguai) e, pouco depois, à capital da Argentina, onde perdeu a vida no início de 1913, quando tinha apenas cinquenta e seis anos. Depois de seis anos, por iniciativa de seu antigo amigo e companheiro boêmio farras Coelho Neto, seus restos mortais foram transferidos para o Brasil e enterrados definitivamente naquela cidade de São Luís, que na época o havia qualificado de “Satanás da cidade”.

Bibliografia
Romance
A lágrima de uma mulher, 1880
O mulato, 1881
Mistério da Tijuca ou Girandola do amor, 1882
Memórias de um condenado ou Condessa Vesper, 1882
Pensão, 1884
Filomena Borges, 1884
O homem, 1887
O cortiço, 1890
A coruja, 1890
O Sudário de Alzira, 1894
Inferno, conto, 1895
O livro de uma sogra, 1895
Crônicas e peças de teatro
O Preto Bom
esqueleto
louco
Casa de Orates
Flor De Lis
Em Flagrante

Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo (Biografia)
Rolar para o topo