A História do Rugby

História do Rugby

A História do Rugby

RESUMO

O rugby é considerado um esporte intrinsecamente formativo, em função dos valores associados à sua prática. Atualmente vive um período de expansão no mundo, influenciado pelo início da era profissional em 1995 e pela inclusão da modalidade nos Jogos Olímpicos a partir de 2016. No Brasil também se observa o crescimento do rugby, com o aumento no número de praticantes e maior exposição da modalidade nos meios de comunicação. Esse aumento no processo de difusão do esporte gera a necessidade de uma melhor compreensão do rugby, para que o crescimento desse esporte no Brasil venha acompanhado de uma melhor organização da prática e melhora da qualidade do rugby praticado no país. Esse estudo buscou analisar o processo de difusão do rugby no Brasil e no mundo, através de uma revisão histórica, onde foram considerados também os aspectos formativos e educacionais intrínsecos a esse esporte. Em função da carência de publicações sobre a história do rugby brasileiro, foram realizadas comunicações pessoais com jogadores e dirigentes que fazem parte da história desse esporte no país. Concluiu-se que a difusão do rugby nacional esteve relacionada principalmente às ações de indivíduos ou entidades ligados ao ambiente esportivo do rugby, e mais recentemente ao aumento da exposição do esporte nos meios de comunicação. Para manutenção dos valores intrínsecos ao esporte, viu-se necessária a transmissão do espírito do rugby em equilíbrio com a transmissão de aspectos relacionados diretamente ao jogo.

INTRODUÇÃO

História do Rugby
História do Rugby

O esporte esteve presente em diversas civilizações e em diferentes momentos ao longo da história. Na antiga Grécia existia um jogo com bola, chamado “harpaston”, cujo objetivo era transportar uma bola feita de couro de animais para um local delimitado. Esse jogo é visto como a origem de outros jogos, praticados por toda a Europa ao longo do Império Romano e mais tarde, durante a Idade Média. Na Inglaterra, as regras foram modificadas durante os anos, influenciando no surgimento de um esporte que mais tarde seria muito popular em todo mundo, o football (futebol)
Na cidade de Rugby, dentro de uma universidade de mesmo nome, o football foi interpretado de uma maneira distinta de outros locais da Inglaterra, resultando em uma variação do esporte, que passou a ser conhecido como rugby football, e mais tarde apenas rugby
O esporte, apesar de ainda pouco difundido no Brasil, é hoje uma das modalidades com maior número de praticantes espalhados pelo mundo, em especial entre ex-colônias britânicas. Países com maior tradição no esporte movimentam milhares de pessoas em função de eventos e partidas de rugby. Recentemente reincorporada ao programa Olímpico, a modalidade fará sua reestréia nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016, com a expectativa de superar públicos de esportes mais tradicionais e conhecidos pelos brasileiros.
Como outros jogos de invasão, para pontuar no rugby é preciso conquistar “território” da equipe adversária. Para isso, o time atacante deve se preocupar em desorganizar a defesa adversária para assim conseguir marcar pontos. As regras possibilitam a utilização do contato físico como estratégia para provocar desorganização defensiva e tornam a participação coletiva como algo imprescindível, tendo em vista a manutenção da posse de bola para oferecer continuidade ao jogo e conquistar o objetivo de marcar mais pontos do que o adversário. Essas características fazem do rugby um esporte onde a participação coletiva seja indispensável.
Por ser caracteristicamente um esporte de muito contato físico, são necessárias regras que visem à segurança dos jogadores, e mais do que isso, valores. Atitudes como lealdade, união, respeito mútuo, trabalho em equipe, cooperação, responsabilidade, igualdade e disciplina são aspectos intrínsecos dessa modalidade esportiva, podendo assim ser considerado um esporte intrinsecamente formativo. Essa “essência” de caráter formativa é nomeada pelos praticantes do rugby de “Espírito do Rugby”.
Tradicionalmente amador, o esporte foi visto durante muitos anos como um esporte elitista, mas como o passar do tempo foi se tornando muito popular em alguns países da Oceania, Europa e África. Em 1995, a entidade máxima do esporte passou a permitir o profissionalismo, até aquele momento proibido, ocasionando um enorme crescimento no número de praticantes, público e clubes de rugby pelo mundo.
No Brasil, o rugby teve mesmas raízes que o futebol. Inicialmente, foi trazido por marinheiros ingleses e teve sua difusão relacionada a um personagem em comum, Charles William Miller, que mais tarde seria conhecido como o pai do futebol brasileiro. Restrito em um primeiro momento a alguns membros da elite brasileira e principalmente à juventude inglesa que vivia no Brasil, o rugby começou a ser jogado nesse país nos últimos anos do século XIX. Mas, apesar de ser praticado há tantos anos, ainda não alcançou a mesma popularização de modalidades como o futebol, vôlei, basquete e outros de maior tradição no território brasileiro.
Na atualidade o esporte vem crescendo muito no Brasil, com grande aumento no número de equipes e jogadores. Um dos motivos pelo crescimento é devido à recente inclusão da modalidade nos Jogos Olímpicos, e conseqüente exposição na mídia. Segundo levantamento da recém criada CBRu (Confederação Brasileira de Rugby), o número de associados nessa entidade aumentou de quatro mil e quinhentos em 2008 para cerca de dez mil em 2010, sendo que ainda são contabilizados cerca de vinte mil jogadores de rugby no país que não são associados. A modalidade conta com 220 clubes e 60 times universitários no país.
No cenário competitivo, o Brasil ocupa hoje o 25º lugar no ranking mundial masculino, uma posição modesta para um país com quase 200 milhões de habitantes, porém a melhor colocação já alcançada na história por uma seleção brasileira de rugby. Na América do Sul, o Brasil é a quarta potência, atrás de Argentina, Uruguai e Chile.
No feminino o cenário é um pouco diferente, a seleção brasileira é a maior potência sul-americana e ocupa o décimo lugar no ranking mundial de “Rugby Seven‟s” (modalidade onde as equipes são compostas por sete jogadoras). A equipe brasileira está invicta em torneios oficiais da modalidade dentro do território sul americano.
O expressivo crescimento do rugby no Brasil nos últimos anos e a perspectiva de que esse crescimento continue nessa década, gera a necessidade de compreender melhor o esporte para intervir nessa sua atual fase de expansão. Somente assim, pode-se garantir que o crescimento desse esporte no Brasil venha acompanhado de uma melhor organização da prática e melhora da qualidade do rugby praticado no país.
Esse estudo consiste em uma análise histórica desse esporte, desde os seus primórdios até os diais atuais, no plano internacional e nacional, ressaltando seus aspectos formativos e educacionais. Através dessa monografia, espera-se levantar subsídios para no futuro delinear estratégias para melhor difundir o rugby no município de São Paulo.

História do Rugby no Mundo

Assim como muitos outros esportes surgidos na Inglaterra, a origem e difusão do rugby estão associadas a práticas formativas empregadas por escolas inglesas durante o século XIX. Acredita-se que o esporte tenha sido criado em 1823, na Escola Rugby, fruto de uma jogada irregular durante uma partida de futebol. Durante a Revolução Industrial o esporte começou a ser difundido e com o tempo passou a ser uma das modalidades coletivas com maior número de praticantes no mundo.
Durante os próximos capítulos, será abordada a história do rugby no mundo, desde os primeiros jogos com bola antecessores ao rugby, até os dias atuais, onde o rugby se tornou um esporte profissional, praticado por milhares de pessoas nos cinco continentes.

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Jogos com Bolas

Os relatos sobre jogos com bolas datam de muitos anos antes de Cristo. Duarte (2000) relata um jogo que existia na China por volta de 2600 a.C. chamado kemari, cujo objetivo era transportar uma bola redonda para além de estacas fixas no solo. Mais tarde surge na Grécia Antiga um jogo chamado “harpastum”, onde os jogadores tentavam passar uma bola feita de bexiga de boi para o outro lado de um terreno delimitado.
Segundo Garcia (1964), durante a Idade Média, atividades com bola eram muito populares em países como Inglaterra, França e Itália, principalmente entre os camponeses, aldeões e estudantes que a princípio utilizavam datas festivas para a prática e posteriormente todos os domingos.
Na Inglaterra, existia um jogo muito popular disputado entre duas vilas ou pequenas cidades. As equipes eram compostas por um número ilimitado de participantes e o objetivo do jogo era levar uma bola produzida por peles de animais mortos, até o final da cidade adversária e assim marcar pontos. O jogo era violentíssimo, o que levou o Rei Eduardo II a proibir tal atividade no ano de 1314, e tal proibição foi mantida até o final do século XV.
Na Itália, o período do Renascimento trouxe de volta antigas tradições gregas, influenciando inclusive no âmbito esportivo. O “calcio”, esporte de bola muito popular nesse país, era uma variação do “harpastum” (jogo que consistia em levar uma bola de um lado ao outro em um espaço delimitado). O esporte possuía muitas características comuns ao que hoje se conhece como rugby. Garcia (1964) acredita que as viagens de nobres franceses e ingleses à Itália durante o renascimento tenham provocado certa influência do calcio sobre o “football” jogado na Inglaterra e sobre a “soule” jogada na França. Assim, o autor aponta o jogo grego “harpastum” e sua variante italiana “calcio” como as principais influências do rugby moderno. Entretanto, existe um consenso que o nascimento do rugby moderno aconteceu em 1823, em uma escola inglesa.

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