A História da Filosofia

A História da Filosofia não é apenas um relato histórico, mas as transformações do pensamento humano ocidental, ou seja, o percurso do pensamento ocidental; o modo pelo qual essa forma de pensar influenciou a realidade e, ao mesmo tempo, foi resultado dessa realidade histórica. A História da Filosofia pode ser estuda a partir de quatro períodos:

1. Filosofia Grega
2. Filosofia Medieval: Cristã
3. Filosofia Moderna
4. Filosofia Contemporânea

FILOSOFIA MODERNA

A Ciência Antiga e a Ciência Moderna

Filosofia Medieval Cristã constituiu-se do pensamento cristão e da ciência antiga. A ciência antiga tinha como base o dogmatismo: era especulativa e partia de interpretações da Bíblia. A ciência antiga era baseada na lógica e na demonstração de verdade, sem considerar a observação e a experiência. Por exemplo, a teoria do geocentrismo vigorava há quase vinte séculos e constituía a maneira pela qual o homem antigo e medieval via a si mesmo e ao mundo. A concepção medieval cristã via o homem como é o ser supremo da criação divina e a terra era o centro do universo.

A teoria de que a terra era o centro do mundo (geocentrismo) era uma explicação que justificava tal visão. A ciência antiga era um corpo de verdades teóricas universais, de certezas definitivas, que não admitiam erros, mudanças ou crítica. O novo período – Idade Moderna – vai significar uma ruptura com essa concepção de mundo dogmática.

Filosofia Moderna: sec. XVII e XVIII

Após a Idade Média, há um período de transição entre o século XV e XVI para a Idade Moderna, que significou ruptura com a tradição anterior cristã ( fundamentada em Deus)e passou-se a valorizar o homem. É o período chamado Humanismo Renascentista: artes plásticas, valorização do homem – liberdade e criatividade É o momento em que se rompe com a visão sagrada e teológica na arte, no pensamento, na política, na literatura. Os pensadores desse período passam a valorizar o saber dos gregos antigos. Valoriza-se o homem e rompe-se com o pensamento teocêntrico (Deus como o centro de tudo) e a Ciência Antiga.

A Idade Moderna traz a proposta de uma nova ordem, rejeitando a autoridade imposta pelos costumes e pela hierarquia (da nobreza e Igreja), em favor da recuperação do que há de virtuoso, intuitivo e espontâneo na natureza humana. Surge um novo estilo com nova temática. Valoriza-se o corpo humano, artes, pensamento, política, ciência. É o momento de novos pensadores e artistas, tais como Leonardo da Vince, William Shakespeare, Rafael, Maquiavel, Michelangelo, Montaigne. Essas transformações, na maneira de pensar e ver o mundo, são resultado de várias condições históricas no mundo europeu, entre elas podese destacar:

a) O humanismo renascentista do sec. XV.
b) A descoberta do Novo Mundo ( sec. XV).
c) A Reforma Protestante do sec. XVI.
d) A revolução científica do sec. XVII.
e) Desenvolvimento do mercantilismo e ruptura da economia feudal.
f) Grandes núcleos urbanos e a invenção da imprensa.

a) O humanismo renascentista do sec. XV Nasceu na península itálica, sendo um período de transição entre a Idade Média e a Moderna. Rompeu com a filosofia cristã da escolástica medieval e, valoriza o saber dos gregos antigos, retomando a concepção do humanismo. O período medieval, anterior, foi marcado por uma forte visão hierárquica e religiosa de mundo, em que a arte está voltada para o sagrado, filosofia está vinculada à teologia e à problemática religiosa. O homem e seus atributos de liberdade e razão passam a ser importantes novamente, e não apenas as o mundo divino. Nas artes predomina os temas pagãos, afastados da temática religiosa. É a arte voltada para o homem comum, não mais reis e santos. Valoriza-se o corpo e a dignidade humana. Thomas Morus, em a A Utopia, defende a tolerância religiosa, critica o autoritarismo dos reis e da Igreja, favorecendo a razão e a virtude natural. Maquiavel, autor escreveu O Príncipe, inaugurou o pensamento moderno da política, em que faz uma análise do poder como fato político, independente das questões morais..

b) A descoberta do Novo Mundo Outro fator importante que levou a mudança do pensamento moderno foi a descoberta do Novo Mundo, pois revelou a falsidade e fragilidade da geografia antiga, o desconhecimento da flora e fauna encontradas. Revelou também a falta de conhecimento de outros povos e culturas. Muita coisa precisava ser reformulada. A ciência antiga perde a autoridade é questionada, pois nada explica sobre a nova realidade e suas narrativas. Acreditava que a “terra era plana”, desconhecem os novos habitantes dessas terras descobertas, sua natureza, sua origem, sua cultura, tão distintas da européia.

c) A Reforma Protestante: Martin Lutero contesta a autoridade da Igreja marcada pela corrupção e passa a valorizar a consciência individual de buscar a própria fé, sem ser pela imposição das verdades dogmáticas. Rompe com Igreja Católica e funda a Igreja protestante e representa, assim, a defesa da liberdade individual e da consciência em lugar da certeza, em que o indivíduo é capaz de encontrar sua própria verdade religiosa.

d) A revolução científica moderna Outro fator essencial desse processo de transformação é a revolução científica que significou o ponto de partida para a ciência nos moldes que conhecemos hoje. Nicolau Copérnico no século XVI vai defender matematicamente que a Terra gira em torno do Sol, rompendo com o sistema geocêntrico de Ptolomeu (sec.II) e inspirado em Aristóteles.

A teoria do geocentrismo vigorava há quase vinte séculos e era maneira pela qual o homem antigo e medieval via a si mesmo e ao mundo. A ciência moderna surge quando se torna mais importante observar e experimentar, ao contrário da visão antiga que partia de princípios estabelecidos e dogmáticos. É um processo de transição e não uma ruptura radical. Ao longo desse processo surgem Galileu e Isaac Newton, entre outros, que vão transformar a visão científica do século XVII seguinte.

O rompimento com a ciência antiga revelou uma concepção de distinto do universo antigo, que é fechado, finito e geocêntrico. A nova ciência propõe o modelo heliocêntrico e o universo é infinito. A ciência é ativa valoriza a observação e o método experimental, une ciência e técnica. A ciência antiga é contemplativa, separa ciência e técnica. No século XVII a Filosofia e a Ciência se separam. Galileu, usando um telescópio, demonstra o modelo de desenvolvido por Copérnico. Vai ser interpelado pela Igreja. Entre os principais pensadores daquele momento, destacam-se:

Copérnico, um sacerdote polonês, propôs a teoria heliocêntrica que atingia a concepção medieval cristã de que o homem é ser supremo da criação divina e que por isso a terra é o centro do universo.

Giordano Bruno leva adiante a idéia de Copérnico e desenvolve a concepção de universo infinito. É condenado e morre queimado vivo na fogueira. Galileu Galilei contribuiu com descobertas científicas, como o aperfeiçoamento do telescópio, e com uma nova postura metodológica de investigação científica: observação, experimentação, uso da linguagem matemática. Por condenar os dogmas tradicionais da Igreja, também foi condenado pela Inquisição, mas optou por viver e seguiu fazendo suas pesquisas clandestinamente. A revolução científica pode ser considerada uma grande realização do espírito crítico humano, e acaba concentrando sua atenção na natureza do universo, na ciência da natureza.

e) Desenvolvimento do mercantilismo e ruptura da economia feudal O mercantilismo antecede ao desenvolvimento da indústria e trouxe novas necessidades com o surgimento da burguesia, diferentes dos interesses da nobreza.

f) Surgimento dos grandes centros urbanos leva a novos valores e necessidades. E a invenção da Imprensa permite que as idéias possam ser publicadas e difundidas.

Sobre a Produção do Conhecimento

A Idade Moderna é um período é marcado por grandes transformações. Estas transformações e o desenvolvimento da ciência moderna levaram o homem a questionar os critérios e os métodos usados para aquisição do conhecimento verdadeiro da realidade. A oposição entre o antigo e o moderno faz surgir o problema e os conflitos entre teorias. Faltam critério para fundamentar a validade destas teorias.

Na busca de tentar estabelecer formas corretas para conhecer a realidade, as estruturas de pensamento passaram a ser dissecadas e investigadas pelos principais filósofos do século XVII e XVIII. O início desse período é marcado por uma acentuada descrença teórica. Surgem as seguintes perguntas:

O homem é capaz de conhecer a verdade?
Quais são as possibilidades do conhecimento humano?
O que é conhecer?
Como o conhecimento é possível?
O que garante que o conhecimento seja verdadeiro?

Em resposta a essas questões retoma-se dos gregos o ceticismo. Ceticismo é a atitude filosófica que duvida da capacidade da razão humana conhecer a realidade exterior e o homem. A descrença em relação ao conhecimento foi resultado do choque entre os pensamentos antigo e o moderno. A multiplicidade de opiniões e teorias divergentes produziu um ambiente de dúvida entre os pensadores. Todas essas mudanças são o pano de fundo para o surgimento de novas formas de pensar e entender a realidade, rompendo com a visão medieval e antiga. A dúvida vai fazer parte do pensamento da época. Percebe-se a necessidade de definir e estabelecer formas corretas para conhecer a realidade. As estruturas de pensamento passaram a ser investigadas pelos principais filósofos do século XVII e XVIII, destacando-se duas visões: a racionalista e a empirista. O racionalismo e o empirismo constituem novos paradigmas da filosofia moderna para conhecer a realidade.

Racionalismo: O que é a razão?

Existem vários sentidos de razão no nosso dia a dia. Pode significar: estar certo, juízo, Para a Filosofia razão tem outro significado. Filosofia se define como conhecimento racional da realidade natural e cultural, das coisas e dos seres humanos. A razão é a organização e ordenação de idéias, para assim poder sistematizá-las. A razão é atividade intelectual de conhecimento da realidade natural, social, psicológica, histórica. Possui um ideal de clareza, de ordenação e de rigor e precisão dos pensamentos e de palavras. 7 A razão, em sua origem, é a capacidade intelectual de pensar e exprimir-se correta e claramente, de modo a organizar e ordenar a realidade, os seres, os fatos e as idéias. Desde o começo da Filosofia, a origem da palavra razão fez com que ela fosse considerada oposta a quatro outras atitudes mentais:

Ao conhecimento ilusório
Às emoções, aos sentimentos, às paixões,
À crença religiosa, em que a verdade nos é dada pela fé numa revelação divina
Ao êxtase místico

A Razão para o Pensamento Moderno

A Filosofia Moderna foi o período em que mais se confiou nos poderes da razão para conhecer e conquistar a realidade e o homem – por isso foi chamado de Grande Racionalismo Clássico. O marco dessa forma de pensamento é René Descarte, matemático e filósofo, inventor da geometria analítica. O método escolhido é o matemático, por ser o exemplo de conhecimento integral racional. Para o racionalismo o ponto de partida é o sujeito pensante e não o mundo exterior, privilegiando-se a razão em detrimento da experiência do mundo sensível como via de acesso ao conhecimento.

RACIONALISMO

O racionalismo é baseado nos princípios da busca da certeza e da demonstração, sustentados por um conhecimento que não vêm da experiência e são elaborados somente pela razão. O racionalismo considera que o homem tem idéias inatas, ou seja, que não são derivadas da experiência, mas se encontram no indivíduo desde seu nascimento e desconfia das percepções sensoriais.

Enquanto a ciência cristã e antiga constituía um corpo de verdades teóricas universais, de certezas definitivas, não admitindo erros, mudanças ou crítica, a ciência moderna e racional vai propor formular leis e princípios que expliquem o funcionamento da realidade. O pensamento racional ao introduzir a dúvida no processo do pensamento, introduz a crítica como parte do desenvolvimento do conhecimento científico. São esses princípios da ciência moderna que encontramos hoje. Principais pensadores: René Descartes (1596-1650), Pascal (1623-1662), Spinoza (1632-1677) e Leibniz (1646-1716), Friedrich Hegel (1770-1831).

René Descartes,

Nasceu na França, em um momento de profunda crise da sociedade e cultura européia, passando por grandes transformações e ruptura com o mundo anterior. Foi um dos principais pensadores do racionalismo. Expôs suas idéias com cautela para evitar a condenação da igreja. É considerado um dos pais da filosofia moderna. O princípio básico de sua filosofia é a frase: “Penso, Logo existo”. A base de seu método é a dúvida de todas as nossas crenças e opiniões. Para ele, tudo deve ser rejeitado se houver qualquer possibilidade de dúvida. O pensamento é algo mais certo que a matéria. Ele valorizava a atividade do sujeito pensante em relação ao real a ser conhecido. Descarte acreditava que o método racional é caminho para garantir o conhecimento de uma teoria científica.

EMPIRISMO

O Empirismo defende que o conhecimento humano provém da nossa percepção do mundo externo e da nossa capacidade mental, valorizando a experiência sensível e concreta como fonte do conhecimento e da investigação. Segundo os empiristas, o conhecimento da razão, da verdade e das idéias racionais é importante mas desde que estejam ligados à experiência, pois as idéias são adquiridas ao longo da vida e mediante o exercício da experiência sensorial e da reflexão. O método empirista baseia-se na formulação de hipóteses, na observação, na verificação de hipóteses com base nos experimentos.

O empirismo provoca uma revolução para a ciência. A partir da valorização da experiência, o conhecimento científico, que antes se contentava em contemplar a natureza, passa a querer dominá-la, buscando resultados práticos. Principais filósofos: Francis Bacon, John Locke, David Hume, Thomas Hobbes e Hohn Stuart Mill. Francis Bacon, nasceu na Inglaterra criou o lema saber é poder, pois compreende que o desenvolvimento da pesquisa experimental aumenta o poder dos homens sobre a natureza . John Locke, médico inglês, dizia que o mente humana é uma tábula rasa, um papel em branco sem nenhuma idéia previamente escrita e que todas as idéias são adquiridas ao longo da vida mediante o exercício da experiência sensorial e da reflexão. Defendeu que a experiência é a fonte das idéias. Desenvolveu uma corrente denominada Tabula Rasa, onde afirmou que as pessoas desconhecem tudo, mas que através de tentativas e erros aprendem e conquistam experiência.

A Filosofia Moderna

O que é conhecer?
Como podemos conhecer?
Qual a relação entre consciência e realidade?
Essas questões deram origem a uma área da filosofia preocupada com o processo de conhecimento da realidade: a teoria do conhecimento, a epistemologia.

Em resposta a essas questões foram formuladas duas propostas teóricas:

O racionalismo – o conhecimento emana da razão e o empirismo – o conhecimento emana da experiência sensível. Idade Moderna, no século XVII, com Galileu registrou a separação da

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