A ESCRAVIDÃO NO BRASIL

Durante a colonização portuguesa no Brasil houve um esforço considerável em escravizar os indígenas, as primeiras relações de exploração do trabalho se deram por meio do escambo, uma mera troca pura e simples em que os indígenas extraíam considerável volume de toras de pau-brasil em troca de espelhos, facões e outras quinquilharias não conhecidas pelos na América Portuguesa.

Com o tempo a necessidade do trabalho aumentou e os portugueses optaram pela escravização pura e simples, para tanto foi necessária e conveniente a ação dos bandeirantes, estes agiam no sentido de capturar e negociar os indígenas como escravos no tipo de bandeira conhecida como bandeiras de apresamento.

Os indígenas demonstram circunstâncias de resistência melhores que os africanos, tendo em vista que se encontravam em território conhecido, ao passo que os vindos de outro continente se viam em território completamente desconhecido.

Questões de resistência biológica contribuíram para o aumento da escravidão africana em detrimento à escravização indígena, os indígenas se viram intensamente atingidos pela guerra biológica, doenças como varíola e o sarampo dizimaram populações inteiras.

Em 1570, a coroa portuguesa agiu no sentido de favorecer a chegada de mão-de-obra escrava africana no Brasil em substituição à indígena, porém sob a justificativa da “Guerra Justa” (relacionada a tribos antropofágicas), a escravização de indígenas permanecia. No século XVIII deixa de existir oficialmente a escravidão indígena.

Muitos africanos transportados e vendidos como escravos para o Brasil já conheciam por a metalurgia, o comércio de escravos no século XVI apresentava lucratividade, além de uma oportunidade da coroa portuguesa em estabelecer monopólios de exploração do tipo de comércio de mão-de-obra escrava africana.

A região africana fornecedora de mão-de-obra escrava estava mais associada a contextos da África que propriamente da preferência do comprador colonial brasileiro ou português. As regiões da Guiné e Costa da Mina foram as que mais forneceram mão de obra no século XVI. No Século XVII, os centros mais freqüentes fornecedores foram as regiões de Angola e Congo. A maioria dos africanos transportados para serem vendidos como escravos no Brasil no século XVII eram angolanos.

No Brasil os grandes centros importadores de escravos eram o Rio de Janeiro e Salvador. Contribuiu para o destaque da cidade de Salvador o uso do fumo da região do Recôncavo como moeda de troca na compra de africanos. O Rio de Janeiro se destacou principalmente a partir da necessidade de mão-de-obra provocada pela descoberta das minas de ouro, o avanço da economia açucareira e a urbanização.

Várias foram as formas de resistência à prática da escravidão no Brasil, tanto indígenas quanto africanos resistiram de diversas formas à prática da escravidão, agressões contra o sistema ou a seus dominadores, fugas em massa ou individuais, destruição de engenhos, rebeldias, suicídios. As fugas costumeiramente consistiam em posteriores organizações de quilombos, formações de sociedades, tipo vilas composta de escravos fugitivos que se reuniam em localidades geralmente mais afastadas dos grandes centros para dificultar a localização e a dominação, dessas a que mais teve destaque foi o quilombo de Palmares no atual estado de Alagoas.

É importante citar quem nem a Coroa, nem a Igreja Católica se manifestaram contra a prática da escravidão de africanos, algumas ordens religiosas inclusive detinham considerável volume de escravos. Não faltava justificativa para a prática, uma delas foi a de que já era costume na África, mesmo teorias pseudocientíficos tentavam provar que se tratava de uma raça inferior.

A escravidão no Brasil durou até maio de 1889, quando por meio da princesa Isabel foi assinada a lei áurea que abolia a escravidão no país.