Você já imaginou como eram os conflitos entre brasileiros e portugueses nas ruas do Rio de Janeiro? Este texto ficcional procura recriar esse acontecimento.

Ao amanhecer do dia 13 de março de 1831, o Rio de Janeiro parecia uma bomba pronta para explodir. Populares andavam em grupos pelas ruas dando vivas à independência e à soberania do Brasil.

No quarteirão português (ruas do Rosário, dos Ourives, da Quitanda, Direita, das Violas, etc.), o silêncio era completo e não havia qualquer movimento. Os portugueses estavam recolhidos e quietos, como se estivessem preparando um grande golpe de surpresa. Mas, nem bem havia terminado a tarde, o quarteirão inteiro despertou: fogueiras, luminárias, foguetes, gente, muita gente bradando contra os brasileiros, contra os “cabras”, os “moleques”.

Algumas horas depois, dezoito seminaristas, alguns deles com as batinas amarradas, desceram a rua Direita e foram encontrar o grupo à frente do qual estava Antônio Borges da Fonseca. Não se falaram.

— Vamos em frente! — comandou Borges da Fonseca. Era a cilada.

Os portugueses deixaram que os “cabras” se aproximassem o mais possível e, quando os sentiram bem próximos, inesperadamente fizeram chover sobre eles, de todas as varandas, de todas as portas, de todas as janelas e de todos os telhados, milhares de garrafas e cacos de vidro.

O sangue espirrou. Testas, cabeças, pescoços sangrando, golpeados pelos cacos. Gritos, gemidos, uivos, guinchos. E a portuguesada, de cacete em punho, embriagada pela vitória, avançando e malhando, malhando como se malha o judas em Sábado de Aleluia. Os feridos, jogados no chão, eram chutados e pisoteados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *